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Diário da Região

19/01/2018 - 18h08min / Atualizado 19/01/2018 - 18h08min

Painel de Ideias

Aprendendo a esperar

Às vezes a gente espera tanto que o que era ansiedade acaba virando um incômodo conformismo

Divulgação Patricia Andrik | patricia.andrik@gmail.com
Patricia Andrik | patricia.andrik@gmail.com

Na volta do trabalho, eu e um amigo conversávamos sobre o verão. Tem feito muito calor na cidade e ele dizia que não via a hora de chegar o inverno...

Também incomodada com o ar quente que mal circulava na rua, eu pensava em como é difícil pra nós, seres humanos, sempre apressados em tudo, esperarmos por alguma coisa.

Como é ruim e angustiante aguardar um reconhecimento, uma oportunidade, uma reposta de emprego, o resultado de um concurso, a nota de uma prova... Como é doído aguardar o telefonema daquela pessoa que mexeu com você, a lembrança de quem está distante, de quem você não sabe se já te esqueceu, de quem você gostaria que se importasse com você... Como é sofrido esperar as respostas que demoram a chegar!

O pior é que, enquanto esperamos, os minutos se arrastam e viram horas. As horas se arrastam e viram dias, que também se arrastam por semanas. E, como sempre, a gente sofre. Sofre de angústia, de ansiedade, de taquicardia.

Mas ainda assim, a gente espera. Espera pelas respostas, espera pelo milagre que pode cair do céu.

E a gente recorre à yoga, meditação, Maracugina, tarja preta.

E por mais que tudo esteja à disposição pra ajudar, de nada funciona enquanto a gente não acalma o nosso coração e remedia a expectativa gigantesca que nós mesmos criamos para aquilo.

Só que o tempo - implacável - não para de correr. E às vezes a gente espera tanto que o que era ansiedade acaba virando um incômodo conformismo - e, às vezes, até um certo sentimento de derrota: "por que esperei tanto por aquilo? Eu não devia imaginar que poderia não acontecer?".

E então a gente sofre de novo, procurando uma solução pra aquele tempo enorme que passou enquanto a gente nutria a frustrada expectativa.

Aí eu pergunto: qual seria, então, a chave certa para enfrentar esses momentos de estagnação que se instalam com as esperas? Ser pessimista e se conformar com as inúmeras possibilidades de receber 'nãos', ou continuar otimista insistindo com afinco naquilo que achamos que vale a pena?

Ansiosa - como sempre - por respostas que sempre demoram a vir, encontrei consolo em uma caixa de Amandita e, enquanto divagava sobre o assunto, senti cheiro de chuva vindo da janela. Logo aquele ar quente que tanto abafava o ambiente, deu lugar à uma brisa suave que parecia ter vindo com a intenção mesmo de refrescar a alma.

Assim, percebi: talvez não seja preciso aguardar o inverno para parar de se incomodar com o calor. Talvez, para fugir de nossas angustiantes esperas, possamos encontrar soluções simples que aliviam como chuva de verão (mesmo quando se molhar parece meio sofrido).

No final das contas, acho que é só mesmo uma questão de aprender a esperar e, como diz Almir Sater na belíssima Tocando em Frente, basta entender que "cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz"...

 

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