Diário da Região

28/02/2018 - 22h20min / Atualizado 28/02/2018 - 22h20min

'FRETE DO MEDO'

Violência no Rio força 'fuga' de empresas

Média é de um roubo de carga registrado a cada 50 minutos no RJ

Mara Sousa 28/2/2018 José Luis Appoloni Neto, gerente da Trans Real, afirma que só faz transporte para o Rio com segurança; escolta começa 100 quilômetros antes de entrar em solo carioca
José Luis Appoloni Neto, gerente da Trans Real, afirma que só faz transporte para o Rio com segurança; escolta começa 100 quilômetros antes de entrar em solo carioca

Com a média de um roubo de carga a cada 50 minutos - reflexo direto de todo cenário de violência desenfreada que levou à intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro -, transportadoras de Rio Preto e região estão evitando realizar entregas que tenham o território fluminense como destino. Somente em 2017, foram registrados 10.599 roubos de carga no Rio, média de uma ação a cada 50 minutos.

A Trans Real, de Rio Preto, quase entrou nas estatísticas de 2018. Em 28 de janeiro, José Euzébio da Silva, caminhoneiro de 58 anos de idade e 32 de profissão, levava para lá uma carga de carne avaliada em R$ 270 mil. Na altura de Belford Roxo, em Queimados, foi interceptado por bandidos em um carro.

Um dos ladrões, armado com faca, entrou pela janela do caminhão e mandou que Silva continuasse dirigindo em alta velocidade. O motorista foi obrigado a falar com um homem que o meliante chamava de "chefe".

O caminhoneiro dirigiu pelo menos 15 quilômetros sob a mira de uma arma e sob xingamentos e ameaças. A polícia, no entanto, havia captado por câmeras o momento em que a vítima foi abordada pelos ladrões e montou campana mais à frente. Os policiais conseguiram prender o homem que estava na cabine. Os ocupantes dos dois carros que estavam dando apoio conseguiram fugir.

"Fui ameaçado. Você pensa que o pior vai acontecer. Um cara nervoso, tremendo e apontando a arma para a cabeça, não é fácil. A gente continua trabalhando porque precisa", desabafa o caminhoneiro. "Estou pensando como vou fazer quando tiver que voltar para lá, estou com medo". Em todos os anos de profissão, nunca tinha vivido algo semelhante. "Meu primeiro pensamento foram os filhos, os netos, a mulher."

Silva trabalha para a Trans Real, que há dois anos só vai para o Rio de Janeiro com escolta, mas intensificou a proteção depois dessa tentativa de roubo. Antes, a segurança só era acionada dentro da cidade. Agora, os motoristas são escoltados desde 100 quilômetros antes de chegar no município, pois os bandidos estão abordando os trabalhadores mesmo antes de entrar na capital.

"Contratamos uma empresa de segurança fluminense, que vai atrás do caminhão com dois seguranças armados. Além disso, só trabalhamos com clientes conhecidos", disse José Luis Appoloni Neto, gerente da empresa.

Alessandro Vicente, gerente da Transportadora Risso, estima que nos últimos meses perdeu 15% das viagens que faria para o Rio. Algumas ele recusou. "A maioria das entregas são agendadas e nos locais de risco não vamos. O cliente tem que buscar, retirar a mercadoria." Ou seja: se o frete for para um local de risco agenda-se um ponto para o caminhoneiro encontrar com o receptor da carga, que deve transportá-la por conta própria até o destino final. A empresa leva diversas cargas, como móveis e pneus, e aumentou em 30% o custo do serviço.

O coronel Venâncio Moura, diretor de segurança da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro (Fetranscarga) e do Sindicarga (Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro), diz que o prejuízo com roubos de cargas em 2017 ficou em R$ 1 bilhão. Em fevereiro, a média foi de 25 ocorrências por dia.

A intervenção militar em solo carioca ainda não mudou a sensação de insegurança. "Para nós ainda não teve efeito" afirma Appoloni Neto.

Por essa razão, Kagio Miura, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Rio Preto e Região (Setcarp), que representa empresas da cidade e de mais de 80 municípios vizinhos, afirma que a maioria das transportadoras daqui estão evitando a Cidade Maravilhosa. "Só faz mesmo quando se trata de cliente antigo e não tem como recusar, mas em situação normal quase ninguém está pegando viagem para o Rio por causa dos riscos e dos custos envolvidos", afirma."

Áreas de risco

Os Correios vão cobrar uma taxa extra para a entrega de encomendas na cidade do Rio de Janeiro. A estatal informou que vai cobrar um valor adicional de R$ 3 para cada encomenda que tenha como destino a capital fluminense. De acordo com os Correios, "a violência no Rio chegou a níveis extremos, causando altíssimo impacto no custo para a entrega de mercadorias, dadas as medidas necessárias para manutenção da integridade dos empregados, das encomendas e até das unidades e equipamentos da empresa".

(Colaborou Marival Correa)

 

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