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Diário da Região

26/02/2018 - 23h17min / Atualizado 26/02/2018 - 23h18min

Eu no Mundo

Valter deixou a publicidade em Rio Preto para ser tatuador na Austrália

Publicitário largou a carreira em Rio Preto para se mudar para Sidney, na Austrália, onde teve uma filha e investiu no sonho de ser tatuador profissional - abriu o próprio estúdio no ano passado

Reprodução Valter Taves Parisi com a filha Maya. Ele mora em Sidney desde 2009
Valter Taves Parisi com a filha Maya. Ele mora em Sidney desde 2009

Aos 16 anos, o rio-pretense Valter Taves Parisi descobriu que queria ser tatuador. Mas só conseguiu realizar o sonho quando largou tudo em Rio Preto e se mudou para a Austrália, em 2009. Hoje, aos 32 anos, é um dos tatuadores mais requisitados de Sidney. No ano passado, abriu o próprio estúdio.

"É o primeiro estúdio tattoo shop, barbearia e loja de skate, com marcas e roupas brasileiras. Era só para ser estúdio, mas no meio da ideia incorporei a barbearia, porque percebi que não tinha em Sidney", diz Valter, que posta os trabalhos nas redes sociais pelo Instagram (@valterror e @inkedfishtattoo).

A empresa fica em Narrabeen, uma península em área nobre de Sidney, e Valter tem sociedade com o também rio-pretense Bruno Saldanha Oliveira. "Foi o primeiro a chegar na Austrália. Hoje tem uns dez da nossa turma. Ele era contador de uma multinacional e no meio do caminho virou meu sócio. Nunca pensamos em trabalhar juntos. Mas ele gostou da ideia e abraçou."

Antes de conseguir o próprio negócio, Valter teve que "ralar" bastante. No Brasil, formou-se em publicidade e propaganda e trabalhou na equipe de criação de uma agência local. Mas sempre pensava em apostar na carreira de tatuador. "Fazia algumas coisas na precariedade, não tinha condições de comprar nada. Em Rio Preto é difícil, todo mundo é DJ ou tatuador. Não existe lugar no mundo onde tenha tanto quanto aí."

Em 2009, era desenhista de um loja de roupas e passava de oito a 12 horas em frente ao computador. Em abril, desistiu de tudo e partiu para a Austrália. Morou por dois meses na sala de uma casa, com outros quatro rio-pretenses. "Achava que sabia inglês, mas fui pedir um hambúrguer e não consegui."

Para se virar, fez todo tipo de trabalho. Cavou buracos em obras, entrou em sótãos para acabar com insolação, arrancou adesivos em casas com placas de vende-se ou aluga-se. "Ganhava 100 dólares por dia e achava que estava no céu," diz Valter, que morava no Jardim Walkiria em Rio Preto. "Pessoal vê foto no Facebook e acha que é tudo lindo, mas tem muitas dificuldades."

Depois de nove meses no país da Oceania, Valter foi em busca de emprego na área de tatuagem. Tomou muitos "nãos" até achar um estúdio perto de sua casa que precisava de um tatuador. Fez teste e passou. "Daí aprendi tudo o que sei, na prática, trabalhando. Fiquei oito anos e meio lá."

Família

Valter foi sozinho para Sidney, onde conheceu uma brasileira. Moraram juntos por dois anos e acabaram se separando. Tiveram uma filha, Maya, hoje com 6 anos. Elas chegaram a ir para o Brasil, mas retornaram para a Austrália. "Moramos perto e minha filha até corrige meu sotaque. Fala inglês e português."

O rio-pretense elogia o respeito que sente na terra dos cangurus. Diz que ninguém é julgado pelo que usa ou pelo que tem. "Você vê médico jantando com pedreiro. São amigos pelo que são não pelo que têm. Todo mundo é educado e respeita o espaço do outro, ninguém fura fila."

Apesar de sentir falta dos amigos e familiares e de barzinhos com mesas nas calçadas e música ao vivo, o rio-pretense não pretende voltar a viver na terra natal. "Para mim, o maior problema do Brasil é a falta de educação. Fico nervoso toda vez que visito."

A natureza

Ele também ressalta a paixão pela natureza dos australianos. As ruas são limpas e dificilmente se derruba árvores para construir algo - criam um projeto que abraça a árvore. Com muitas e exuberantes praias, a população pratica todo tipo de esporte e ninguém fica em casa. "No meu bairro todo mundo é saudável."

A natureza também prega algumas peças. Durante a entrevista, via ligação pelo WhatsApp, Valter teve de parar por um momento para cuidar de um visitante nada agradável: uma aranha de cerca de 15 centímetros apareceu na casa dele. "É comum acontecer. Não era venenosa," diz. Ele gosta de aventuras. "Já fui nadar em alguns lugares com água-viva, que é preciso usar roupa especial."

Sidney, Austrália

Continente: Oceania

Habitantes: 4 milhões

Brasileiros no país: 37.310

Distância até Rio Preto: 13,5 mil km

Fuso horário: está 14 horas à frente

Curiosidades

Sidney é a cidade mais populosa da Austrália, mas um terço da população é composto por imigrantes. Por isso é possível conviver com diversas culturas em um só lugar.

A política contra a ingestão de bebidas alcoólicas em vias públicas é rígida. É proibido o consumo mesmo em praias e praças.

Os parques têm churrasqueiras a gás disponíveis para uso dos moradores.

conhecer:

O Harbour Bridge, um dos principais pontos turísticos da cidade. O passeio todo dura cerca de 3 horas.

provar:

A costelinha ao molho barbecue, um dos pratos mais populares no país.

O filé de atum grelhado. O peixe acompanha tomates, cebola e manjericão.

 

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