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QUINTO ADIAMENTO

Acusado de matar taxista é preso

Júri foi adiado por manobra da defesa para fazer o crime prescrever, diz MP


    • São José do Rio Preto
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Pela quinta vez, foi adiado o julgamento de José Lopes de Almeida, que estava agendado para esta quinta-feira, 22. Ele é acusado de participar, em 2001, do homicídio de Marcus Vinicius Rosalen, taxista à época com 31 anos, em Cedral. O réu respondia ao crime em liberdade, mas a juíza Gláucia Véspoli dos Santos Ramos de Oliveira determinou a prisão dele e novo júri foi agendado para 15 de maio.

Na época do crime, Almeida teria se passado por um falso passageiro para levar Marcus até um sítio, onde a vítima teria sido alvejada por Joaquim Conceição da Silva. Para Joaquim, o crime já prescreveu, pois na ocasião ele tinha mais de 64 anos. Como explica o promotor de Justiça José Márcio Rosseto, depois dos 70 anos é necessário apenas a metade do tempo para o crime prescrever, ou seja, nesse caso, de dez anos. Joaquim já foi excluído do processo.

No julgamento anterior, o advogado de defesa de José Almeida havia abandonado o plenário, adiando o júri. A Justiça pediu que o réu designasse um novo advogado, o que ele não fez, por isso o poder judiciário designou um defensor público para o processo.

Nesta quinta-feira, 22, porém, Almeida disse que não reconhecia o servidor como seu advogado, e o defensor, alegando que sem relação de confiança ele poderia prejudicar o réu, optou por não realizar a defesa. O Ministério Público então pediu a prisão do acusado.

"O Ministério Público entende que ele está criando todas as manobras possíveis para evitar o julgamento e cavar uma prescrição. A Justiça concordou", afirma Rosseto. "Enquanto ele não for julgado, ele fica preso."

'Decisão abusiva'

O advogado de defesa de José Almeida, Airton Jorge Sarchis, diz que é direito de seu cliente não aceitar o advogado designado, por isso considera a prisão do réu, que ocorreu nesta quinta-feira, ilegal e abusiva. Ele defende que Almeida é inocente e vai recorrer contra a prisão.

Sarchis afirma que deixou o plenário durante o último julgamento porque o Ministério Público teria feito número abusivo de apartes, além de tentar comover o júri e o juiz com a emoção da família de Marcus Vinicius.

Rosseto afirma que isso não ocorreu. "O Ministério Público sequer conversa com o público durante o júri. Se dirige apenas aos jurados, quando autorizado pelo juiz e sob a fiscalização dele."

'Sensação de Justiça'

Marilene das Graças Rosalem, vendedora de 42 anos e irmã do taxista assassinado, afirma que saber que o acusado pela morte do irmão será preso dá uma sensação de Justiça. Ela espera por Justiça. "Tem que pagar pelo crime, é a vida de um ser humano. O Marcus faz muita falta. Ele me ajudou com meu filho prematuro. Acabou tudo", lamenta. Marcus deixou três filhos, que hoje estão com 22, 17 e 16 anos.