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Diário da Região

06/01/2018 - 21h01min / Atualizado 06/01/2018 - 21h01min

Editorial

O dever de saber

Condenado pelo juiz Sérgio Moro por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez história com suas manjadas tentativas de escapar pela tangente dizendo sempre que não sabia de nada. Se não convencia, pelo menos ganhava tempo - nos tribunais, nas entrevistas ou mesmo nas bravatas ditas em palanques eleitorais. Quando não funcionou mais, Lula passou a dizer que de muita coisa quem deveria saber era dona Marisa, sua esposa. Só que aí surgiu um pequeno problema: falecida, dona Marisa já não tinha mais como se manifestar, nem para confirmar nem para responder que também não sabia de nada.

A resposta automática virou um mantra e Lula tem feito escola. O jargão do líder petista passou a ser copiado por políticos de quase todos os partidos, em todas as esferas da vida pública. Agora mesmo Rio Preto vive uma febre de gestores que não sabem de nada. Questionada sobre o fato de uma empresa que venceu concorrência para desenvolver o famigerado aplicativo da Área Azul digital ter uma funcionária comissionada da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) como sócia, a presidente desta autarquia, Vânia Pelegrini, disse simplesmente que desconhecia. Ambas acabaram exoneradas pelo prefeito Edinho Araújo, que até então também não sabia - pelo menos, assim que soube, ordenou providência.

Descobre-se em seguida que outras duas empresas concorrentes à missão da Área Azul apresentavam a mesma situação: uma tem como sócia a mulher do secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala; na outra empresa, a sócia é uma irmã dele. E o que Liszt tem a dizer? "Não sabia. Não teria deixado. Não tive conhecimento antes", afirmou o secretário, acrescentando: "Não sei se existe algum impedimento legal. Há uma questão moral, mas ninguém fez contrato com o município. O que houve foi apenas a participação em licitação".

No processo de escolha da empresa pelo sistema de carta-convite, a Emurb escolheu três candidatas com as mesmas implicações legais e morais. Com tanta coincidência, fica impossível não suspeitar de fraude, como bem afirmou o promotor Sérgio Clementino em reportagem que o Diário publicou neste sábado. Não se pretende que o agente público saiba de absolutamente tudo, mas também não dá para aceitar que nunca saiba de nada. Se não é má-fé, só pode ser incompetência. Que o prefeito, responsável maior, não se perca pela omissão.

 

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