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Diário da Região

01/02/2018 - 22h07min / Atualizado 01/02/2018 - 22h06min

Famerp

Células-tronco podem 'salvar' o rim

Pesquisa da Famerp aponta que célula retirada do próprio paciente, se tratada, pode interromper avanço da doença renal crônica

Fotos: Johnny Torres 1/2/2018 A doutoranda Patricia de Carvalho
Ribeiro trabalha na placa de cultura
onde são cultivadas as células-tronco.
O líquido rosa é o meio de cultura e
serve para nutrir a célula
A doutoranda Patricia de Carvalho Ribeiro trabalha na placa de cultura onde são cultivadas as células-tronco. O líquido rosa é o meio de cultura e serve para nutrir a célula

Uma célula retirada de qualquer tecido do próprio paciente pode ajudar a frear a doença renal crônica e assim proporcionar a ele mais alguns anos sem diálise ou sem entrar em uma fila de transplante. É o que indica um estudo do grupo de pesquisa em terapia celular do Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental (Litex), da Famerp e do Hospital de Base. A insuficiência renal crônica é causada principalmente por hipertensão e diabetes.

A pesquisa ainda está em fase inicial e os experimentos estão sendo feitos com ratos. Na primeira fase, foi feita a transformação das células sanguíneas humanas em células pluripotentes induzidas, as iPS, por meios de transformação artificiais.

"Elas são produzidas a partir da reprogramação genética de células adultas que se transformam em células-tronco com características embrionárias. As células voltam ao estágio de uma célula-tronco embrionária", explica a pesquisadora Heloisa Caldas. Essas células humanas foram injetadas nos ratos, que passaram por cirurgia para simular a doença renal, ficando apenas com 20% da função dos órgãos.

O estudo conta com a participação da doutoranda Patricia de Carvalho Ribeiro, da Famerp, e de Fernando Lojudice Silva e Mari Cleide Sogayar, do Núcleo de Terapia Celular e Molecular da USP. A pesquisa é financiada pela Capes e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

As iPS são chamadas de pluripotentes porque podem se transformar em células de praticamente todos os tecidos do corpo - podem se adaptar ao rim. Os resultados são promissores no retardamento do avanço da doença renal crônica, regenerando o órgão danificado, e já foram publicados.

Ainda faltam dois anos para concluir o estudo, que neste momento analisa a capacidade de um segundo tipo de células, as progenitoras renais, que antecedem as células renais maduras. "Elas têm capacidade de se diferenciar em tipos especializados do tecido renal, por isso vamos estudá-las", afirma Heloisa. Os dois tipos de células serão utilizados para observar se elas proporcionam melhora nos animais analisados.

Mário Abbud Filho, coordenador do Litex, afirma que, injetando-se a célula no rim, ela interromperia o avanço da insuficiência renal crônica, que tem cinco estágios de gravidade. O tratamento poderia ser utilizado em qualquer um deles. Do três para o quatro, por exemplo, garantiria mais alguns anos ao paciente sem que ele precisasse fazer diálise ou necessitasse entrar na fila de espera por transplante, proporcionando mais qualidade de vida. "Vai ter que tomar remédios, mas não tem que se deslocar para centro de diálise, ficar quatro horas sentado. É um tratamento desgastante." Atualmente, segundo o médico, há cerca de mil pacientes passando por diálise em Rio Preto.

Caso a utilização das células-tronco venha a se tornar uma terapia no futuro, descobrir a doença no estágio inicial é a melhor opção para a eficácia do tratamento. "Se pega um órgão muito destruído fica difícil fazer milagre", afirma Abbud. Segundo ele, como as iPS podem surgir de qualquer tecido do paciente e ser cultivadas in vitro, ou seja, em laboratório, facilitaria a discussão sobre a polêmica de retirar células-tronco de embriões, o que não seria necessário nesse tratamento.

Evolução

Embora a pesquisa esteja nos estágios iniciais, Abbud vislumbra avanços. Uma das ideias seria "imprimir" um rim em uma impressora 3D e colocar as células nesse suporte para que ele se transformasse no órgão funcional. "A gente imagina que se pegar essas células e dar o estímulo ideal é possível que consigam formar um órgão novo."

 

A pesquisa

  • É feita com ratos com insuficiência renal crônica. Utilizam-se dois tipos de células: as pluripotentes induzidas e as progenitoras renais.
  • O primeiro tipo tem a capacidade de "regenerar" o rim, freando o avanço da doença renal crônica. Elas se adaptam a diferentes tipos de tecidos e órgãos.
  • O segundo tipo tem a capacidade de se diferenciar em tipos especializados de tecido renal.
  • Ainda faltam anos para a conclusão dos estudos e os resultados são apenas iniciais.

 

Economia para o sistema

Frear o avanço da doença renal crônica representaria uma economia para o Sistema Único de Saúde. É o que considera Mário Abbud Filho, coordenador do laboratório LITEX, da Famerp, onde a pesquisa está sendo realizada.

Segundo o Datasus, em 2016, na região de Rio Preto, 1.537 ficaram internadas por insuficiência renal; 134 desses pacientes morreram.

Entre janeiro e novembro de 2017, o número subiu para 1.575 internações e 165 óbitos. O custo total para o tratamento hospitalar nesses 23 meses foi de R$ 13,5 milhões.

Segundo dados da associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 10,7 mil pacientes paulistas aguardavam um rim em setembro - data dos números mais recentes. Quinze milhões de brasileiros têm algum grau de comprometimento das funções renais, mas apenas 100 mil sabem.

A doença renal crônica consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins. Em sua fase mais avançada os órgãos não conseguem mais manter o equilíbrio do organismo.

As duas principais causadoras do mal são hipertensão e diabetes. A hipertensão é controlável, já a diabetes, segundo Abbud, tem a tendência de causar algum dano renal. (MG)

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