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Diário da Região

06/02/2018 - 11h34min / Atualizado 06/02/2018 - 11h34min

PM versus PC

Delegados pedem investigação de áudio com críticas à Polícia Civil

Homem defende policial militar que matou perito criminal e critica atuação dos delegados da Central de Flagrante

Mara Sousa 3/2/2017 Jairo Garcia Pereira é delegado da Central de Flagrantes de Rio Preto
Jairo Garcia Pereira é delegado da Central de Flagrantes de Rio Preto

Um áudio de um policial militar está circulando em grupos de Whatsapp com crítica a atuação do delegado Jairo Garcia Pereira que determinou a prisão o policial militar Luis Fragoso que matou o perito criminal Eduardo Teixeira Moreno em uma troca de tiros em um bar no dia 3 de fevereiro.

No áudio, o homem diz que o delegado de plantão errou ao determinar a prisão de Fragoso, com alegação de que ele teria agido em legítima defesa ao revidar os tiros efetuados por Eduardo.

"O delegado aqui do plantão fritou o mike( policial militar) no 121 (artigo do Código Penal para homicídio). Ai não interessa se é 121 simples ou qualificado. Pra começar está tudo errado. Não tinha nem que fritar o mike. Se fosse um paisano, tinha feito em legítima defesa. Mas como é a **** de um charlie (policial civil), os caras ficam aí. Este plantão de Rio Preto sempre foi um lixo. Sempre. Todos estes charlies do plantão odeiam mike", trecho do audio.

No restante do aúdio, o suposto policial militar critica autuação dos delegados de plantão, dizendo que eles dificultam o registro das ocorrências na Central de Flagrantes. Nem o comando da PM na cidade é poupado no áudio.

"A culpa é de quem? É culpa do comando da PM de Rio Preto. Os caras não tomam atitude. Deixa os caras estar folgando em cima de mike. Aí, depois que o bagulho toma as proporções que é lá em São Paulo, que os mikes vai pras cabeças, aí nego quer tomar atitude. Patifaria", trecho do áudio.

Os cinco delegados da Central de Flagrantes de Rio Preto vão entregar nesta terça-feira um ofício ao delegado seccional José Mauro Venturelli pedindo investigação de um áudio.

O comando da PM em São Paulo ainda não se manifestou sobre o caso, ams solicitou cópia do áudio.

Trabalho foi isento, diz delegado

O delegado do plantão Jairo Garcia Pereira diz que agiu com isenção na prisão do policial militar Luis Fragoso autor dos disparos que mataram o auxiliar de necrópsia Eduardo Texeira Moreno, numa troca de tiros, em 3 de fevereiro, numa lanchonete na avenida Murchid Homsi, em Rio Preto.

"Eu sempre cumpro o que está na lei. Também prenderia agiria da mesma forma se fosse um policial civil que tivesse matado um policial militar. Não tem como ser diferente" argumenta delegado.

Jairo recorda que na madrugada no dia 3 estiveram na Central de Flagrantes, tenentes, capitães e até o coronel Paulo Sérgio Martins para acompanhar a prisão de Fragoso, mas nenhum deles fizeram pressão na elaboração do boletim de ocorrência.

"Eu fui até o local do crime, acompanhado de investigadores, ouvimos as versões das testemunhas. De agora para frente, será o trabalho da investigação e do resultado dos laudos periciais para determinar o que aconteceu no local", explica o delegado.

Quanto a critica sobre atuação dos delegados da Central de Flagrantes, Jairo afirma que ele e outros delegados não têm nada contra os policiais militares.

"Informalmente falei com oficiais da PM e eles desconhecem quem fez áudio, mas de qualquer forma queremos que seja descoberto quem falou, por isto, fizemos este documento direcionado para o delegado seccional", conclui o delegado.

Outro lado

O comando da Polícia Militar de Rio Preto não se manifestou sobre o caso, mas pediu cópia do áudio.

Bancário vai ter alta na semana que vem

O bancário Fábio Renato da Silva, de 48 anos, baleado durante a troca de tiro entre o auxiliar de necrópsia Eduardo Teixeira Moreno e o policial militar Luis Fragoso continua internado no Hospital de Base e deve ter alta médica apenas na semana que vem.

Ainda internado para recuperação dos ferimentos causados pelos dois tiros, no peito de raspão e no pé direito, disparados por Eduardo, Fábio prestou depoimento para os investigadores da DIG que apuram o caso.

"O que posso dizer é que foi lamentável tudo que aconteceu. A atitude dele (Eduardo) foi muito agressiva. Devo louvar a atitude do pm que acabou salvando minha vida. Afinal de contas, eu levei os tiros desarmado e quando estava caído no chão. Fui chutado por ele. ", afirma o bancário

Segundo Fábio, tudo começou quando Eduardo chegou no bar bravo porque tinha um carro estacionado na frente da garagem da casa dele.

"Fui pedir para que ele maneirasse, porque no bar só tinham famílias. Nós não estávamos fazendo nada para ele. Foi aí que ele se voltou contra mim. O policial que atirou é meu amigo. Estávamos todos juntos no bar. Se ele não fosse rápido com certeza eu não estaria vivo"

Transcrição do áudio enviado pelo suposto policial militar

"Ah, meu, o delegado aqui do plantão fritou o mike no 121. Aí não interessa se é 121 simples ou qualificado. Pra começar está tudo errado. Não tinha nem que fritar o mike. Se fosse um paisana, tinha feito em legítima defesa. Mas como é a **** de um charlie, os caras ficam aí. Este plantão de Rio Preto sempre foi um lixo. Sempre. Todos estes charlies do plantão odeiam mike. A maioria.

A minoria é pelos mike. Os delegados do plantão só prejudicam. Você leva ocorrência, eles ficam caçando pelo. A culpa é de quem? É culpa do comando da PM de Rio Preto. Os caras não tomam atitude. Deixam os caras estar folgando em cima de mike. Aí, depois que o bagulho toma as proporções que é lá em São Paulo, que os mikes vão pras cabeças, aí nego quer tomar atitude. Patifaria. Agora vai o mike gastando dinheiro com advogado, gastando dinheiro com habeas corpus, se o juiz não liberar ele na custódia, por causa de safadeza de delegado".

Glossário

  • Mike - Polícia Militar
  • Charlie - Policial Civil
  • 121 - Artigo do Código Penal para homicídio

 

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