Diário da Região

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06/01/2018 - 22h00min / Atualizado 06/01/2018 - 20h54min

Artigo

Ano Novo?

Fica clara a sensação de que a letargia é contagiante, quase uma epidemia

Todo início de ano, promessas tendem a ser renovadas. Cuidar da saúde, fazer exercícios físicos, preocupar-se com a espiritualidade, ajudar o próximo, passar mais tempo com a família, são repetições monótonas que ecoam, como uma interminável ladainha, sempre nos primeiros dias de janeiro. Mas logo chega o carnaval. E assim como acontece com aquelas escolas de samba rebaixadas, apesar de todo o otimismo e do esforço de seus integrantes, boa parte dos desejos renovados, no início do ano, sucumbem, e deixam de fazer parte do grupo especial de promessas.

No Brasil, existe uma crença, ou talvez uma certeza, de que o Ano Novo só começa, de fato, depois do carnaval. Portanto, 2018 ainda não começou e todo o dinheiro gasto no réveillon, foi em vão. Com base nesta crença ou certeza, justifica-se toda a letargia que impera entre aqueles que governam este imenso sambódromo, letargia esta que atrasa, um pouco mais, a implementação de medidas para a retomada do crescimento econômico, para a geração de empregos, para atrair investimentos externos, para equacionar os problemas da previdência social, e tantas outras, de suma importância para este país. E, o que é pior, como a sociedade aceita passivamente esta situação, fica clara a sensação de que a letargia é contagiante, quase uma epidemia.

Como 2017 ainda não acabou, a mesma vicissitude deve perdurar, pelo menos, até o próximo dia 14 de fevereiro, literalmente, uma quarta-feira de cinzas. No entanto, o ano novo brasileiro, assim que 2018 começar oficialmente, deverá ser recheado de otimismo e de grandes expectativas. Afinal, neste ano, além de todos os feriados e festividades tradicionais, que permitirão emendas extraordinárias e muitos dias de ócio, haverá Copa do Mundo (que sempre gera otimismo) e eleições (que enche os eleitores de expectativas).

Existem aqueles que defendem a tese de que eventos como o carnaval e a Copa do Mundo são importantes para o país, uma vez que oferecem aos brasileiros momentos de alegria e, mesmo que por pouco tempo, os fazem esquecer dos problemas a serem vivenciados nos demais dias do ano. Difícil crer que um(a) chefe de família trocaria 5 dias de alegria na folia, por outros 360 dias sem emprego e sem perspectiva. É de se ter pena e repulsa destes indivíduos que zombam das dificuldades alheias com argumentos de compensação ridículos.

Falando em repulsa, as eleições deste ano serão para os cargos de Presidente, Governadores, Senadores e Deputados Federais e Estaduais. É preciso lembrar que, no Brasil, as eleições são democráticas e que, por isto, os representantes são escolhidos diretamente pelo voto dos eleitores. Desta forma, não há como colocar nos políticos, exclusivamente, a culpa pelos fracassos e pela letargia que atrapalham o desenvolvimento deste país.

Os eleitores brasileiros precisam levar em conta que é deles a responsabilidade quando colocam no Poder Executivo gestores públicos incompetentes para administrar os estados e o Governo Federal. E que, igualmente, são responsáveis quando colocam no Legislativo representantes incapazes que criar um sistema legal que tenha como premissa, por exemplo, a justiça social. Enquanto os brasileiros, aptos a votar, não assumirem o protagonismo político deste país, o ano por aqui sempre terá 365 letárgicas quartas-feiras de cinzas.

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE - Unesp de Rio Claro-SP; diretor da Fatec de São José do Rio Preto.

 

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