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Diário da Região

24/02/2018 - 00h30min / Atualizado 23/02/2018 - 22h49min

MONTE APRAZÍVEL

Processo administrativo absolve professor

Educador foi acusado de falar de sexo em aula com crianças de 6 anos

Ilustração: Aícro Júnior/Arquivo

Afastado após acusação de ter abordado educação sexual com alunos do primeiro ano do ensino fundamental - crianças de 6 anos -, um professor de 48 anos foi absolvido em processo administrativo da prefeitura de Monte Aprazível. Ele foi retirado da função em agosto do ano passado e a absolvição saiu nesta quinta-feira, 22.

"Vivi quatro meses de angústia em casa. Fui difamado, perseguido, por algo que não fiz", desabafa o professor, que lecionava em escola do distrito de Engenheiro Balduíno e agora está dando aulas em unidade de outra cidade. Ele é celetista e o contrato com a escola do distrito de Monte Aprazível acabou em dezembro de 2017.

O professor foi acusado de falar de assuntos relacionados a sexo e de exibir filme com a mesma temática. Um grupo de sete mães procurou a direção da escola para denunciar o caso. As mães também acusam o professor de gravar vídeo de uma criança chorando e mostrar para o restante da classe, como uma forma de punição, o que para elas é uma forma de humilhação dos filhos. Ele afirma que em momento algum deu aula sobre educação sexual e nega ter feito ou exibido vídeos.

De acordo com o professor, ele foi incitado por um aluno que o indagou sobre homossexualidade. "O aluno disse que viu um casal de homens se beijando na TV e disse: 'mas eles têm filho. Isso pode?' Eu abordei o tema discriminação e disse que hoje pode. Se duas pessoas do mesmo sexo podem casar, então podem (ter filho). Em todos os canais de TV passa. Duas semanas depois, os pais foram na direção".

O educador diz, que dias antes, o mesmo aluno havia falado palavras de racismo contra outro estudante e que ele o corrigiu. "Tudo começou porque eu fiz a chamada e, ao chamar o nome de um aluno, o menino respondeu: 'esse preto fedido não vai vir mais'. O menino fez um comentário preconceituoso e eu intervi".

Para o professor, o grupo de pais estava o perseguindo. "Eles não aceitavam o fato de um professor homem na classe e estavam procurando pretexto para me tirarem da escola. Eu, desde o começo, fui tentar mostrar o que aprendi na faculdade", diz. "Hoje eu penso duas vezes antes de falar algo com um aluno. É por isso que a gente vê muitos professores serem rudes. As crianças não têm essa malícia. Falta amor dos pais".

O advogado do professor, Elcio Padovez, afirma que a conduta do cliente foi pautada por limites legais. "Toda a orientação do professor está de acordo com o MEC, com a Secretaria de Educação de Monte Aprazível, Secretaria do Estado de São Paulo, tanto que ele foi absolvido", diz o advogado, ressaltando que "é preciso defender o respeito à diversidade".

Agora, o professor afirma que irá mover um processo contra os pais e os dirigentes da escola por injúria e difamação, pleiteando danos morais. "Sofri muito, chorei muito. Deixei meu salário na mão do advogado, preciso reparar isso e o quanto fui humilhado".

 

Explicações recomendadas para cada faixa etária

Até 6 anos

  • Ensinar as diferenças anatômicas entre os órgãos sexuais do homem e da mulher com uso de material didático como bonecos

7 a 11 anos

  • Explicar como acontece a concepção dos bebês
  • Não estabelecer brincadeiras separadas para meninos e meninas para não estimular o preconceito sexual

12 anos

  • Início da puberdade, começar a falar sobre métodos anticoncepcionais, gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis

 

Mães não concordam

Uma das mães do grupo que fez a denúncia contra o professor afirma que irá processar o docente. Na ocasião, elas procuraram a direção da escola municipal denunciando que o professor teria explicado às crianças como acontece o sexo entre homem e mulher e que é possível também o ato sexual entre pessoas do mesmo gênero.

As mães dizem que já esperavam a absolvição do professor no processo administrativo. "A gente sabia que na prefeitura não ia virar nada. Você acha que a prefeitura ia ficar contra o professor? A nossa esperança, agora, é o Fórum. O que ele falou para as crianças é coisa absurda, nem quero repetir."

Procurado, o coordenador da rede municipal de ensino, Pedro Poloto, não quis comentar a absolvição. Ele se limitou a dizer que "o professor foi absolvido, eu não participei (do processo), não tenho o que dizer". Ele afirmou que o departamento jurídico da prefeitura responderia através de nota por e-mail, mas até o fechamento desta edição o comunicado não foi enviado. (TP)

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