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Diário da Região

03/02/2018 - 18h48min / Atualizado 03/02/2018 - 18h48min

Solidariedade

O sonho de uma vida realizado

Grupo católico Vicentinos, de Mirassol, constrói casas para pessoas carentes no projeto Casa Solidária; a terceira residência será entregue no mês de junho para uma família de cinco pessoas

Mara Sousa 1/2/2018 Da esquerda para a direita, Isabel, Alcione, Henrique,  Maria Amâncio e Tatiana, na casa que ganharam
Da esquerda para a direita, Isabel, Alcione, Henrique, Maria Amâncio e Tatiana, na casa que ganharam

O sonho da casa própria é comum a uma grande parte da população que passa anos juntando dinheiro para conseguir realizá-lo. Outra parcela que vive em situação de vulnerabilidade vê a conquista como impossível, mas o grupo católico Vicentinos, de Mirassol, está transformando essa realidade por meio do projeto "Casa Solidária". Eles fazem campanha para construir casas para famílias carentes. Duas já foram construídas nos bairros Vale do Sol, em 2011 e 2015. A terceira, no bairro Karina 3, deve ser entregue em junho.

"Vai mudar nossa vida. Vai facilitar tanto que só de me imaginar morando lá, perco as palavras. Todo casal que forma uma família sonha em ter uma casa, mas para a gente seria impossível. É muita felicidade", afirma Eliene Sena dos Santos Fidélis, 44 anos, que receberá a terceira onde vai morar com o marido Eliamarcio Amâncio Fidélis, conhecido como Mussum, 45, e os filhos João Antonio, 3, Pedro Henrique, 10, e Matheus, 21.

Mussum sofre de trombose e é diabético. Operador de máquinas, ele está empregado, mas teme perder o trabalho devido aos problemas de saúde. O casal ainda enfrenta o enigma das doenças sem diagnósticos dos dois filhos mais novos. A única pista é de que Pedro Henrique tem mal formação e excesso de ferro no cérebro. "Ele já passou por duas cirurgias e está fazendo acompanhamento médico em São Paulo. Mas não se sabe, com certeza o que ele tem. O João está apresentando os mesmos sintomas, mas mais leve", conta Eliene.

A situação de vulnerabilidade é o critério para que a família seja selecionada e contemplada com a doação. As residências, de 107 metros quadrados, são doadas para as famílias, mas ficam no nome da Vila Vicentina. Os beneficiados pagam uma taxa simbólica de R$ 50 mensais, que é convertida na manutenção do imóvel e para pagamento de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

O projeto Casa Solidária surgiu em 2010, quando os voluntários conheceram a família de Alcione Ranolpha da Silva de Moura, 39 anos. A dona de casa morava com o marido, José Carlos da Silva, e cinco filhos, entre eles um cadeirante, em um sítio entre Mirassol e Bálsamo. José Carlos trabalhava como tratorista na propriedade em que moravam e Alcione cuidava dos filhos, Henrique, 20, portador de distrofia muscular, Tainara, 22, João Carlos, 17, Talita, 14 e Tatiana, 5. Eles não pagavam aluguel, mas a casa era precária: as paredes trincadas, não havia laje e molhava os cômodos quando chovia.

Na época, José Carlos enfrentou grave diabetes e precisou amputar uma das pernas, o que dificultou ainda mais a vida da família. Eles se mudaram para a nova casa em janeiro de 2011. José Carlos, que passou por um transplante de rim, morreu dois anos depois em decorrência de complicações da doença.

A família, formada ainda pela avó e bisavó das crianças, Isabel Silva de Moura, 61, e Maria Amâncio da Silva, 89, é só gratidão ao grupo e aos voluntários que proporcionaram uma vida chamada por ela de "digna". "Nunca passou pela minha cabeça que teríamos uma casa. Ganhamos uma vida nova. Agradeço todos os dias a Deus, a eles, por terem me ajudado tanto", disse Alcione, acrescentando que além de não ter mais a preocupação de onde morar com os filhos, de quebra garante a frequência deles na escola. "Quando chovia, nem ônibus chegava e eles faltavam muito. Agora, não".

A segunda família contemplada pela iniciativa foi a de Rosileide Roberta Esteves, 32 anos, que vivia com seus cinco filhos - Erik, 14 anos, Victor, 11 anos, Mozart Junior, 9 anos, Felipe, 8 anos, e Nicolas, 7 anos. O primogênito tem paralisia cerebral e o caçula nasceu com microcefalia. Eles deixaram a pequena casa alugada na periferia de Mirassol para se mudar para o Vale do Sol. "Agora não corremos o risco de ir para rua. O dinheiro que gastava com aluguel agora vai para o mercado", disse Rosileide, que mantem a família com o benefício que recebe do governo para os dois filhos cadeirantes.

Emoção

A iniciativa emociona quem doa e quem recebe. "Na hora em que você entrega a chave você chora junto. É a melhor coisa do mundo ", afirma Roberto Maia, presidente da Sociedadede São Vicente de Paulo, que narra como foi o momento em que as duas primeiras famílias foram beneficiadas. "As duas famílias ficaram naquele sentimento: 'será que é verdade' porque pagando aluguel nunca tiveram um lugar próprio para morar. É um momento muito bacana em que o padre reza uma missa", conta Maia, esclarecendo que quem é beneficiado não é, necessariamente, católico, apesar de os Vicentinos serem um grupo da igreja católica.

Doações

  • A associação precisa de doações. Pode ser em dinheiro ou material de construção Informações pelo telefone (17) 3242-3445.

 

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