Diário da Região

09/02/2018 - 00h30min / Atualizado 08/02/2018 - 22h47min

Operação Canaã

'Quero minha família de volta'

Dona de casa luta há 12 anos para ter de volta filhas e netos, que seguem seita acusada de escravizar fiéis

Fotos: Marco Antonio dos Santos 8/2/2018 Valdete Ferreira da Silva tem nove parentes em fazendas da seita
Valdete Ferreira da Silva tem nove parentes em fazendas da seita

A dona de casa Valdete Ferreira da Silva, de 68 anos, luta há 12 para trazer de volta para Rio Preto nove familiares. Todos eles entraram para a seita "Jesus, A Verdade Que Marca", grupo que teve 13 pessoas presas nessa semana após operação da Polícia Federal e do Ministério do Trabalho. Eles são acusados de escravizar os fiéis em fazendas de Minas Gerais, além de tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro e estelionato. Entre os líderes presos, está o empresário de Olímpia José Donizeti Buzzato, que foi enviado para Presídio Nelson Hungria, em Belo Horizonte.

"Perdi quase toda minha família para esta seita. Minhas duas filhas, dois genros e cinco netos. Agora que prenderam os líderes, vamos ver se todos voltam para casa. Quero minha família de volta", diz a dona de casa.

Nos últimos anos, a vida da aposentada é tentar convencer os parentes a abandonar a seita e denunciar em redes sociais os líderes da igreja pela exploração dos parentes. "Eu cobrei da polícia para que eles tomassem uma providência, porque o pessoal da igreja trocava constantemente de fazenda meus parentes. Eles trabalham sem ganhar um centavo." Hoje, ela não sabe em que cidade os parentes estão.

Segundo Valdete, as filhas trabalham na horta, vendem as verduras e todo dinheiro é repassado para os coordenadores das fazendas. Quando precisam de alimentos, roupas, medicamentos, entre outros objetos pessoais, como celular, elas devem pedir para um dos líderes da igreja. "Uma das minhas filhas esteve aqui há três meses para me visitar. Falei para ela ficar, mas ela não quer abandonar a seita. Tenho esperança que esta operação consiga trazer meu povo de volta para casa."

A dona de casa chegou até a ficar alegre com a deflagração da Operação Canaã - A Colheita Final, mas voltou a ser preocupar quando uma de suas filhas, por meio de mensagem do WhatsApp, disse que não acredita que foram encontradas irregularidades nas fazendas e avisou que não tem intenção de voltar.

Uma das filhas mandou mensagem para a mãe, dizendo que não acredita nas acusações. "Espero que a Justiça puna todos os envolvidos e façam devolver para minha filha a casa e os R$ 70 mil que pegaram dela, para que quando sair da seita tenha como recomeçar sua vida. Porque hoje eles não têm nada", diz a mulher.

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Editoria de Arte)

Investigação

Segundo a denúncia, os fiéis eram forçados a trabalhar em lavouras e estabelecimentos comerciais, como oficinas mecânicas, postos de gasolina, pastelarias e confecções, sem descanso e remuneração. O coordenador da operação, Marcelo Campos, do Ministério do Trabalho, afirma que foram encontradas 600 pessoas em trabalho escravo nas fazendas da seita. "Os líderes foram enquadrados pelos crimes de tráfico de pessoas e submissão ao trabalho escravo. Eles vão ser processados em ação penal e pelo MT."

A seita é acusada de atuar em municípios de São Paulo, Bahia e Minas Gerais, para convocar fiéis para as fazendas, com a promessa de recompensa divina. Os agentes da PF, acompanhados de fiscais do MT, cumpriram 22 mandados de prisão preventiva, 17 de interdição de estabelecimento comercial e 42 de busca e apreensão - todos expedidos pela 4ª Vara Federal em Belo Horizonte.

Para Marcelo, o maior desafio após a operação é convencer as pessoas que fazem parte da seita que eles foram explorados financeiramente. "Como estas pessoas estão muito convencidas religiosamente sobre o trabalho, e doutrinadas, elas acham que estão numa situação quase de paraíso, e não querem sair. Diferente de outras pessoas encontradas em trabalho escravo. Essas não querem sair da igreja e nem das fazendas", revela o coordenador.

 

600 pessoas foram encontradas em trabalho escravo


O coordenador da operação, Marcelo Campos, do Ministério do Trabalho, afirma que foram encontradas 600 pessoas em trabalho escravo nas fazendas da seita.

"Os líderes foram enquadrados pelos crimes de tráfico de pessoas e submissão de trabalho ao trabalho escravo. Eles vão ser processados em ação penal e pelo Ministério do Trabalho

A seita é suspeita de atuar em municípios de São Paulo, Bahia e Minas Gerais, para convocar fiéis para as fazendas, coma promessa de recompensa divina.

Os agentes da PF, acompanhados de fiscais do Ministério do Trabalho cumpriram cumprem 22 mandados de prisão preventiva, 17 de interdição de estabelecimento comercial e 42 de busca e apreensão – todos expedidos pela 4ª Vara Federal em Belo Horizonte.

Para Marcelo, o maior desafio após a operação é convencer as pessoas que fazem parte da seita que eles foram explorados financeiramente.

"Como estas pessoas estão muito convencidas religiosamente sobre o trabalho e doutrinadas, elas acharam que estão numa situação quase de paraíso, e não querem sair. Diferente de outros pessoas que encontradas em trabalho escravo, querem mais é sair e voltar para casa. Essas não querem sair da igreja e nem das fazendas", revela o coordenador.;

Todos os 13 líderes da igreja vão aguardar presos, o resultados das investigações e poderão ser condenados criminalmente pela exploração dos fiéis.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso