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Diário da Região

15/01/2018 - 23h58min / Atualizado 15/01/2018 - 23h58min

ÁREA AZUL DIGITAL

Em sabatina na Câmara, Liszt expõe contradições

Secretário volta a negar que soubesse que familiares participaram de licitação da Área Azul, mas empresa da qual era sócio recebeu do município quando ele dirigia a Emurb

Guilherme Baffi 15/1/2017 Liszt Abdala em entrevista coletiva depois de dar explicações a vereadores nesta segunda, 15
Liszt Abdala em entrevista coletiva depois de dar explicações a vereadores nesta segunda, 15

Em sabatina na Câmara de Rio Preto nesta segunda, 15, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Rio Preto, Liszt Abdala, reafirmou que não sabia que irmã e a mulher dele participaram da licitação da Área Azul digital, alvo de investigação no Ministério Público e motivo de intervenção da Prefeitura na Emurb. A empresa vencedora da licitação, a Innovare, tinha como sócia ex-funcionária da Emurb, demitida após a descoberta do caso. A lei proíbe servidor de manter contratos com órgãos públicos.

Outras duas empresas que entraram na contestada disputa são de familiares de Liszt. Uma delas, a Marbell Teleinformática, tinha Liszt como sócio até 2011. Ele foi diretor da Emurb entre 2010 e 2012.

A empresa recebeu recursos da Prefeitura e do Semae enquanto Liszt era presidente da Emurb e único responsável pela empresa, conforme dados da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo).Ele tomou posse no cargo em abril de 2010. No mês seguinte, a empresa recebeu R$ 248 da Prefeitura para instalação de uma porta acionada por botão e fornecimento de mão de obra.A empresa também recebeu R$ 760 do Semae, em junho, para instalar "interface de celular".

Liszt afirmou ao Diário na noite desta segunda que não se recordava desses gastos. "Não participei de licitação e não fiz contratos quando estava na Emurb ou como secretário. Não me recordo dessas despesas. Deve ter sido empenhado anteriormente por cotação de preço, não por licitação. São valores irrisórios. Estão querendo me crucificar por isso", afirmou.

O empenho da Prefeitura foi feito em março. Já o empenho do Semae ocorreu em abril, quando Liszt já era titular da Emurb. O Diário apurou que novo inquérito deve ser instaurado pelo Ministério Público para verificar a situação.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Aícro Júnior/Editoria de Arte)

Durante a sabatina, Liszt reafirmou que não sabia que as empresas de sua irmã e da mulher dele tinham sido chamadas, por meio de carta convite, para a licitação. A Marbell foi desclassificada da disputa, segundo a Prefeitura. A outra empresa seria de sua mulher. A Prefeitura não divulgou detalhes sobre essa carta convite. A empresa em nome da mulher do secretário recebeu da Prefeitura entre 2008 e 2016 para fazer serviços variados de telefonia. Alguns deles em 2012, ano em que Liszt afirmou ter formalizado união estável com a mulher.

Na Câmara, o secretário disse que tinha conversado com seus familiares sobre a situação. "Foi uma conversa tensa", afirmou. Ele voltou a dizer que não concordaria com a participação caso soubesse, mas insistiu com os vereadores que não houve irregularidade. "A imoralidade é uma coisa subjetiva", disse em resposta a Marco Rillo (PT).

Gerson Furquim (PP) perguntou se empresas de familiares de Liszt teriam participado de licitações quando ele estava na Emurb. A princípio, ele respondeu que sim. Depois disse que jamais teria assinado nada. "Aí, sim, teria uma ilegalidade frontal", afirmou.

"É claro que foi contraditório o que ele disse. Falou que ficou bravo, mas depois que poderiam participar. A CPI deve aprofundar essas investigações", afirmou Rillo.

O secretário foi convidado para ir à Câmara pela Comissão de Obras e Serviços. Presidente da comissão, Furquim disse que a lei proíbe parentes de secretários de participar de licitações. Ele, assim como Rillo, defendeu que Liszt se afaste do cargo até o fim das apurações. Anderson Branco (PR) seguiu a mesma linha. Liszt, por outro lado, ganhou apoio de Jean Dornelas (PRB) e Celso Peixão (PSB). "Achei convincente. Agora a CPI é que deve ir mais a fundo", disse Peixão.

A Câmara irá formar CPI para investigar a polêmica da Área Azul na volta do recesso, dia 22.

Ex-supervisor da Área Azul confirma troca de cheques

Ex-supervisor da Área Azul em Rio Preto entre 2008 e 2014 confirmou ao Diário esquema de troca de cheques na Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). Ele disse que não precisava nem ser funcionário para trocar cheque pelo dinheiro arrecadado com a venda dos cartões de Área Azul. "Você tinha um cheque pré-datado e era conhecido, trocava o cheque. Muita gente fez isso. Se pedir microfilmagem vai poder verificar os cheques depositados na conta da Emurb", afirmou o ex-servidor, que pediu para não ser identificado. Ele disse que foi indicado para o cargo pelo vereador Jorge Menezes (PTB).

A troca de cheques foi uma das denúncias reveladas pelo empresário Wagner Costa ao Diário em entrevista exclusiva publicada na sexta. 12. Ele fez as acusações após perder o contrato para a implantação da Área Azul digital com a descoberta de que a mulher dele era sócia dele na empresa Innovare Cartuchos, que venceu a licitação por R$ 78 mil, ao mesmo tempo em que era funcionária da Emurb. Ela também perdeu o cargo.

De acordo com o ex-supervisor, um dos coordenadores da Área Azul trocou cheques de seu comércio particular pelo dinheiro que estava no caixa do estacionamento rotativo. "Quando havia problema com algum cheque, eles ligavam para a gerente do Banco do Brasil para trocá-lo. A sede nem ficava sabendo porque o depósito na conta era feito pelo setor da Área Azul", afirmou ele, que se diz disposto a contar o que sabe no Ministério Público.

Nesta segunda-feira, 15, o Diário foi comprar um cartão da Área Azul na região central de Rio Preto e questionou a funcionária se ela poder atestar a autenticidade do bilhete. "Infelizmente, não tem como falar para o senhor se é verdadeiro ou não", afirmou ela. Outra denúncia de Wagner é que cartões são falsificados por servidores da própria Emurb para desviar dinheiro da empresa.

Ela admitiu que colegas de trabalho já identificaram talões "clonados". "Só sou obrigada a vender esse meleca", insistiu ela ao dizer que não "embolsa dinheiro de ninguém".

De acordo com Wagner, fiscais também ficariam com valores pagos por usuários do serviço. Segundo ele, agentes pegariam dinheiro de motoristas sem colocar o cartão no veículo depois.

O presidente interino da Emurb, Angelo Bevilacqua, afirmou que a Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro) vai assumir a confecção dos talões da Área Azul.

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