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Editorial

O custo do descaso


    • São José do Rio Preto
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Não há outra palavra para definir a situação do "novo" fórum de Rio Preto que não seja descaso. No município que pesquisas afirmam ser uma das melhores cidades para se viver, o que acontece com o prédio, inaugurado com todas as pompas de praxe há um ano, representa apenas mais uma amostra de situações vexatórias que envergonham o País.

Reportagem do Diário neste domingo, 28, revela que um ano depois de inaugurado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao lado de deputados, integrantes do Judiciário, e também pelo prefeito Edinho Araújo (PMDB), nada avançou. É fácil entregar uma obra e depois da festa virar as costas, como se a inauguração fosse o próprio fim em si mesmo.

A novela, na verdade, se arrasta há mais de 10 anos. Obra iniciada ainda quando Edinho era prefeito pela primeira vez chegou a ser paralisada e outra licitação foi aberta. Até o projeto, que não previa ar-condicionado, virou motivo de longas discussões. No total, entre idas e vindas a obra foi finalmente concluída no final de 2016 ao custo de cerca de R$ 11 milhões. Agora, ainda sem uso, a estrutura do prédio já começa a apresentar problemas, como vidros trincados, paredes com infiltrações e até reboco pelo chão. Sem contar o mato alto, que já toma conta da frente do edifício.

Questionado sobre o impasse, o governo estadual literalmente lavou as mãos. "A Secretaria da Justiça não tem mais nenhuma responsabilidade sobre o imóvel, cabendo ao Tribunal de Justiça mobiliar e ocupar o prédio". O governo deveria, no mínimo, mostrar mais interesse no que acontece com os milhões de reais que saem dos cofres públicos ou seja, do contribuinte. Inclusive porque, conforme mostra reportagem de hoje, esse mesmo governo só foi liberar o prédio de verdade no final do ano passado, 11 meses após o oba-oba do governador, embora o Estado insista que em abril já havia condição de uso. Para a direção do fórum, o local continua sem função por causa da "burocracia".

A resolução para o impasse certamente não virá com jogo de empurra. Se os chamados poderes independentes se uniram para jogar tanto confete na entrega da obra, que tenham a dignidade de fazer o mesmo agora para acabar com o imbróglio. A vergonha seria menor.