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Diário da Região

22/01/2018 - 23h44min / Atualizado 22/01/2018 - 23h44min

Artigo

Água, perigo de escassez

Não há mágica para segurança hídrica e trabalho não deve se concentrar só no período dos extremos

Água é bem público de suma importância. Além de manter todo ecossistema terrestre em equilíbrio, é importante para a manutenção de atividades antrópicas, como agricultura, pecuária, lazer, produção de bens de consumo e a, primordial, que é a de abastecimento público.

Parece simples esta afirmação, mas não o é! Entender e garantir a segurança hídrica ou mesmo desenvolver resiliência à falta ou excesso de água exige planejamento, conhecimento técnico, conscientização e investimentos, não sendo, portanto, uma tarefa fácil de ser executada por gestores em diferentes níveis de decisão, seja pela dificuldade técnica em entender os problemas, seja pela priorização de investimentos, uma vez que recursos financeiros nem sempre estão totalmente disponíveis. Mesmo com os fenômenos climáticos adversos presente na imprensa, é fundamental informar a sociedade de forma clara e objetiva sobre o tema.

Assim, sol e chuva se sucedem e o intenso período de estiagem vivido pela maioria dos municípios brasileiros nos últimos anos fez com que o poder público adotasse práticas que pudessem remediar o caos que se instalou em algumas cidades. Com a divulgação alarmista de escassez hídrica pela mídia, os olhares do poder público voltaram-se, imediatamente, para a resolução do problema, como forma de mitigar a situação e assim, perfuração de poços profundos, controle de perdas, aumento da capacidade de reserva, são alguns exemplos de ações adotadas.

Essas atitudes, tomadas pela Gestão Pública, só reforçam a falta de planejamento, mesmo considerando que as práticas adotadas são válidas e foram de grande importância para mitigar e combater a escassez de água, porém a tomada de decisão à médio e longo prazo devem ser aplicadas paralelamente as que foram desenvolvidas de forma imediatista. Um exemplo dessas ações de "tampar o sol com a peneira", desenvolvidas pelo poder público é o custo anual com operação de dragagem para a retirada de sedimentos dos rios e córregos que cortam as cidades. Estes são consequência da falta de conservação do solo a montante do manancial e causam assoreamento de nascentes e afluentes, carreando sedimentos ao longo da microbacia e/ou bacia hidrográfica, prejudicando o abastecimento público, em qualidade e quantidade, também em outros usos, como a dessedentação de animais e irrigação.

Estratégias de conservação do solo como a construção de curvas de nível, de bacias de contenção em estradas rurais e, principalmente, preservação de nascentes e afluentes, respeitando e recompondo as Áreas de Preservação Permanente e restringindo o pisoteio, precisam ser intensificadas. Estas práticas não somente minimizam as vazões máximas, como garantem a infiltração de água no solo e a recarga de lençol freático que levará à uma maior oferta de água na estação seca. Também se faz necessário a mudança no cenário urbano, como o incentivo a arborização e planejamento de galerias pluviais. As espécies arbóreas aumentam a área de interceptação da água das chuvas e permeável, além de reter água em suas folhas e caules diminuindo as enchentes, além do carreamento de sedimentos para os rios.

Pollyana Rodero Fernandes, Engenheira ambiental e Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos - ProfÁgua na Unesp Ilha Solteira

Fernando Braz Tangerino Hernandez, Engenheiro agrônomo, Professor titular da Área de Hidráulica e Irrigação da Unesp Ilha Solteira

 

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