Diário da Região

16/02/2018 - 11h27min / Atualizado 16/02/2018 - 11h27min

RIO PRETO

PM vai a Júri por morte de morador de rua

Crime aconteceu em 2014 na Praça da Figueira, na Vila Santa Cruz, em Rio Preto

Guilherme Baffi/Arquivo O PM Alexandre Mendes durante a reconstituição do crime
O PM Alexandre Mendes durante a reconstituição do crime

O policial militar Alexandre Mendes e o entregador Adriano Rocha irão a júri popular ainda neste ano. Eles são suspeitos de envolvimento no assassinato do morador de rua Bruno Alves de Campos, em fevereiro de 2014. O crime aconteceu na praça da Figueira, na Santa Cruz, região central de Rio Preto.

Alexandre e Adriano já tinham sido denunciados em julho do ano passado pelo promotor de Justiça José Heitor dos Santos. O PM é acusado de homicídio qualificado, e ambos por fraude processual, por suspeita de alteração da cena do crime. Após a Justiça aceitar a denúncia, os réus interpuseram recurso pedindo para serem impronunciados, o que foi negado em 31 de janeiro pelo Tribunal de Justiça. Com a decisão, os réus irão a júri popular.

De acordo com José Heitor, depois de atirar contra o morador de rua, Mendes colocou uma faca na mão do morto para tentar forjar a versão de legítima defesa, tendo Adriano como única testemunha. A versão foi desmentida por outras pessoas ouvidas pelo MP, que chegaram logo após no local. Uma delas é a jornalista Joseane Teixeira, que cobriu o homicídio pelo Diário e fez fotos logo após a morte que mostram a ausência da faca.

"O TJ confirmou a sentença, eles vão a júri e vão responder por todos os crimes, que são vários", diz o promotor, que afirma que, um dia antes do crime, Alexandre tinha participado de uma reunião com moradores e comerciantes da Santa Cruz, incomodados com a presença dos moradores de rua na praça. Segundo o promotoria, no dia seguinte, o policial teria ido até a praça para expulsar quatro moradores de rua e até colocou fogo em seus pertencentes, o que configuraria abuso de autoridade.

Bruno teria se recusado a sair da praça e jogou pedras contra Alexandre. O policial correu atrás do morador de rua, atirou para o alto e quando lhe alcançou deu um tiro contra sua cabeça, ainda segundo o MP. Depois, Alexandre foi até uma pizzaria, apesar de estar com o próprio celular, e pediu para usar o aparelho do entregador de pizzas Adriano Rocha. Ao entrar em contato com o Copom relatou o caso como sendo de resistência a prisão. Na sequência, o PM teria colocado uma faca próxima ao cadáver de Bruno.

Na próxima etapa, o caso será repassado para o promotor de Justiça José Marcio Rossetto Leite, que ainda vai receber o processo. A previsão é de que o juri aconteça até dezembro de 2018, mas o cronograma pode ser adiantado.

Outro lado 

Advogado de defesa de Mendes, Wagner Domingos Camilo afirma que ainda não foi comunicado da recusa do recurso no TJ, mas pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal. "Diferente do que acusa o Ministério Público, meu cliente agiu em legítima defesa, apenas se defendeu de ataques. Isto ficou provado em laudos", argumenta.

O advogado de defesa de Adriano, Lucilio Cesar Borges Corvetta da Silva afirma que não pretende recorrer da decisão e alega que seu cliente está sendo acusado injustamente de fraude processual. "A única testemunha dos fatos é o Adriano que presenciou o que aconteceu. As outras testemunhas ouvidas pelo MP chegaram depois dos fatos", diz o advogado.

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