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Diário da Região

01/02/2018 - 21h59min / Atualizado 01/02/2018 - 21h59min

JUSTIÇA

Grupo tem bens bloqueados por extorsão

Eles são acusados de extorquir R$ 124 mil e uma caminhonete da mulher de um traficante

Reprodução acusados de extorquir R$ 124 mil
acusados de extorquir R$ 124 mil

A juíza da 2ª Vara da Fazenda, Tatiana Pereira Viana Santos, decretou em liminar a indisponibilidade das contas bancárias e o bloqueio dos bens em até R$ 123 mil de sete pessoas, incluindo dois investigadores da Polícia Civil, acusados de sequestrar e extorquir a mulher de um traficante. O grupo, que é acusado de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, é alvo de ação civil pública proposta pelo Ministério Público.

Por ordem da Justiça, foram bloqueados bens e dinheiro dos investigadores Devair de Souza Júnior, conhecido por Batata, Gilberto Donizete Gonzaga, conhecido como Giba, dos detetives particulares Paulo Henrique dos Santos e Rodrigo José de Araújo, do advogado Luciano Ferrarezi do Prado, da promotora de venda Priscila de Carvalho Gomes e da auxiliar administrativa Ludmilla Thuainy dos Santos.

O marido da mulher extorquida, um empresário de Rio Preto do ramo de comercialização de materiais recicláveis, foi preso em 2015, em Jundiaí, com um caminhão carregado com 1,5 toneladas de maconha. Após a prisão, sumiu do barracão dele um carregamento de 500 quilos da droga.

Segundo investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), parte do bando atraiu a mulher do traficante com a ideia de que tinha recuperado o carregamento de droga desaparecido, mas quando ela fazia a negociação foi pega num falso flagrante armado pelos investigadores e os dois detetives. Por meio de ameaça de prisão em flagrante e até sequestro, eles conseguiram fazê-la entregar R$ 124 mil, mais uma caminhonete. Cansada das ameaças, a mulher denunciou o caso para os promotores do Gaeco.

Acusados de extorquir R$ 124 mil (clique na imagem para ampliar)  (Foto: Reprodução)

A ação de bloqueio de bens foi proposta pelo promotor de Justiça Carlos Romani com base em representação do Gaeco que apontou a existência de crimes de extorsão mediante sequestro, extorsão circunstanciada, lavagem de dinheiro e organização criminosa que teriam sido praticados pelo policiais civis e terceiros.

Romani pede à Justiça que os integrantes do grupo façam o ressarcimento integral do dano, percam os bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, percam a função pública (no caso dos policiais). Além disso, pede a suspensão dos direitos políticos por até dez anos, o pagamento, por cada um, de multa civil que corresponde a R$ 369 mil cada - e a proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo de 10 anos.

"É caso de deferimento parcial da liminar, por estarem presentes os requisitos legais, evitando-se eventual perdimento dos valores imputados como apropriados indevidamente", consta no despacho da juíza com base em declarações da vítima do crime de extorsão, extrato bancário e documentos indicando os saques e o cheque compensado. "Tudo a indicar que realmente ocorreram as transações bancárias, demonstrando, nesta fase processual, eventual pagamento da extorsão sofrida, de forma que, em cognição sumária, própria dessa fase, há elementos probatórios que corroboram as alegações da inicial".

De acordo com a juíza, há indícios da prática do ato de improbidade administrativa para deferir o pedido de liminar, já que ficou "demonstrada nesta fase o dano causado à vítima". Tatiana justifica sua decisão sob o argumento de que pode ocorrer eventual "dilapidação do patrimônio" dos acusados. Ela determinou ainda que todos os acusados sejam notificados para apresentação de defesa prévia no período de 15 dias, sendo que foram expedidas cartas precatórios em nome de Devair, Gilberto, Paulo e Rodrigo.

Quatro deles estão presos

Com autorização judicial, todos os membros do grupo foram monitorados e o Ministério Público pediu a prisão de todos os envolvidos na operação Pirandello, iniciada em 27 de julho.

Os investigadores da Polícia Civil Devair de Souza Júnior e Gilberto Donizete Gonzaga estão presos na Penitenciária da Polícia Civil, em São Paulo. Os detetives particulares Paulo Henrique dos Santos e Rodrigo José de Araújo estão presos na Penitenciária de Andradina.

Já o advogado Luciano Ferrarezi do Prado, a promotora de venda Priscila de Carvalho Gomes e a auxiliar administrativa Ludmilla Thuainy dos Santos respondem em liberdade.

A reportagem procurou o escritório de advogacia que defende Devair, mas a defesa disse que não irá se manifestar porque o processo corre em segredo de Justiça. O advogado Luciano diz que ainda não foi comunicado desta decisão.

Os advogados de Gilberto, Paulo, Rodrigo, Priscila e Ludmilla não foram encontrados para comentar os casos.

 

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