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Diário da Região

20/01/2018 - 22h30min / Atualizado 20/01/2018 - 22h30min

A GANGORRA DA GASOLINA

Em 30 meses, preço da gasolina subiu 43%

Nova política da Petrobras, alinhada ao valor do petróleo no mercado internacional, faz o preço do combustível oscilar muito em curto espaço de tempo. Os aumentos são sempre maiores que as quedas

Guilherme Baffi 10/1/2018 Posto na Bady Bassitt com um dos maiores preços encontrados em Rio Preto em 2018
Posto na Bady Bassitt com um dos maiores preços encontrados em Rio Preto em 2018

Quem tem carro já percebeu há muito tempo: a variação de preços dos combustíveis é similar a uma gangorra. Mas diferente do brinquedo infantil, as subidas e descidas não são equivalentes. As quedas nos preços são bem menores do que os aumentos. A gasolina, por exemplo, subiu 43,81% em Rio Preto nos últimos 30 meses - levando em conta os preços mais altos encontrados na cidade, de acordo com a coluna Economize, publicada pelo Diário.

A gangorra, no caso da gasolina, é percebida com maior frequência desde julho do ano passado, quando a Petrobras mudou a política de preço, seguindo mais de perto as flutuações da cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Para se ter ideia dessa oscilação, após a nova prática, o preço da gasolina foi alterado 132 vezes pela estatal - com um saldo 25,6% de aumento no preço do combustível comprado pelos distribuidores. De julho a janeiro, a gasolina teve aumento de 16% e o diesel 17% em Rio Preto.

Em agosto de 2015, o maior preço da gasolina era de R$ 2,999. Em janeiro deste ano, está em R$ 4,299. O menor valor, que era de R$ 2,739, hoje está em R$ 3,939.

Outro fator que encarece ainda mais o preço dos combustíveis são os impostos. Em média, 29% do valor da gasolina é de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que varia conforme o Estado. Cerca de 16% são impostos federais - CIDE e PIS/PASEP e COFINS. As distribuidoras, segundo a Petrobras, fazem uma acréscimo de 13% no valor total.

De acordo com o presidente do Sincopetro, Roberto Uehara, as distribuidoras ainda não repassaram um dos reajustes feito pela Petrobras na última semana e a petroleira já aumentou os valores novamente. "O preço é alterado em média de três a quatro vezes na semana. Temos que esperar as distribuidoras repassar o aumento para ver o percentual e atualizar os preços."

Uehara ainda diz ser contrário à medida adotada pela estatal. "Quanto mais sobem os preços, para nós é pior, estamos em uma situação de penúria, não temos mais capital de giro para comprar combustível."

Para o diretor do Procon Rio Preto, Arnaldo Vieira, a nova política da petroleira é extremamente lesiva ao consumidor, por conta da flutuação de preços. "Dessa forma é impossível fazer um planejamento financeiro para o mês, antes era possível se programar para abastecer," disse. Ele conta que, em novembro, a equipe do Procon percorreu 40 postos de combustíveis em Rio Preto e, dentre eles, 17 apresentavam os preços alinhados.

"Não há explicação para esse valor mínimo de variação. Além da mudança de preços no mesmo dia que a Petrobras eleva os valores da gasolina e do diesel. Afinal, esse distribuidor ainda tem o combustível antigo. Infelizmente não temos a quem recorrer, pois a investigação feita pelo Ministério Público desde 2016 está em segredo de Justiça."

Waze localiza menores preços

Divulgação Tela do aplicativo com a comparação entre dois postos de combustível
Tela do aplicativo com a comparação entre dois postos de combustível

Além de auxiliar motoristas a encontrar rotas com menos congestionamentos e a desviar de regiões com acidentes, o aplicativo Waze também tem função que ajuda a economizar. Recurso do app de navegação monitora os preços dos combustíveis.

A função disponível nas plataformas Android e IOS, além de usar a localização para encontrar os postos mais próximos, também permite filtrar os resultados pelos preços praticados. Dessa forma, fica mais fácil saber em qual distribuidor é vendido o combustível mais barato na cidade. Os dados são inseridos pelos próprios usuários do aplicativo. (IM)

Variação tem reflexos no valor do etanol

Johnny Torres/Arquivo Roberto Uehara, presidente do Sincopetro
Roberto Uehara, presidente do Sincopetro

Por conta desses reajustes da gasolina, o aumento da demanda para o etanol aumentou. Com isso o preço do biocombustível disparou. Na sexta-feira, 19, foi possível encontrar postos de combustíveis de Rio Preto vendendo o derivado de cana por R$ 3,069.

Segundo o presidente do Sincopetro, Roberto Uehara, a alta foi influenciada pelo período de entressafra, típica para esta época do ano, e acentuada pela demanda.

Mesmo não fazendo parte da nova política de preços da Petrobras, o combustível subiu 16% de julho a janeiro em Rio Preto. Desde agosto de 2015, o etanol saltou 80,7%, de R$ 1,698 para R$ 3,069 - considerando o maior valor encontrado na cidade. Com isso, alguns motoristas têm optado por abastecer o carro em cidades da região.

Em novembro, o Diário percorreu algumas dessas cidades, e pode constatar a diferença. Na época, foram coletados os preços em 23 postos. O menor valor foi encontrado em um posto de Mirassol e em outro de Tanabi. O etanol mais barato custava R$ 2,399 e a gasolina, R$ 3,759. Já em Rio Preto, o menor valor do litro do etanol foi R$ 2,699 e o da gasolina, R$ 3,899.

O pintor Lúcio Pedro da Silva aproveita quando tem trabalho em algumas cidades da região para abastecer. "Quando tem algum serviço em cidades vizinhas, abasteço com etanol para economizar. Fiquei sabendo que em José Bonifácio o etanol está R$ 2,64. Por isso abasteci o mínimo aqui, para completar o tanque quando chegar lá."

Já o vendedor João Paulo Cristovam tem evitado fazer negócios pessoalmente para economizar no combustível. "Como preciso abastecer todos os dias, procuro colocar aos poucos. Se o combustível estivesse mais em conta, essa economia ajudaria nas demais despesas." Como o vendedor faz algumas viagens pela região durante a semana, ele notou a diferença nos preços. "Quando passo pelas regiões de Fernandópolis e Votuporanga, aproveito e encho o tanque por lá. A diferença é bem grande." (IM)

Nova política tem prós e contras

Na nova política de preços da Petrobras, que está em vigor desde julho de 2017, o preço do diesel e da gasolina está atrelado diretamente ao preço do petróleo no mercado internacional. Desse modo, qualquer oscilação cambial, e do valor do petróleo, a estatal têm autorização para flutuar o preço desses combustíveis, 7% acima ou abaixo, de acordo com o preço do petróleo no mercado internacional.

Desde dezembro, o preço do petróleo disparou, regido pelas leis de oferta e demanda, mas com forte influência de eventos geopolíticos, como a explosão de um gasoduto no mês passado, que tirou do mercado 700 mil barris de petróleo.

Para a pesquisadora da FGV Energia, Fernanda Delgado, a nova política de preços tem seus pontos positivos. "De certa forma, a nova política é acertada, uma vez que demonstra que os preços dos combustíveis flutuam de acordo com o mercado internacional - atraindo possíveis investidores para o downstream brasileiro - e não de acordo com um tabelamento ou congelamento de preços do governo. Por outro, as constantes variações internacionais, influenciadas por múltiplos motivos, torna a variação constante," comenta a pesquisadora.

De acordo com a pesquisadora, enquanto o preço do petróleo estiver em alta no mercado internacional, essa oscilação será sentida no preço dos combustíveis no Brasil. "A expectativa é que depois do meio do ano possa ter um relaxamento no corte de produção das grandes produtoras petrolíferas."

O economista Hipólito Martins afirma que essa prática, embora seja assertiva para o setor de investimentos internacionais, peca por não levar em consideração o poder aquisitivo do país. "É preciso ser compatível com o poder de compra do país, pois da forma que está inviabiliza a economia interna, já que 62% de tudo que é transportado no país é através dos caminhões. Com os combustíveis subindo dessa forma, tira o poder de compra do trabalhador, e consequentemente ele deixa de consumir em outras cadeias produtivas, ou seja, a economia vai parando também." (IM)

Pedido de notal fiscal

Tem circulado nas redes sociais um boato de que, se todos os consumidores exigirem nota fiscal nos postos de combustíveis, o preço da gasolina abaixaria. No áudio, uma pessoa, que se identifica como motorista do aplicativo de transportes Uber, diz que foi alertado por um de seus passageiros, que seria diretor da Petrobras. No entanto, a informação é falsa, ou seja, o pedido de nota não tem o poder de alterar o valor dos combustíveis.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) informou através de nota que todos os tributos incidentes sobre os combustíveis, tais como ICMS, PIS/Cofins e Cide, são recolhidos antecipadamente pela Petrobras, refinaria ou pelas distribuidoras, dependendo do caso, através do regime de substituição tributária (ST), evitando assim a sonegação fiscal.

Vale ressaltar que a nota fiscal é um direito do consumidor e um dever do comerciante, beneficiando todos os agentes idôneos do mercado. O estabelecimento que negar esse direito estará cometendo crime contra o consumidor. (IM)

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