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Diário da Região

06/01/2018 - 16h48min / Atualizado 06/01/2018 - 16h48min

QUERIDA ANSIEDADE

Aplicativo promete ajudar a entender e controlar a ansiedade

A ansiedade tem se tornado um dos principais males da sociedade; para ajudar na identificação e no tratamento, a psicóloga Camila Wolf lançou o primeiro aplicativo em português sobre o distúrbio

Walmir Orlandeli Aplicativo Querida Ansiedade
Aplicativo Querida Ansiedade

Ficar ansioso para uma prova, uma viagem ou pela chegada de um filho é natural. São, normalmente, eventos impactantes na vida das pessoas. Mas esses momentos não são suficientes para classificar alguém como ansioso. Agora, se no seu dia a dia a ansiedade se manifesta constantemente, diante de pensamentos pequenos, daquelas preocupações desnecessárias, então pode ser que chegou a hora de você repensar sua forma de viver e lidar com planejamento.

Para trabalhar a forma com que vemos e lidamos com a ansiedade, a psicóloga Camila Wolf, de Goiânia, lançou em 2017 o primeiro aplicativo totalmente em português destinado a ajudar aqueles que se identificam como ansiosos. A ideia do projeto, que até dezembro de 2017 havia sido baixado mais de 900 mil vezes somando as duas plataformas em que está disponível - iOs e Android -, é oferecer informações e evitar a concepção errada do que é a ansiedade e de como ela deve ser tratada, afirma Camila em entrevista ao Diário.

"Um grande problema para as pessoas que sofrem de ansiedade é que elas buscam no Google explicações e os resultados são os mais catastróficos possíveis, o que só serve para aumentar o nível de ansiedade delas. Pensei em criar o aplicativo justamente para poder reunir informações corretas em um só lugar, explicando o que é ansiedade para as pessoas e fazendo com que elas entendam de forma clara e sem assustá-las, para que possam cuidar com carinho de sua ansiedade."

Dessa forma, Camila quer evitar que as pessoas se autodiagnostiquem com o Google, o que normalmente não termina bem, afinal, ao descrever os sintomas sentidos, a ferramenta de busca traz uma infinidade de doenças que possuem um ou outro daqueles sintomas, causando ainda mais pânico.

Segundo a psicóloga, a ansiedade é uma manifestação normal do nosso corpo e precisamos tratá-la dessa forma, como algo normal. O problema está quando ela atinge níveis mais altos, momento em que a recomendação é buscar a ajuda de especialistas, psicólogos ou psiquiatras. "O aplicativo foi pensado para que as pessoas pudessem entender o que é a ansiedade, como ela funciona e quando é a hora de procurar ajuda. Além disso, disponibilizei alguns exercícios para que elas pudessem começar a entrar em contato com elas mesmas, observando seu corpo", explica Camila.

A definição de ansiedade é simples: se trata de uma preocupação excessiva com relação ao futuro. É uma dificuldade em se manter no tempo presente, sempre imaginando o que pode acontecer e, normalmente, prevendo o resultado sempre de forma catastrófica. E conforme a ansiedade vai se agravando, ela passa a refletir no corpo dos ansiosos. "É neste ponto que as pessoas começam a presenciar sintomas como coração acelerado, respiração curta e ofegante, tensão muscular, desarranjo intestinal, enjoo, sudorese", diz a psicóloga.

Em alguns casos mais graves, quando a ansiedade já atingiu seu nível máximo, se transformando em uma Síndrome do Pânico, as pessoas têm certeza de que estão morrendo, garante Camila. "Os sintomas chegam a ser confundidos com ataque cardíaco."

Diagnóstico

De acordo com a psicóloga, você sabe que a simples preocupação do dia a dia se tornou algo mais sério quando ela começa a afetar a rotina e a qualidade de vida. "Quando a intensidade e frequência dos sintomas comuns à ansiedade estão em níveis que trazem sofrimento para a pessoa. Por exemplo, ela começa a ter insônia, ela não consegue mais sentir prazer nas coisas que faz e aproveitar o momento, porque está sempre pensando no que pode acontecer."

É neste ponto que o autoconhecimento se torna fundamental, facilitando o processo de identificação na mudança do próprio comportamento. "Se a pessoa se conhece bem, no momento em que ela começa a perceber que está mais ansiosa, ela deve parar e se questionar. Questionar o que está acontecendo, o que ela está vivendo, quais são os pensamentos que está tendo e, assim, ressignificar essa situação e encontrar formas mais saudáveis de lidar com o que ela está vivendo."

Por isso que Camila também gosta de dizer que a ansiedade pode ser nossa amiga. "No dia a dia, quando percebo que estou agindo de forma muito ansiosa, devo me dar conta disso e me questionar: Será que estou me cobrando demais? Será que estou vivendo em uma situação que não gostaria de estar? E o que eu posso fazer para lidar com isso? Então, acredito que a ansiedade é nossa amiga por isso. Ela serve como um alerta para falar que precisamos prestar um pouco mais de atenção naquilo que estamos vivendo e fazer mudanças."

Viva o momento, seja ele qual for

A ansiedade tem se tornado um dos grandes males da sociedade atual. A correria do dia a dia, a vontade de sempre estar adiante, o pensamento acelerado, o desejo de realizar mais tarefas que o seu dia ou a capacidade permitem, tudo isso pode contribuir para o desenvolvimento da ansiedade ou de suas variações.

Segundo a psicóloga Camila Wolf, criadora do aplicativo Querida Ansiedade, hoje são quase 19 milhões de pessoas no Brasil tratando a ansiedade e esse número tende a aumentar. "Essa correria do dia a dia, o excesso de notícias ruins e a dificuldade de se manter no momento presente vão aumentar ainda mais esse número. Por isso a gente precisa repensar nosso modelo de sociedade e o que é de fato importante para a gente."

Camila recomenda mais contato com a natureza, mais horas de lazer e desligar as notificações do celular. "Elas geram ansiedade e atrapalham as relações. Se estou conversando e o celular apita, perco minha atenção e já crio uma ansiedade para ver do que se trata."

E viver no momento é viver no momento em qualquer momento. Seja no trabalho ou no lazer, para uma qualidade melhor de vida, é fundamental estar presente naquele momento. Não é fácil, mas é possível, garante a psicóloga. "A gente desenvolveu a habilidade de estar ansioso, porque a gente nasce calmo. Então, podemos reverter."

Uma técnica sugerida por Camila, que é um dos exercícios recomendados por seu aplicativo, é voltar para o momento presente utilizando os sentidos. Audição, visão, tato, olfato, tudo contribui para que a pessoa volte a ter contato com o seu corpo e com aquele momento que está vivendo.

"Quanto estou tendo um momento de crise de ansiedade, geralmente tenho um milhão de pensamentos passando pela minha cabeça. Então, o objetivo é sair desses pensamentos e voltar minha atenção para meus sentidos. Que cheiro é esse que estou sentindo agora? O que são esses barulhos no meu entorno? Como está a temperatura? Isso é sair da cabeça, do fluxo de pensamentos, e começar a observar o mundo pelos sentidos. Isso é estar presente", ensina.

Crianças

As crianças, com a cobrança excessiva e o dia a dia acelerado, também estão desenvolvendo ansiedade cada vez mais cedo e a causa disso pode ser justamente seus pais, afirma Camila. "Geralmente, uma criança que é ansiosa tem pelo menos um dos pais ansioso. Ela aprende em casa a ter medo das coisas."

Para identificar se seu filho apresenta sinais de ansiedade, a psicóloga aconselha uma análise de seu comportamento. Veja se a criança está irritada, se dá notícias ou conta histórias aterrorizantes com frequência, se tem dificuldade para dormir e se é bastante agitada ou agressiva. "É importante identificar e levar essa criança para terapia. E os pais também precisam participar."

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