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Diário da Região

01/02/2018 - 22h11min / Atualizado 01/02/2018 - 22h11min

101 anos

Joaquim perdeu o cartão, a senha e a paz

Aos 101 anos e lúcido, ele tenta reaver as economias - R$ 7,1 mil - que foram furtadas de sua conta bancária após sumiço do cartão e da senha

Mara Sousa 1/2/2018 Joaquim Antonio Rodrigues, 101 anos, mora sozinho: dinheiro era guardado para momento de necessidade
Joaquim Antonio Rodrigues, 101 anos, mora sozinho: dinheiro era guardado para momento de necessidade

Após ouvir chamar seu nome no portão por três vezes, Joaquim Antonio Rodrigues, 101 anos, aparece na porta e pergunta: "Por que não tocaram a campainha?". Portador de dificuldades auditivas, mas lúcido, saudável e com a expectativa de viver "mais uns 15 anos", ele teve todas as suas economias furtadas de sua conta bancária - R$ 7.109,00.

O aposentado, assim como muitos idosos, guardava o cartão junto com um papelzinho com a senha anotada. Ambos sumiram. Ele notou o furto na conta um mês depois, em abril do ano passado, quando foi sacar parte de sua aposentadoria. Quase um ano após registrar o boletim de ocorrência, nenhuma providência foi tomada.

Joaquim, então, procurou a Defensoria Pública na última terça-feira, dia 30. Ele quer que o caso seja investigado e que, ao identificar quem realizou os saques, possa reaver seu dinheiro. O homem simples conta que por boa parte de sua vida deixou o dinheiro guardado em casa e só passou a deixar na conta bancária após ter sua casa invadida por bandidos. "Entraram aqui, reviraram tudo, nada ficou no lugar, mas não acharam o dinheiro. Meus filhos quiseram que colocasse o dinheiro no banco, agora perdi tudo que tinha".

O dinheiro furtado era economia da aposentadoria de um salário mínimo que ganha mensalmente. "Era para um momento de 'precisão'. Se precisasse comprar um remédio, alguma coisa cara", diz Joaquim, que orgulhoso conta que toma "só dois remédios por dia, um para a urina e outro para o reumatismo. Eu também tenho dor, às vezes, na clavícula (esquerda). Mas do jeito que eu estou, com saúde, forte, vou durar ainda uns 10, 15 anos".

A vitalidade do aposentado é comprovada com a independência com que vive. Apesar de o filho mais novo, Adão José Rodrigues, 62 anos, e a nora diariamente darem suporte, ele mora sozinho. O casal vai até a casa do idoso para ver como ele está e limpar o imóvel. Ele sempre sacou sua aposentadoria em um banco, próximo à casa dele. "Vou a pé. São 14 quarteirões daqui. O bom que já faço exercícios. Acabei de vir de lá agora pouco", diz. Joaquim conta que gosta de cuidar da sua casa. "A faxina pesada minha nora que faz e passa a roupa. Lavar eu que lavo porque, hoje em dia, é só colocar na máquina. E olha como a minha casa está limpinha, eu cuido muito bem".

Joaquim foi casado por 46 anos com a primeira mulher, com quem teve 10 filhos. Destes, cinco estão vivos. Depois da morte da mulher, teve um relacionamento, que não deu certo. Quando o assunto é qual foi sua profissão, ele se enche de satisfação para enumerar: "Comecei como retireiro, depois fiz de tudo, fui carreiro, motorista, marceneiro, ferreiro, pedreiro, churrasqueiro. Olha, devo ter esquecido de algum serviço aí", fala e cai na risada.

Providências

Joaquim foi orientado por um vizinho, policial aposentado, a procurar a Defensoria Pública. Adão lamenta o fato de, passados nove meses, a Polícia Civil não ter dado início à investigação. "Polícia é muito enrolada mesmo e como é pouco dinheiro não fizeram nada. Meu pai quer esse dinheiro de qualquer jeito."

O defensor público Júlio Tanone enviou um ofício para o 1° Distrito Policial. "Em maio ele fez o B.O. (Boletim de Ocorrência) e não tem notícias de providências investigatórias. Com imagens de câmeras de segurança do banco, no dia e horário dos saques e transferências, é possível ter acesso a quem furtou. O oficio é para que seja apurada a autoria."

Nenhum delegado do 1°DP atendeu as ligações da reportagem para falar sobre o assunto nesta quinta-feira, 1º.

 

Segurança

Cuidados com o seu cartão bancário para evitar transtornos:

  • Nunca guarde o cartão juntamente com o número da senha
  • Não escolha senhas baseadas em combinações sequenciais fáceis como 123456, abcdef, abc123
  • Evite colocar data de nascimento como senha de cartões e contas bancárias
  • Não compartilhe a senha com terceiros para não esquecer. Lembre-se que a senha é pessoal e intransferível.
  • Nunca aceite ajuda de estranhos ao acessar caixas eletrônicos
  • Quando seu cartão for perdido, furtado ou roubado, comunique o fato imediatamente à agência. Assim você ajudará a prevenir uso indevido

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