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Diário da Região

25/02/2018 - 00h30min / Atualizado 24/02/2018 - 20h15min

AGROMONTE

Prejuízo com incêndio chega a R$ 20 milhões

Uma empresa reduzida a escombros. Estimativa é que prejuízo na Agromonte seja de até R$ 20 milhões

Guilherme Baffi 24/2/2018 Após os trabalhos de rescaldo dos bombeiros e da perícia foi possível ter a dimensão dos estragos
Após os trabalhos de rescaldo dos bombeiros e da perícia foi possível ter a dimensão dos estragos

O prejuízo com o incêndio que destruiu a Agromonte, uma das maiores lojas agropecuárias de Rio Preto, pode custar de R$ 15 a R$ 20 milhões e o seguro que a empresa tem não deve cobrir metade deste valor. É o que estima um dos donos, Eloy Gonçalves, de 55 anos. Não houve vítimas do acidente e ainda não se sabe o que provocou a tragédia - isso será determinado pelo laudo dos peritos.

O fogo começou por volta das 19h de sexta-feira, 23, e foi controlado pelos Bombeiros somente às 5h da madrugada do sábado, 24. Então a corporação começou a fazer o rescaldo das chamas, trabalho que durou até 12h. As primeiras áreas liberadas foram o lado direito e o meio da loja. O interior do prédio, construído em 1929, ficou completamente destruído, inclusive uma tulha restaurada que ficava no interior da loja. O aparelho havia sido adquirido de um produtor de café e possuía dois andares, mas foi reduzido a cinzas.

O fogo teria começado no meio da loja, nas proximidades de máquinas motoserras e roçadeiras, que continham gasolina. Isso foi percebido por imagens aéreas. Eloy relatou que ficou sabendo do que estava acontecendo por meio de uma ligação de um amigo que dizia estar vendo fumaça na região da loja. Tentou acessar a rede de câmeras de casa, em Monte Aprazível, mas não conseguiu. Telefonou para um sobrinho, que já estava no local e confirmou que realmente o fogo vinha da Agromonte. O empresário passou recentemente por uma cirurgia cardíaca, mas ainda assim foi duas vezes durante a noite acompanhar o trabalho de contenção às chamas. 

Eloy conta que os peritos do seguro já compareceram ao local, mas nova vistoria será feita. “Aqui a gente fez seguro a vida inteira. Como nunca usou não olhamos a apólice, nunca prestamos atenção no tipo de seguro. Graças a Deus temos uma seguradora boa, mas o valor não cobre metade do prejuízo”, lamenta.

De acordo com Renato Neves Rodrigues, capitão do Corpo de Bombeiros, quando a equipe chegou, cinco minutos após o chamado, as chamas já haviam tomado toda a edificação. Os produtos que estavam no interior são altamente inflamáveis, pois a loja vende equipamentos com gasolina, roupas, ferramentas, rações, sal, herbicidas, medicamentos veterinários, agrotóxicos e vacinas. Até as 11h do sábado já haviam sido utilizados 500 mil litros de água.

“A grande dificuldade foi que as chamas alcançaram uma temperatura que comprometeu a estrutura da cobertura, ela colapsou e as folhas da cobertura impediram nossa entrada”, afirma o capitão. Por isso, foi preciso conter o fogo por cima antes de retirar os empecilhos e adentrar o prédio, forma mais eficaz de conter as chamas. A temperatura delas chegou a pelo menos mil graus e 45 bombeiros trabalharam no combate às chamas durante a noite e a madrugada. Outro 25 foram responsáveis por acabar com o rescaldo.

O trabalho foi desenvolvido em esquema de revezamento e sempre com proteção respiratória. Intercalar os combatentes é importante porque o desgaste acontece depressa devido ao peso do equipamento de proteção individual e ao serviço pesado. Os Bombeiros contaram com o apoio da Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Defesa Civil e também do Semae e de usinas de açúcar da região, que enviaram caminhões-pipa cheios de água.

Como a loja tem produtos como vacinas e venenos contra pragas, foi preciso tomar cuidado com a fumaça - parte da que foi produzida era produto do combate às chamas, como explicou o capitão Edmilson Santana, do Corpo de Bombeiros. "A grande vantagem é que é uma área extremamente aberta e o vento não está forte, então essa fumaça que poderia trazer algum tipo de prejuízo está sendo levada para atmosfera. A princípio a informação que a gente tinha era que não era produtos tão tóxicos que não se pudesse trabalhar perto deles", afirmou na noite de sexta-feira, 23.

Os profissionais se preocuparam em conter as chamas das laterais do prédio, pois havia o receio de que elas invadissem o terminal ou o supermercado das proximidades. Foi necessário interditar o trânsito em uma margem de segurança de 300 metros. O tráfego foi liberado somente na manhã de sábado, às 8h, quando as chamas foram contidas. Por algumas horas, os trens também deixaram de passar.

O teto do imóvel é feito de metal, mas as estruturas eram de madeira de peroba rosa. Apenas alguns equipamentos que estavam do lado de fora da construção – que tem no total 2,4 mil metros quadrados – foram salvos, como misturador, triturador, bomba d’água, esparramados de calcário e alguns sacos de sal.

O Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (conhecido como alvará de licença) do prédio estava em dia. De acordo com Rodrigues, a validade do documento da Agromonte vai até março de 2019, portanto a empresa seguia todas as regras de segurança exigidas. O alvará que a Prefeitura exige para que o estabelecimento funcione depende da vistoria dos Bombeiros, portanto também está em ordem.

Dois peritos do Instituto de Criminalística examinaram o local na tarde deste sábado, 24. Nenhum deles quis comentar com a reportagem sobre o que foi encontrado no interior do prédio. “Geralmente o laudo sai com 15 dias, mas vai muito da complexidade da perícia, lá é uma área grande. Pode ser que demore um pouco mais”, explicou o delegado Jairo Garcia Pereira. Este documento poderá determinar as causas do acidente.

José Carlos Sé, chefe da divisão de gestão e riscos da Defesa Civil, afirmou que a equipe irá até o local para avaliar os danos. “Fizemos uma avaliação da parte da frente, na segunda-feira vamos fazer uma mais profunda. Se estiver tudo bem, parte dali. O que estiver comprometido vai ter que demolir.”

(Colaborou Luna Kfouri)

Apreensão e explosões

O frentista Luiz Henrique de Lima Araújo, de 21 anos, trabalha em um posto que fica a cerca de 100 metros da Agromonte e viu quando o fogo começou. "Comecei a observar uma fumaça no teto. Ouvi o alarme. Em questão de cinco minutos começou a sair muita chama do meio da Agromonte, aí foi se alastrando, foi piorando e a fumaça foi tomando conta", relata. "Teve um momento que o teto central caiu, deu uma explosão forte, as pessoas se assustaram, algumas correram. Tinha gente chorando, gente desesperada por causa do posto também, que tem combustível. Para nossa sorte o vento estava batendo do lado contrário."

Marilza de Lima Girotto, auxiliar de serviços gerais de 51 anos, conta que estava no terminal para tomar o ônibus quando começou a sentir um cheiro de fumaça. Pensou inicialmente que fosse do trem que trafegava no local naquele momento.

"Uma fumaça preta começou a sair do meio da Agromonte, em coisa de dez minutos se alastrou. Explodiu no meio. O fogo foi muito rápido." O terminal não teve as atividades paralisadas, mas até a manhã de sábado, 24, os motoristas dos ônibus precisaram utilizar rotas alternativas. 

O capitão Renato Neves Rodrigues, do Corpo de Bombeiros, também relata que houve explosões. Vários funcionários foram até o local quando ficaram sabendo do ocorrido. (MG/LK)

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