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Diário da Região

10/01/2018 - 18h36min / Atualizado 15/01/2018 - 09h39min

SAÚDE

Nova geração de aparelhos de audição aliam moda, saúde, bem-estar e tecnologia

Aparelhos auditivos agora também podem ser coloridos e de formatos diferentes; uma opção "cool" entre usuários

Johnny Torres 6/1/2018 Paulo Henrique é deficiente auditivo  e usa aparelhos hi-tec para auxiliar no dia a dia
Paulo Henrique é deficiente auditivo e usa aparelhos hi-tec para auxiliar no dia a dia

A vida moderna está cada vez mais agitada. E barulhenta. Mesmo sem saber você pode estar sendo vítimas dos males causados pelo barulho do dia a dia, uma vez que enfrentas altos ruídos em toda a parte, seja no trânsito, em boates, ao usar fones de ouvido para ouvir música, em algumas atividades profissionais e até mesmo dentro de casa, ao utilizar o secador de cabelos, o liquidificador, o aspirador de pó, ou simplesmente assistir TV ou ligar aparelhos de som em alto volume. A exposição contínua a sons acima de 85 decibéis sem nenhuma proteção auditiva pode causar, ao longo dos anos, perda de audição irreversível, de acordo com a predisposição de cada indivíduo. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia, 30% a 35% das perdas de audição são consequência da exposição a ruídos diários.

No Brasil, os problemas auditivos atingem pelo menos 5,1% da população (9,7 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE de 2010), e alguns casos poderiam ser evitados. Aproximadamente 360 milhões de pessoas no mundo sofrem com algum tipo de perda auditiva incapacitante, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os principais sintomas da perda auditiva estão zumbido constante, cefaleia, tontura, irritabilidade e desconforto com sons intensos, que podem ser acompanhados por perda da capacidade de entender conversas com ruídos ao fundo, dificuldade em identificar de onde os sons estão vindo e de acompanhar conversas em grupo.

A boa notícia é que os preconceitos estão dando lugar à qualidade de vida, mas sem esquecer da estética. Seguindo o mesmo caminho dos óculos, que antes causavam constrangimento e agora são acessórios de moda, os aparelhos auditivos estão renovando seu estilo. Pessoas que têm perda auditiva não contavam, há até bem pouco tempo, com opções de aparelhos que alinhassem saúde e estética, mas isso acabou. Os aparelhos auditivos agora também podem ser coloridos e de formatos diferentes; uma opção "cool" entre usuários que aliam moda, saúde e bem-estar.

Perda auditiva nas faixas etárias

Crianças - Cerca de um a três bebês de cada 1000 recém-nascidos tem perda auditiva. Na pesquisa realizada pela Med-El, empresa austríaca de soluções auditivas, em relação aos sintomas, 48% dos entrevistados afirmou reconhecer os sintomas em crianças. No caso delas, os sinais mais frequentes de dano auditivo são comportamentais como busca de contato visual para se comunicar e isolamento. Quando a criança não responde a sons fortes ou não consegue identificar de onde vêm sons e vozes; não segue instruções ou as segue de maneira incorreta; não tem desenvolvimento da fala além de balbucios; não responde às vozes ou apresenta comportamento agressivo ou de frustração, é preciso atenção. Pode ser que já apresente um quadro de perda auditiva e precise do acompanhamento de um especialista. O problema pode ser detectado por meio de um exame, realizado inclusive em recém-nascidos.

Jovens/adultos - Segundo a OMS, cerca de 1 bilhão de jovens em todo o mundo correm o risco de perder a audição em função do hábito de ouvir música em alto volume. Em países desenvolvidos, a situação é tão grave que mais de 43 milhões de pessoas, entre 12 e 35 anos, já sofrem de surdez incapacitante. A OMS estima que 50% de pessoas nessa faixa etária está exposta a riscos pelo uso excessivo de fones de ouvido e 40% pelos altos níveis de ruído em casas noturnas e bares. A pesquisa realizada pela Med-El apontou que 54% dos entrevistados, na faixa entre 18 e 25 anos, se submetem voluntariamente a situações de sons altos por mais de quatro horas/dia em suas atividades de lazer e 34% ficam mais de oito horas com fone de ouvido no volume alto.

Idosos - O envelhecimento pode, naturalmente, desencadear a perda auditiva. Quando acomete o idoso, pode trazer isolamento, frustração, depressão, entre outros problemas psicológicos. É comum caracterizar pessoas nessa faixa etária como confusas ou distraídas, no entanto, é possível que esses pontos sejam apenas reflexos da perda auditiva, que causa grande impacto sobre a qualidade de vida desse público. Com o envelhecimento da população, o quadro é cada vez mais preocupante. De acordo com a pesquisa realizada pela Med-El, a falta de prevenção tem índice elevado na terceira idade (62%).

 

Inovações auditivas

Xô, pilha - Algumas versões oferecem 24 horas ininterruptas de audição com apenas três horas de carga. Se você estiver com pressa, tem a opção da recarga rápida de 30 minutos, que oferece até seis horas de uso imediato.

Hiperconectados - Alguns modelos já contam com um microfone ultrassensível que, se instalado na lapela de um palestrante, por exemplo, manda o som direto

Quase invisíveis - Esses dispositivos são indicados para perdas auditivas entre leves e moderadas. Alguns são muito pequenos e bem discretos. A desvantagem é que o alcance costuma ser inferior ao dos modelos tradicionais.

Debaixo d'água - Alguns modelos já permitem mergulhos de até um metro de profundidade durante 30 minutos. Você ainda pode ouvir música enquanto nada.

Sob medida - Já são usadas impressoras 3D para produzir moldes para aparelhos que ficam dentro do ouvido. Proporcionam mais conforto, mas não reduzem gastos

 

Os graus da perda de audição

Leve - a pessoa até interage em um bate-papo entre amigos, mas tem dificuldade para decifrar cochichos, por exemplo.

Moderada - não se consegue falar ao telefone ou assistir à televisão sem aumentar o volume do aparelho.

Severa - é impossível manter uma conversa em tom normal (60 dB). O indivíduo só consegue escutar ou se faz entender em volume bem alto.

Profunda - a pessoa escuta apenas ruídos estridentes como os de buzina, de britadeira ou aparelho de MP3 no volume máximo (entre 110 e 130 dB).

 

Mudança sentida ao longo dos anos

Paulo Henrique Capuzzo, 43 anos, formado em tecnologia em processamento de dados nasceu com uma deficiência auditiva que foi descoberta pelos pais por volta dos três anos de dados e, após a evolução nesse mercado de aparelhos, é um dos que se beneficia da tecnologia. Os pais descobriram o problema quando ele tinha aproximadamente três anos e começou usar aparelho por volta dos seis anos. "Eu era criança eu usava aparelho tipo walkman, o fio passava no meu peito igual fone de ouvido. Na escola olhavam meu aparelho e achavam estranho. Ficava incomodado porque todos me olhavam e parei de usar", conta. Após alguns anos, o pai comprou outro aparelho grande (colocava atrás da orelha, sem fio). Na época era o mais sofisticado e também usou por pouco tempo devido ao preconceito, sempre saia com aparelho e me sentia mal devido as pessoas me olhando. O pai comprou outro aparelho invisível e não conseguia ouvir porque era muito baixo.

Antigamente mesmo com aparelho, ele tinha que deixar o som da TV muito alto, o que atrapalhava as pessoas ao redor e ele não entendia que as pessoas conversavam. A fonoaudióloga Lívia Arut escolheu então para ele um modelo de aparelho auditivo de tecnologia avançada com conectividade com telefone celular, controle remoto e televisão. "Hoje eu vejo que realmente houve uma grande evolução nos aparelhos, melhorou muito. Com o aparelho consigo usar Iphone com bluetooth, posso ouvir músicas, ir ao cinema e consigo ouvir as pessoas falando", explica. O aparelho escolhido é pequeno, preto, da cor do cabelo e fica escondido atrás da orelha, o que para ele é mais tranquilo.

Telefones conectados

Mas não é só a estética que foi planejada. A tecnologia também tem sido uma grande aliada dos usuários de aparelhos auditivos. Das antiquadas trombetas auditivas, espécie de funil que eram encaixados no ouvido para amplificar o som e normalmente aparece em filmes e desenhos antigos, e dos modelos fixos, que eram enormes e chamavam muita atenção em público, até hoje, muita coisa mudou. Atualmente esses dispositivos ficaram mais arrojados e utilizam alta tecnologia. São dispositivos tão pequenos que desaparecem na mão do usuário. São versões com baterias mais duradouras e modelos que se conectam à internet e outras plataformas.
Com ambientes e usuários cada vez mais interconectados, os aparelhos auditivos desta nova geração possuem conexões sem fio e dispositivos externos que permitem a comunicação com celulares, tablets e smart TVs e controle de programas e ajustes de volume. Um programa, por exemplo, pode detectar a proximidade do aparelho com o telefone e, a partir daí, possibilitar uma conversa mais clara e audível.
“Atualmente, os aparelhos auditivos são muito discretos e com isso não estigmatizam seus usuários. Além disso, os aparelhos trazem tecnologias como a possibilidade de conexão direta com celulares, permitindo aos surdos se conectarem com a TV, tablete e smartphones”, diz a fonoaudióloga Andreia Abrahão, da Direito de Ouvir.
Além disso, com a chegada de transístores, tecnologia que melhora a transmissão do som, a qualidade das próteses aumentou. Alguns modelos do passado amplificavam o som como quando utilizamos as mãos em forma de concha atrás da orelha. Esse gesto consegue ampliar o som em até 12dB (decibéis). Hoje, temos aparelhos para diversos níveis de perda auditiva, que produzem um som limpo e de qualidade ao usuário.
“Quando os aparelhos eram grandes, muitas pessoas ficavam com vergonha de usá-los em público. Hoje temos dispositivos que são quase imperceptíveis e que possibilitam que o usuário conquiste uma audição instintiva e natural. É importante que as pessoas entendam que é preciso superar a vergonha. O uso do aparelho auditivo aumenta a longevidade, afasta doenças como o Alzheimer e ainda melhora a qualidade de vida”, diz Andreia Abrahão.
“Foi-se o tempo em que usar uma prótese auditiva era motivo de vergonha. Os atuais aparelhos para audição estão seguindo a tendência dos óculos, cada vez mais modernos, vencendo o preconceito e se transformando em um acessório moderno entre os usuários”, destaca a fonoaudióloga Isabela Carvalho, da Telex Soluções Auditivas.
No Brasil, um dos principais destaques na área de lançamentos é o aparelho Opn, da Telex Soluções Auditivas, o primeiro ao usuário a possibilidade de se conectar, via internet ou bluetooth, a computadores, celulares e tablets. O usuário ainda tem a possibilidade de decidir quais os sons que mais interessam no ambiente e ajustar o volume do ruído ao seu redor. Segundo a fonoaudióloga Isabela de Carvalho, o resultado é uma audição muito próxima ao normal.
A Phonak também acaba de lançar o Audéo B-R, que dá o start para a classe de aparelhos regarregáveis. Com três horas de carga, permite uma autonomia de 24 horas de audição. As baterias são de lítio, semelhantes a dos celulares. “Muitos usuários, principalmente os mais idosos, acabam aderindo ao uso por não precisar manusear as baterias muito pequenas”, diz a fonoaudióloga Talita Donini, gerente de produtos da empresa.
Até mesmo um aplicativo de celular que permite que você ajuste discretamente seus aparelhos auditivos a seu gosto, e sem dificuldade foi trazido para Rio Preto pelas fonoaudiólogas Angélica Surraila Gomes, Livia Arut e Roberta Tricoli Carneiro para facilitar a vida dos portadores de deficiência.

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