Diário da Região

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09/01/2018 - 23h19min / Atualizado 09/01/2018 - 23h19min

Artigo

O tempo e as pessoas

Tenho a impressão que vou encontrar pelas ruas, como antes, aqueles que se foram. Fazem falta

O calendário foi criado para organizar a vida do homem no planeta em todas as lides humanas. Os primeiros se referiam ao amanhã como daqui três luas, daqui dois sois, etc. Era complicado. O ontem, o hoje e o amanhã são atributos dos humanos. Só eles conhecem o passado, o presente e o futuro na linha que chamou de tempo.

Houve um tempo e não há muito tempo que, ao percorrermos as ruas da minha cidade, em especial a Coronel Militão, a rua do comercio, a rua principal, era comum encontrarmos pessoas, muitos aposentados, de certa idade, que desfilavam pelas calçadas, alguns com bengalas, outros com andador ou mesmo muletas, outros ainda lépidos a todos cumprimentando e chamando pelo nome. Visitavam o povo e ruas ou indo até a farmácia buscar ou tomar alguma medicação, ou ainda apenas passeando, matando o tempo, e ainda tínhamos os relativamente jovens.

De repente, e bastante de repente mesmo, dado ao pouco tempo escoado ela plataforma dos meses, e em menos de um ano, parece que, como por encanto, a grande maioria desapareceu. Alguns tiveram seus nomes lembrados, em razão da ausência ou mesmo em razão do obituário publicado pelo Facebook ou pelas rádios locais.

Tenho a impressão que vou encontrá-los pelas ruas como antes. Fazem falta ao cotidiano. Parece que está faltando alguma coisa ou muitas coisas. O lapso de tempo que se registrou com a partida deles foi pequeno e o número de 'ausentes' é grande e percebido por muita gente ou por praticamente todos. O silêncio sobre tais ausências, porém, é latente, é forte, é percebido e toca na alma da gente despertando uma tristeza forte e insistente. No âmbito familiar isto é muito mais forte.

-Você soube? O fulano morreu! Como? Se eu ainda ontem encontrei com ele e ele parecia bem?

-Pois é, está lá no velório. Morreu de repente, coitado!

E a listagem é enorme. Vez em quando o jornal "O Município de Tanabi" traz a lista completa. Fico assustado com a quantidade e alguns até que não fiquei sabendo, e se os encontrasse na rua tudo seria normal, como sempre foi...

A mim, parece que ao passar pela rua tenho certeza que vou vê-los de novo e tudo vai parecer que nada aconteceu e que a vida continua.

Muitos deles fiz despedida no próprio velório numa espécie de adeus, de homenagem e respeito pelo que o 'de cujus' foi para Tanabi, para mim e para nós. Irem embora sem um obrigado comunitário não entendo como certo. Faço a minha parte e a parte da cidade que, com certeza, perdeu um valor enorme em sua população, ou uma pessoa simples, mas parte de nossa história.

-Revertere ad Locun Tuum está gravado na fachada do cemitério. Voltará ao teu lugar, ela nos diz.

Sábia frase. Verdade que dela não se foge.

Antonio Caprio, Professor, Tanabi.

 

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