Diário da Região

11/01/2018 - 23h59min / Atualizado 12/01/2018 - 11h04min

Área Azul digital

Empresário relata esquema e afirma que Emurb é 'saqueada'

Dono da empresa que fez o aplicativo da Área Azul digital diz que escândalo que o envolve foi criado por funcionários que roubam e Emurb. Ele também nega investimento de R$ 350 mil no projeto e poupa Liszt

Johnny Torres 15/12/2017 Wagner Costa, que promete contar tudo no Ministério Público
Wagner Costa, que promete contar tudo no Ministério Público

Pivô do escândalo na Empresa Municipal de Urbanismo em Rio Preto, a Emurb, o empresário Wagner Costa revela supostos esquemas para "saquear" o órgão. Em entrevista exclusiva ao Diário, ele cita a existência de um grupo de servidores que falsificariam talões da Área Azul e descontariam cheques de funcionários usando dinheiro público.

Dono da empresa Innovare Cartuchos, contratada para implantar a Área Azul digital na cidade, Wagner é marido de Roberta Ferreira Nunes Costa, que era funcionária da Emurb e ao mesmo tempo sócia da empresa, o que é proibido por lei. Foi demitida pelo prefeito Edinho Araújo (PMDB) assim que a sociedade se tornou pública. O empresário fez grave acusação envolvendo diretamente o prefeito e pode se tornar um homem-bomba do governo.

Ao tomar conhecimento de que a Câmara iria votar R$ 350 mil para o projeto, ele disse que questionou diretamente o governo e foi informado de que o dinheiro seria destinado ao pagamento de 13º salário dos servidores da Emurb, contrariando a lei aprovada pelos vereadores. Ele afirma que "nenhum centavo" dos R$ 350 mil foi destinado ao projeto. A acusação atinge diretamente Edinho, que pediu urgência na votação do projeto de lei no Legislativo.

Wagner disse que o aplicativo, que deu problema logo no primeiro dia que entrou em operação, só depende da Prefeitura pagar a ele cerca de R$ 50 mil previsto em contrato para voltar a funcionar. "O escândalo do meu contrato é para impedir que se informatize a Área Azul porque não tem como roubar mais a Emurb", afirmou. "Se informatizar não tem mais dinheiro na mão. Não tem como roubar".

O empresário promete contar tudo o que sabe ao Ministério Público. Ele afirmou que vai dizer aos promotores os nomes de funcionários que estariam envolvidos em esquemas de corrupção. "Vou dar os nomes no Ministério Público", disse. "O pessoal está saqueando ali não é de hoje."

Wagner confidenciou ainda que já foi procurado por dois vereadores que pediram informações sobre o contrato de R$ 78 mil para desenvolver o aplicativo da Área Azul, cancelado após a revelação de que a mulher era apadrinhada na Emurb. A Câmara vai instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso.

Talões falsos

De acordo com Wagner, talões falsos da Área Azul seriam feitos em três gráficas diferentes - uma localizada em Mirassol e outras duas em Rio Preto. "É talão falsificado. É idêntico ao da Emurb", disse o empresário. Ele disse que tentou coibir a irregularidade ao criar um código de barra para os talões comercializados pelos fiscais e nos pontos de vendas distribuídos pelo município.

Wagner afirmou que o esquema rendia entre R$ 20 mil e R$ 30 mil por semana ao grupo. "A taxa de venda de talão é de 23%. A Vânia (Pelegrini, ex-presidente da Emurb) falou isso para todo mundo várias vezes, mas ninguém se tocou. Acharam que o motorista é que não usa a Área Azul. 23% é muito pouco mesmo se o usuário não respeitasse. Isso significa que 23% do dia tem carro estacionado, o resto ficou sem (cartão)", afirmou. Vânia foi demitida do cargo por Edinho após a divulgação do caso.

"Esse escândalo é para não informatizar (a Área Azul). Se informatizar acaba a teta", afirmou ele ao citar que o patrimônio pessoal de servidores que estariam envolvidos no esquema seria incompatível com o salário. "Se o Ministério Público tiver coragem, ele (promotor) vai achar. Pode até não comprovar os talões. Mas o patrimônio dele (servidor) não tem como não comprovar. Está muito bem de vida", afirmou.

Cheques

Outra denúncia feita pelo empresário seria o uso ilegal de dinheiro público da própria Área Azul para descontar cheques - com valor de até R$ 2 mil. Wagner disse que para comprovar a irregularidade é só realizar uma auditoria das contas e pedir microfilmagem dos cheques que foram depositados na conta da Emurb. "Pegam dinheiro do caixa da Área Azul para fins próprios", afirmou o empresário. "As fiscalizações do TCE não tiveram o cuidado de olhar. Iria ver. Contrato que era R$ 1 mil virou R$ 4 mil. E não foi um só", afirmou.

Segundo ele, as irregularidades são de conhecimento da maioria dos servidores e também de diretores. Wagner disse que denunciou os esquemas a auxiliares de Edinho. "O negócio lá é muito grande. Por causa da política, (o governo) tem medo de agir", afirmou.

Gaiato

O empresário negou que o secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala, fez a indicação das empresas da irmã e da mulher para participar do processo licitatório vencido pela empresa dele. Um vereador afirmou ao Diário, no entanto, que Wagner estaria disposto a dizer o contrário na CPI que vai apurar falhas na licitação da Área Azul digital. "Como Liszt caiu na história, não sei", afirmou Wagner ao dizer que só tomou conhecimento de que a empresa convidada era de parente do secretário no dia em que as propostas foram entregues.

Era minha

Durante a entrevista, Wagner admitiu que já estava definido que a sua empresa iria desenvolver o projeto da Área Azul digital antes da realização da licitação. "Sabia que eu que iria fazer (o projeto da área azul digital). Já tinha dado o orçamento. A Emurb está quebrada financeiramente", afirmou o empresário. "A Área Azul digital era tentativa de acabar com a roubalheira e a Emurb ressuscitar. Tem uma enxurrada de roubo e ações trabalhistas", disse.

Ele afirmou que iniciou o desenvolvimento do sistema em agosto do ano passado. O pagamento de R$ 78 mil pelo serviço foi dividido em parcelas. Ele recebeu apenas quatro, que somadas chegam a R$ 28 mil. "Estava lá dentro. Eu já tinha viajado para São Paulo para conhecer outros (aplicativos). Não tem como mentir. Bem antes da licitação. Desde que começou o mandato estamos atrás para ver o que dava para fazer. Outras empresas queriam concessão. Para elas, não é interessante alugar um software deste", disse.

Nesta quinta-feira, 11, Wagner disse que entregou a técnicos da Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro) informações de senhas do sistema de informática da Emurb. A Empro vai assumir a operação do aplicativo da Área Azul digital.

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