Diário da Região

12/01/2018 - 23h28min / Atualizado 13/01/2018 - 09h59min

ESCÂNDALO DA EMURB

Denúncia leva Prefeitura a recolher talões da Área Azul

Pivô de escândalo em licitação realizada na empresa, Wagner Costa acusou, em entrevista exclusiva ao Diário, servidores de falsificar talões para ficar com o dinheiro; delator também já falou com promotor

Guilherme Baffi 11/1/2017 Bevilacqua, interventor na Emurb:
Bevilacqua, interventor na Emurb: "Tudo aquilo que ele (Wagner) falou, estamos correndo atrás. Quando surgiu isso mandei recolher todos os talões"

A denúncia da circulação de talões falsificados no serviço de Área Azul, conforme revelado pelo empresário Wagner Costa em entrevista exclusiva ao Diário publicada ontem, levou a Prefeitura de Rio Preto a recolher o material para conferência nesta sexta, 12. "Tudo aquilo que ele (Wagner) falou, estamos correndo atrás. Quando surgiu isso mandei recolher todos os talões. Estão sob a nossa guarda. Não sai mais sem autorização da auditoria", afirmou o presidente interino da Emurb, Angelo Bevilacqua. O Diário apurou que quatro caixas com milhares de talões foram recolhidos na sede da Emurb. A empresa agora está sob intervenção de comissão nomeada pelo prefeito Edinho Araújo (PMDB).

Wagner afirmou que servidores da empresa fariam parte de uma máfia para falsificar talões em pelo menos três gráficas - uma em Mirassol e as outras duas em Rio Preto. O esquema movimentaria, no mínimo, R$ 20 mil por semana. O empresário já prestou depoimento no Ministério Público e citou os nomes dos possíveis envolvidos no esquema. O promotor de Justiça Cláudio Santos de Moraes disse que vai pedir a abertura de inquérito policial. Wagner citou que a gráfica do Instituto Espírita Nosso Lar (Ielar) seria usada pelo grupo. "A gráfica (do ielar) talvez nem sabia", afirmou o empresário. Representante do Ielar negou participação na suposta irregularidade.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Aícro Júnior/Editoria de Arte)

Bevilacqua afirma, no entanto, que a venda do cartão da Área Azul não será afetada.

Os auditores também assumiram o controle do caixa da Emurb para analisar fluxo diário da despesa e receita. Wagner revelou ao Diário que servidores pegariam dinheiro da Área Azul para descontar cheques - de até R$ 2 mil. "Também estamos apurando. O caixa da empresa, a entrada e a saída de recursos agora, só com aval da comissão. O caixa está sob o nosso controle", afirmou.

Homem-bomba

Wagner revelou detalhes das irregularidades ao Diário após perder contrato no valor de R$ 78 mil na Prefeitura de Rio Preto para implantar o aplicativo da Área Azul digital. A mulher dele, Roberta Ferreira Nunes Costa, que era apadrinhada da Emurb, é sócia da empresa Innovare Cartucho que prestou serviço à Emurb. A lei proíbe que servidores públicos municipais sejam sócios de empresas que contratem com a Prefeitura.

Nesta sexta-feira, 12, ele afirmou à reportagem que pretende acionar a Emurb na Justiça para receber cerca de R$ 50 mil do contrato que foi suspenso. Ele afirma que vai entregar o aplicativo pronto ao MP.

(Colaborou Vinícius Marques)

Câmara vai ouvir Liszt na segunda-feira

Guilherme Baffi 11/1/2018 O secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala

A Câmara de Rio Preto entregou oficialmente nesta sexta-feira, 12, convite para que o secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala, compareça ao Legislativo para dar explicações sobre a Área Azul digital. Parentes de Liszt participaram da licitação de implantação do aplicativo, que foi suspenso por irregularidades em contrato assinado com outra empresa. Vereadores defendem que o secretário de afaste do cargo. Na última semana, a então presidente da Emurb, Vânia Pelegrini, foi exonerada. Já Liszt foi mantido no cargo depois de conversa com o prefeito Edinho Araújo (PMDB). O secretário afirmou que "não sabia" que parentes tinham participado da disputa.

Uma CPI já está pronta para ser protocolada na Câmara, o que só pode ocorrer na volta do recesso. Antes disso, a Comissão Permanente de Obras, Serviços e Outras Atividades convidou Liszt para ser ouvido na segunda-feira, 15. O convite foi recebido na Secretaria de Desenvolvimento Econômico nesta sexta.

O presidente da comissão, Gerson Furquim (PP), afirma que o convite é uma chance de o secretário de explicar. "Não temos intenção de prejudicar ninguém. A nossa função é esclarecer os fatos", afirmou Furquim.

Assinaram o documento outros integrantes da comissão: Jean Dornelas (PRB), Celso Peixão (PSB) e Marco Rillo (PT), este último, suplente.

Furquim defende o afastamento de Liszt do cargo até a conclusão das investigações sobre a Emurb. "Ele deveria ter o bom senso de dizer 'Eu não devo nada, mas vou me afastar até serem apurados os fatos", disse o vereador. Já Dornelas saiu em defesa de Liszt. "A fragilidade das suposições a respeito dele não permitem um pré-juízo sobre os fatos", afirmou.

Anderson Branco (PR) diz que a situação é "gravíssima". "Estas denúncias estão graves, a caixa preta precisar ser aberta, acredito que tem mais coisas gravíssimas", disse.

O secretário foi procurado, mas não atendeu o celular. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que Liszt irá atender ao convite.

Em entrevista ao Diário nesta quinta, 11, o empresário Wagner Costa, que afirmou que "já sabia" que iria ficar com o projeto da Área Azul digital mesmo antes da licitação, disse que Liszt não teve envolvimento no episódio, na qual empresas ligadas a irmã e à mulher do secretário participaram. (colaborou Rogério Castro e Vinícius Marques)

Vereador quer devassa

A repercussão das denúncias do empresário Wagner Costa na Câmara de Rio Preto foi imediata nesta sexta-feira. O vereador Jorge Menezes (PTB) quer fazer uma devassa na Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) com pedidos de informações desde 2005.

Menezes afirmou que alertou os colegas no final de 2017 sobre o projeto de lei apresentado pelo prefeito Edinho Araújo (PMDB) para fazer aporte de R$ 350 mil destinados à implantação do sistema da Área Azul digital. Segundo Wagner, o dinheiro foi usado no pagamento do 13º salário dos servidores da Emurb.

"Foi por isso que eu segurei o projeto. Na época, o governo disse que eu queria cargos e espaço no governo", afirmou Menezes. "Me lembro de uma reunião em que o governo disse que o projeto era para implantação da Área Azul. Mas recebi informação que era para pagar o 13º salário", acusou.

O Diário questionou o governo Edinho sobre a destinação dos R$ 350 mil. Em nota, a Secretaria de Comunicação afirmou que está em "fase de apuração".

Emenda de Menezes anexada ao projeto prevê a destinação exclusiva da verba para a instalação da Área Azul digital. (RL)

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