Diário da Região

24/02/2018 - 18h57min / Atualizado 24/02/2018 - 18h57min

MULHER BARBEIRA

Barba, cabelo e bigode no preconceito

Jovem de 18 anos atua como barbeira profissional em salão de Rio Preto e impõe respeito em reduto antes apenas masculino

Guilherme Baffi 2/2/2018 Stefany Fiaschi:
Stefany Fiaschi: "Machismo foi um empurrão para eu não desistir"

Esqueça aquela visão machista de classificar mulher ao volante como barbeira, sinônimo empregado de forma sexista para quem dirige mal. As mulheres já atropelaram este e muitos outros preconceitos. Na verdade, no caso de Stefany Fiaschi, esses preconceitos foram literalmente cortados. E com tesoura e navalha!

Stefany, que trabalha em um salão localizado na região dos condomínios Damha, é barbeira de profissão. Ela é especializada em cuidar do visual masculino, cabelo e barba mais especificamente.

Tudo começou aos 18 anos, quando ela decidiu escolher uma profissão típica do sexo masculino. Foi justamente a negativa de um homem que a fez encarar o desafio. Para seguir na carreira, a família, principal o total apoio da mãe, foi imprescindível para não desistir.

"Fui entregar um currículo e um homem falou que mulher não serve para trabalhar numa barbearia, que mulher é para ser dona de casa. Eu usei isso como um desafio e com a ajuda da minha mãe, não desisti."

Stefany conta que não sofre nenhum tipo de assédio, já que os clientes que frequentam o local respeitam seu trabalho. Entretanto, o machismo e o preconceito que sofreu durante o processo de aprendizagem fizeram com que persistisse na carreira. "O machismo foi um empurrão para eu não desistir. Para um dia poder provar, tanto para mim quanto para quem duvidou de mim, que eu era capaz e ia chegar onde sempre quis", afirma.

Stefany era balconista antes de seguir como barbeira. Ela disse que antes tinha hora para entrar e sair do trabalho, hoje, no novo emprego, os horários são agendados e os clientes são diversificados, geralmente, a partir dos 28 anos, frequentadores do próprio salão e outros que aparecem por indicação.

Devido à nova rotina de trabalho, a jovem não tem horário fixo, pois os trabalhos são realizados de acordo agendamentos. Desta forma, depende da disponibilidade dos clientes. "O dia que entrei mais cedo foi às 8h e saí mais tarde foi 21h20"

A barbeira rio-pretense começou a carreira há dois anos e se diz feliz com a profissão escolhida. Tudo começou por curiosidade. Ela entrou no ramo ao acompanhar um tio que fez curso de barbeiro em Goiânia (GO). "Eu o acompanhei durante três semanas e me apaixonei."

Para auxiliá-la no trabalho, ela tem inspirações, como a profissional carioca Giliane Coviack e a mineira de Passa Quatro, Samara Izzo. "Sou extremamente apaixonada pelos trabalhos delas e tenho plano de me tornar o que elas são hoje". Coviack já foi jurada do 1º reality de novos barbeiros do Brasil, o The Best Barber Brasil, em 2016, além de mostrar seus cortes em programas de televisão. Já Samara é conhecida pelos seus cortes de cabelo cheios de estilo, como em degradê, desenhos e listras.

Cuidado e precisão

Stefany começa os procedimentos perguntando ao cliente a preferência de corte. O primeiro passo é lavar a barba com shampoo, que também serve como esfoliante para o rosto. Na sequência, realiza massagens, enxágua o local e usa uma toalha.

"Depois preparo a pele para a retirada dos pelos do rosto passando gel e finalizando o corte com a navalha. A seguir, utilizo hidratante, fazendo massagens para estimular o fechamento dos poros do rosto e evitar infecções como a foliculite", diz Stefany, que tem o cuidado de examinar, à distância de dois passos, se o alinhamento - cabelo e barba - está perfeito.

Além de fazer barba, ela também é profissional em corte de cabelos e está sempre se atualizando sobre as novidades da área em que atua. Para isso, fez cursos de especialização e também pensa em continuar com a rotina profissionalmente. Nos planos, não descarta a possibilidade de montar o próprio salão e ganhar novos clientes.

Para acrescentar mais qualificação ao currículo, Stefany vai participar do 1º Congresso Escola da Barba - Formação de Profissionais, que vai acontecer em São Paulo, no dia 26 de março. (Colaborou Nando Silva)

Ofício de barbeira atravessou séculos

O ofício de barbeira remonta há mais de seis séculos. Os primeiros relatos foram registrados na Europa do século 14, época em que os barbeiros faziam pequenas cirurgias - extrações dentárias e retiradas de pequenos nódulos na pele causados principalmente por pelos encravados - e suas esposas os ajudavam, normalmente fazendo a barba e cortando o cabelo dos clientes.

Consta que em Portugal, em 13 de julho de 1870, os profissionais responsáveis pelos salões foram obrigados a fazer uma opção: ou seguiam com o ofício de barbeiro ou como dentistas e cirurgiões. Isso fez com que aumentasse o número de homens dedicados ao trabalho realmente afeito ao seu ofício, e ao mesmo tempo fez com que as mulheres perdessem espaço nas barbearias.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), as mulheres também foram chamadas para cuidar da higiene dos soldados que regressavam do front. Isso incluía, claro, providenciar corte de cabelo e aparar ou raspar barba e bigode.

A queda de um tabu

Historicamente, os homens tiveram sua vaidade reprimida e pesquisadores consideram que as barbearias representam um local onde eles se permitem um momento único dedicado à estética.

Um espaço que aos poucos vai ganhando a presença cada vez maior das mulheres no comando da tesoura e da navalha. Uma mudança de comportamento também ligada à queda de um tabu masculino, haja vista que tornou-se comum homens que recorrem a procedimentos estéticos.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso