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Diário da Região

20/01/2018 - 19h43min / Atualizado 20/01/2018 - 19h43min

Painel de Ideias

Rio Preto, carnaval e cinzas

Já faz muitos anos que o carnaval de Rio Preto tem mais passado do que futuro

Divulgação José Luís Rey | jlrey@paginaimpar.com.br
José Luís Rey | jlrey@paginaimpar.com.br

Aguardo ansiosamente a chegada de fevereiro, não por nada senão pelo fim do horário de verão. Algumas pessoas anseiam pela chegada de fevereiro, por causa do carnaval, não é o meu caso. Já gostei mais do carnaval em outras épocas, assim como também já gostei menos do horário de verão do que gosto hoje. Enfim, já tenho idade suficiente par estar conformado com essas imposições do calendário. O carnaval em Rio Preto há muito tempo não está devidamente apegado aos hábitos e tradições do povo rio-pretense, apesar do esforço heroico de personagens da estatura de Zé Pretinho, Charutinho, tantos outros e, mais recentemente, Wilton da Águia Negra, João Negão e Vicente Serroni - este ainda em plena ativa, com a sua Império do Sol.

Já faz muitos anos que o carnaval de Rio Preto tem mais passado do que futuro. Nos últimos dez, vinte anos, o esforço sazonal das escolas de samba, algumas autenticamente nascidas e criadas nas pontas de vila, não conseguem reeditar o brilho de quando o carnaval era feito por agremiações como a Gato Verde, o Grupo X, a Céu Azul e, mais recentemente, a Águia Negra. De cara, é bom deixar claro que, como alguém que não entende absolutamente nada deste assunto, eu não tenho como desdizer um argumento que uma vez me foi apresentado por alguém do meio: que isso de ficar elogiando as escolas de samba jurássicas é mania de saudosista, porque - no asfalto mesmo, tamborim por tamborim, plumas e fantasias em julgamento - as escolas modernas são muito melhores, mais ricas, mais organizadas...

Admito que sim, que as escolas de samba possam se considerar superiores hoje. O carnaval é que não pode e isso faz toda a diferença. Quando o lendário Charutinho, completamente bêbado e todo mal ajambrado, descia a Bernardino na comissão de frente do Grupo X, ele formava um espetáculo que combinava com o resto, ou seja, com o público que se apinhava atrás dos cordões de isolamento ao longo das calçadas.

Gente que fazia questão de molhar os sambistas com jatos d'água espirrados pelas bisnagas de plástico que se compravam na loja de temporada montada pela Casa Bueno num de seus halls de entrada, onde também era possível encontrar confete, serpentina, máscaras de papelão, martelinhos de plástico, apitos estridentes... Em época pré Jânio Quadros, até mesmo o lança-perfume Rodouro, em seu tubo metálico dourado.

As escolas de samba eram uma parte do carnaval, nem sei se a mais importante. Seus personagens se revezavam nesse cenário com o bloco dos palhaços, que passavam mais tempo bebericando no Ao Posto Dois ou no Frango Carijó do que propriamente correndo atrás das crianças na rua. Ou com a gangue de garotos arruaceiros, cuja grande ousadia era mijar dentro da bisnaga e distribuir democraticamente esse conteúdo entre as pessoas, contribuindo com mais um odor ao ambiente já carregado de cheiro de suor, cerveja, cachaça e de churrasquinho preparado dentro das barracas de lona que se armavam nas praças.

O carnaval evoluiu, dizem. As escolas de samba transformaram-se em candidatas a um concurso e, desde então, parecem ter desviado o foco de sua atenção. Deram as costas ao público que aplaudia sua irreverência e sua caótica e maltrapilha hierarquia, voltando-se para os jurados, que as examinam sob certa pretensão acadêmica, tolhidas em regulamentos e rigorosas regras de conduta.

Ainda bem que carnaval e horário de verão passam.

 

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