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Diário da Região

27/02/2018 - 00h30min / Atualizado 26/02/2018 - 22h52min

RESCALDO

Agromonte cheia de fumaça após 3 dias

Cheiro de queimado incomoda quem trabalha nas proximidades

Mara Sousa 26/2/2018 Nesta segunda-feira, 26, ainda era possível ver bastante fumaça saindo do prédio
Nesta segunda-feira, 26, ainda era possível ver bastante fumaça saindo do prédio

Quase 72 horas depois do incêndio que destruiu a Agromonte, ainda era possível sentir o cheiro e ver a fumaça que saía do local. Os Bombeiros precisaram voltar ao local nesta segunda-feira, 26, para fazer trabalho de resfriamento dos destroços, e no começo da tarde a chuva trouxe algum alívio a quem trabalha nas proximidades.

A atendente de um mercado da mesma rua, que preferiu não se identificar, diz que membros da equipe sentiram-se mal com a fumaça. "De manhã estava mais forte, diminuiu quando começou a chuva." De acordo com Thainan Henrique, borracheiro de 24 anos, a fumaça estava forte de manhã e foi amenizada com a chuva da tarde. "Não dava nem para ficar aqui. Todo mundo reclamando."

Danielle Cristina da Silva, analista financeira de 21 anos que trabalha em uma floricultura das proximidades, relata o mesmo. "De manhã teve hora que incomodou. Passando pela calçada estava sufocante. Agora à tarde ainda estava cheiro."

Joaquina Aparecida dos Santos, diarista de 34 anos, levou o filho de um ano e onze meses à escola infantil por volta das 7h20. "Estava forte a fumaça, tinha bastante." O frentista Vitor Renan de Oliveira, de 34 anos, afirma que no domingo o desconforto estava maior. "Tinha hora que o vento batia forte e piorava."

O tenente Alexandre Neto, do Corpo de Bombeiros, explica que o trabalho de resfriamento feito nesta segunda-feira, 26, é rescaldo dos pequenos focos que ficaram por baixo do teto, que desabou com o incêndio de sexta-feira, 23. "Embaixo de toda matéria ainda fica queimando em profundidade. Isso causa algumas fumaças. Há uma grande quantidade de fogo e uma grande quantidade de focos que ainda continuam queimando. A gente chama de queima lenta incompleta em profundidade. Isso demora até a retirada de todo o material", esclarece. A retirada dos destroços deve ocorrer depois que todas as perícias forem feitas.

Muitos produtos tóxicos foram queimados, como agrotóxicos e vacinas, produzindo um gás que causava desconforto a quem estivesse por perto no dia do incidente. "A grande vantagem é ser uma área aberta e o vento dispersou a fumaça", explicou na sexta-feira, 23, o capitão Edmilson Santana. Parte da fumaça expelida era proveniente do próprio combate ao fogo.

 

Prejuízo menor que o esperado

O prejuízo da Agromonte será menor do que o estimado inicialmente, e deverá ficar por volta dos R$ 9 milhões - menos da metade dos R$ 20 milhões que os donos supunham. O incêndio destruiu todo o estoque da empresa e o teto. Calcular o valor exato dos danos foi possível porque a equipe da loja conseguiu localizar alguns discos rígidos e ter acesso às planilhas, atualizadas um dia antes da tragédia, sobre o que havia no estoque.

De acordo com Eloy Gonçalves, um dos donos da loja, um amigo que trabalha na área de engenharia avalia que não será preciso derrubar as paredes e refazer todo o prédio para retomar o negócio. "A seguradora está fazendo as vistorias, tem seguro contra várias coisas. Quinta-feira a gente deve conversar com eles. Se não cobrir tudo, vai cobrir quase tudo que perdemos", afirma.

A perícia examinou o local e em cerca de 20 dias deve sair o laudo com o que causou o acidente. Foram mais de 16 horas de combate ao fogo entre sexta-feira e sábado.

Partes dos 65 funcionários da Agromonte foi encaminhada à Dukamp, empresa da família que fica em Monte Aprazível. Empresas estão procurando Eloy para oferecer trabalho a seus contratados, mas ele não pretende demitir ninguém, mesmo neste período em que a loja ficará desativada. "Nós estamos fazendo de tudo e estamos tendo apoio financeiro. O grande problema é bancar esses funcionários por três, quatro, cinco meses sem ter receita de venda", ressalta. "Estamos providenciando para tentar fazer isso. A hora que a Agromonte voltar a funcionar essa equipe vai fazer com que ela se recupere muito fácil."

De acordo com Eloy, empresa possui uma pequena reserva financeira, cujo valor ainda está sendo levantado. Deverá vir alguma receita de vendas já efetuadas e que a Agromonte estava para receber. Uma corrente de solidariedade tem se formado após a tragédia. Clientes têm procurado pagar o que devem; fornecedores têm facilitado as condições tanto agora quanto após a reabertura da loja e pelo menos cinco empresários rio-pretenses ofereceram barracões para reativação da Agromonte sem custo algum.

"Primeiro momento a gente está correndo atrás da parte legal. Tem que esperar um certo tempo, pelo menos uns 15 ou 20 dias para recomeçar", pondera Eloy. A intenção é reformar o prédio que ficou danificado e retomar as atividades o mais rápido possível. "Agora é ter paciência, calma, agradecer o apoio que está tendo de todo mundo e tentar recomeçar."

Teto dificultou trabalho

Foram dez horas de trabalho para controlar o fogo e mais sete horas de rescaldo no sábado, 24. A maior dificuldade encontrada pelos Bombeiros foi a queda do teto. "Grande quantidade de fogo estava por baixo, então não é um combate simples. Não tinha como progredir. A maior dificuldade foi fazer o resfriamento por cima utilizando os canhões d'água e a equipe interna conseguir passo a passo fazer a extinção dos incêndios que estavam embaixo dos escombros", explica o capitão Alexandre Neto.

Houve preocupação com impedir que o fogo fosse para edificações próximas, como o terminal e um supermercado, por isso a corporação agiu bastante dos dois lados da construção. Outro cuidado foi tomado com o trem, cujo trânsito foi interrompido em alguns momentos por segurança.

Os bombeiros revezaram-se durante o serviço. De acordo com Neto, não importa o preparo físico que façam no dia a dia. "Um incêndio dessa proporção derruba qualquer um, independente da preparação física que ele tiver. Então o essencial é a área do descanso. O bombeiro passa por um médico que verifica se ele inalou muita fumaça."

As viaturas da corporação chegaram ao local cinco minutos após o chamado e a construção já estava tomada - a Agromonte vende produtos bastante inflamáveis. Segundo o tenente, chegar rápido até lá foi possível graças à proximidade da base.

O Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros da empresa estava vigente até março de 2019, bem como o alvará da Prefeitura. Nos próximos dias, quando os destroços estiverem mais secos, a Defesa Civil fará uma vistoria no local para confirmar se é possível aproveitar as paredes ou se será necessário demoli-las. (MG)

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