Diário da Região

10/02/2018 - 18h30min / Atualizado 10/02/2018 - 18h30min

É FARRA

O mapa dos furtos em Rio Preto

Nos últimos cinco anos foram registrados quase 15 mil furtos em Rio Preto. Dados obtidos pelo Diário identificam os bairros com maior incidência desse tipo de crime, que tira a paz dos moradores

Marco Antonio dos Santos Aposentado João Leopoldino teve a casa arrombada seis vezes
Aposentado João Leopoldino teve a casa arrombada seis vezes

Rio Preto tem em média 4 furtos a residência por dia, média que sobe para mais de 6 se incluirmos os estabelecimentos comerciais. Dados obtidos pelo Diário da Região por meio da Lei de Acesso à Informação permitem, além de quantificar, traçar o mapa com maior incidência de ocorrências. Centro e Boa Vista são os que mais vezes foram alvos dos criminosos no período entre 2013 e 2017, mas a criminalidade amplia seus tentáculos por todas as regiões da cidade e não por acaso tiram a paz dos moradores.

"Não consigo mais dormir tranquilo", resume João Leopoldino, 68 anos, morador do Jardim das Oliveiras, na zona norte, que teve a casa arrombada quatro vezes nos últimos quatro meses.

À caça de eletrodomésticos, celulares, eletrônicos, roupas, calçados e até alimentos, os ladrões diversificam o quanto podem os itens e os lugares que colocam na mira. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, foram registrados 14.491 furtos nestes cinco anos. Metade dos crimes ocorreu em casas ou apartamentos, somando 7.926 casos. Os estabelecimentos comerciais figuram em seguida, com 3.748 ocorrências. A estatística aponta também 867 furtos de veículos e 428 casos em que os ladrões quebraram o vidro, porta ou porta-malas dos veículos para arrombar e subtrair objetos que estavam em seu interior.

O mapeamento poderia ser ainda mais preciso, mas em 1.965 ocorrências registradas o policial não preencheu o campo do bairro, anotando o endereço como "rural" e informando apenas a rua ou avenida em que o crime ocorreu.

A pena para quem furta é de um a quatro anos de reclusão e multa. Se o ladrão é primário e o objeto furtado é de pequeno valor, o delegado pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. É o que acontece na grande parte dos casos de pessoas que são flagradas com objetos e alimentos de lojas no Centro.

Foi este o desfecho do caso envolvendo duas jovens, de 19 e 21 anos, flagradas em março do ano passado pelo fiscal de um supermercado, no Centro, quando tentavam furtar produtos de limpeza das prateleiras. As suspeitas estavam colocando os itens dentro das sacolas de outras lojas. Além de produtos de limpeza, havia fraldas, alimentos, produtos de higiene e roupas ainda com etiquetas de vendas. Segundo a polícia, as jovens teriam confessado o furto no supermercado e dito ainda que tinham furtado as roupas de duas lojas do Calçadão. As roupas e produtos furtados foram devolvidos aos responsáveis pelos estabelecimentos.

Árdua missão

Chegar à autoria do crimes de furto não é tarefa fácil, de acordo com a Polícia Civil. "É um dos crimes mais difíceis de serem esclarecidos. Isso em qualquer parte do mundo é o que tem o menor índice de esclarecimento porque, na maioria das vezes, o autor não deixa vestígio", disse o delegado Raymundo Cortizo Sobrinho, do Deinter-5.

O delegado argumenta que estes são os chamados crimes de ocasião, quando, por exemplo, as pessoas não estão em casa ou deixam objeto à mostra no veículo. "É difícil a polícia ter uma investigação bem-sucedida nestes casos."

A sensação de impunidade que as vítimas sentem quando é explicada em razão da punição prevista na legislação. "O furto simples é de um a quatro anos (de pena), o que enseja a quem furtou o direito de responder em liberdade, através de pagamento de fiança. O delegado é obrigado a cumprir a lei, ele paga a fiança e vai embora. Se for furto qualificado, a pena é de 4 a 8 anos. Mas a maioria é de furto simples", explica Cortizo, para acrescentar que outro aspecto se refere ao cumprimento da pena. "Mesmo que haja um processo, dificilmente a pessoa acaba cumprindo pena por crime de furto. O juiz aplica uma pena, mas substitui por uma pena alternativa, menos rigorosa. Esse aspecto também não intimida quem furta."

 

Vítimas se refugiam atrás das grades

O dono de loja de suplementos alimentares Marcelo Fabiano de Souza, de 23 anos, sofreu três vezes arrombamentos nos últimos doze meses, em seu estabelecimento que fica na avenida Fortunato Ernesto Vetorasso, zona norte de Rio Preto.

Para se proteger dos ladrões mandou reforçar a porta com mais três cadeados, investiu em câmeras de monitoramento e colocou até grades no forro para evitar invasões pelo telhado.

"Desde quando troquei a porta dos fundos, de madeira por uma de ferro, acabaram os invasões, mas antes disso sofri muito prejuízo e fiquei inseguro", diz o comerciante.

Na mesma avenida, seu vizinho, o comerciante Antonio Ribeiro Esgotti, de 78 anos, tem um histórico de furtos pior. Em um ano, o restaurante popular foi arrombado seis vezes.

Depois de tantos ataques criminosos, Antonio foi obrigado a colocar uma grade de ferro na frente da porta de entrada e aumentar o valor da cobertura do seguro.

"Os arrombamentos sempre acontecem de madrugada. Durante o dia, isto aqui é um paz, mas depois da meia-noite o Vetorasso vira terra de ninguém. Da última vez que entraram aqui levaram R$ 500 do caixa", reclama o comerciante.

Com medo de atrair mais bandidos, o comerciante mantém uma aparência bem simples no restaurante e não deixa nada à mostra que possa despertar a cobiça dos criminosos. Nada de televisor de tela grande. Só um aparelho antigo de tubo.

A precaução dos comerciantes é respaldada em tristes números. Nos últimos cinco anos foram registradas 147 furtos residenciais e comerciais no Jardim Residencial Vetorasso. A região é o terceiro no ranking dos bairros mais atacados pelos ladrões, só perde para o Centro, com 411 furtos, e para Boa Vista com 399 furtos em cinco anos.

Sem dormir

Ter menos furtos registrados pela polícia não é sinônimo de bairro tranquilo. No Jardim das Oliveiras, com 88 furtos registrados em cinco anos, o aposentado João Leopoldino, de 68 anos, teve a casa arrombada quatro vezes, nos últimos quatro meses. Para evitar mais visitas indesejáveis de criminosos, a residência parece uma prisão. Grades, muros altos, cerca elétrica e câmeras.

Com medo, João hesitou em abrir a porta para atender a reportagem, espiou antes pela janela e só aceitou dar entrevista por de trás dos portão.

"A última vez que entraram na minha casa furtaram um televisor de tela grande, mas acho levaram meu sossego junto. Não consigo mais dormir tranquilo como antes. Qualquer barulhinho, eu acordo assustado", reclama o aposentado.

Sua vizinha, Márcia Sousa, 20 anos, que nunca teve a casa arrombada, também compartilha do mesmo receio. Na casa em que mora com os pais a regra é nunca deixar a residência sem ninguém em nenhum momento do dia.

"Isso é ruim, porque raramente a gente sai para passear com a família toda. Tenho medo de retornar e encontrar as portas arrebentadas.

Morador do Eldorado, o eletricista Jamau Pessoa Molina, 44 anos, teve a casa arrombada duas vezes em 2017. Os ataques foram durante o dia e o prejuízo soma R$ 30 mil em eletroeletrônicos, como televisores e micro-ondas.

"O seguro que contratei pagou no máximo até R$ 10 mil. O restante do prejuízo tive de arcar sozinho. Para me proteger já gastei R$ 2 mil em cerca elétrica, fechaduras reforçadas e mandei colocar umas dez câmeras."

Ter a casa furtada tantas vezes causou traumas na família de Jamau. Por um aplicativo do celular, a mulher dele, que trabalha fora, viu recentemente um homem entrar em casa de dia. Com tanto medo de ladrão, não reconheceu que era o próprio chegando mais cedo em casa.

"Tive de tranquilizar minha mulher dizendo que era eu. Fiz gestos para câmera. A coitada está assustada."

 

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