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Diário da Região

13/01/2018 - 19h37min / Atualizado 13/01/2018 - 19h37min

EMPREENDEDORISMO GRISALHO

Aposentados aproveitam tempo para empreender

Segundo Sebrae, a cada 10 pessoas que estão chegando à aposentadoria, uma pretende empreender nos próximos dois anos; ótima chance pra quem quer seguir na ativa e, de quebra, virar empresário

Guilherme Baffi 12/1/2017 Antonio Aydar, mesmo aposentado, continuava trabalhando, mas perdeu o emprego na crise e decidiu empreender
Antonio Aydar, mesmo aposentado, continuava trabalhando, mas perdeu o emprego na crise e decidiu empreender

A população de Rio Preto está envelhecendo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 13,76% (56.185 mil) dos rio-pretenses estão acima dos 60 anos. Além da redução no número de nascimentos, esse também é um reflexo do aumento na qualidade de vida das pessoas, que resulta em uma vida mais longa. Ainda segundo o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou para 75 anos, nove meses e sete dias (75,8 anos). Apenas nos últimos dez anos a população idosa do país aumentou em 50% e foi de 17 milhões, em 2007, para 26 milhões, neste ano.

Com o aumento da longevidade, diversos trabalhadores, ao se aposentarem, se veem com tempo hábil, disposição física, força de vontade e, muitas vezes, necessidade de complementar a renda.

Pensando nisso, o Sebrae aplicou uma pesquisa o Perfil do Potencial Empreendedor Aposentado , em que ouviu mais de 1,2 mil pessoas com mais de 50 anos, e elaborou uma cartilha direcionada a esse público. Os números mostram que esta é uma boa opção, especialmente com a resistência ainda existente no mercado de trabalho em absorver essa mão de obra.

Na mais recente pesquisa feita pelo Sebrae sobre o perfil do potencial empreendedor aposentado, ficou evidente a disposição para empreender entre aqueles que estão chegando à aposentadoria: 1 a cada 10 pretende empreender nos próximos dois anos. Estes veem o empreendedorismo como uma saída para manter ou melhorar o poder aquisitivo. Os futuros empreendedores maduros sabem o que querem: 80% já decidiram que tipo de negócio quer abrir (mais de 50% têm objetivos no comércio e 30%, no setor de serviços). Empreendimentos em alimentação foram os mais citados, com 1/4 das respostas.

Já quanto à área de atuação, a maioria dos que pretendem abrir um negócio ou empresa após a aposentadoria deve atuar nos setores do comércio (60%), serviços (30%).

De acordo com consultor do Sebrae Rio Preto Arthur Shoiti, metade da população idosa acaba empreendendo, seja de forma formal ou não. "Grande parte desses empreendedores que ficam na informalidade está desta forma por uma questão de necessidade, muitos não recebem uma pensão equivalente aos gastos que têm. Como exemplo, temos aquelas senhoras que começaram a cozinhar ou costurar como uma forma de complementar a renda."

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Aícro Júnior/Editoria de Arte)

Para Shoiti, essa população mais madura acabam saindo na frente dos mais jovens na hora de empreender. "Os pontos favoráveis são maiores. Por já terem adquirido maturidade suficiente, eles encaram os riscos com mais facilidade, não têm medo do que pode vir depois. O conhecimento adquirido ao longo dos anos contribui e muito. E além de contribuir com o mercado, eles já sabem exatamente o que eles querem.Já sabem quem eles são", diz Shoiti.

O diretor da Cegente, especialista em educação corporativa, Daniel Rodrigues tem percebido que algumas pessoas, após se aposentarem, continuam a trabalhar ou procuram se especializar de alguma forma por conta do estilo de vida. "Quando elas chegam a uma faixa de vida, têm uma certa dificuldade de permanecer no mercado. Muitos foram demitidos no período de crise e o empreendedorismo se tornou a alternativa para se manterem ativos", afirma Daniel.

Esse foi o caso do professor aposentado Antônio José Aydar. Ele trabalhou durante 30 anos em uma escola particular de Rio Preto e, em 2016, foi desligado. "Aquilo, na época, foi um choque para mim, mas em momento nenhum me vi em casa sem fazer nada. Embora eu já tenha trabalhado muito, sinto que ainda tenho muita coisa para fazer. Tenho 60 anos e não me considero velho", conta.

Antônio resolveu investir no segmento de franquias. Optou por uma rede que ainda não tinha em Rio Preto. "Meu filho me ajudou bastante nesse processo. Hoje, minha rotina é completamente diferente do que vivia no ambiente escolar. Procuro estar sempre por perto, converso com meus clientes, procuro saber como está o atendimento, o que pode melhorar."

A psicóloga Kátia Ricardi Abreu explica que a aposentadoria deixou de ser o fim da carreira profissional e passou a ser o fim de um ciclo em uma determinada função. "A aposentadoria é apenas mais uma formalização para uma renda merecida após anos de trabalho. Mas não é mais o fim. A pessoa reúne todos estes fatores: vigor físico, psicológico, existencial, tempo disponível, maturidade, necessidade de garantir uma vida digna, e consegue ter ideias para iniciar novos projetos na carreira", analisa.

Para Kátia, depressão e outras doenças psíquicas podem aparecer no aposentado que optou por não dar continuidade à sua carreira profissional. "Não há preenchimento do tempo cronológico com ações que garantam satisfação e prazer. Cuidar da casa, curtir os netos, sair com amigas, participar de grupos sociais, viajar, pode ser suficiente. Mas, para outras pessoas, pode não ser. A vida mansa não é o sonho de todos os seres humanos. Isso vai depender do que cada um quer para si."

Segundo a cartilha do Sebrae, a qualificação é caminho para o sucesso no empreendedorismo. "Muitos abrem um negócio sem o conhecimento do mercado em que desejam empreender, querem fazer algo completamente novo e não fazem uma pesquisa", afirma Shoiti.

Wilson resolveu empreender em sua área

Mara Sousa 11/1/2018 Quando Wilson Meneghini se aposentou, aos 48 anos, viu que ainda tinha muito a oferecer para o mercado, então resolveu abrir seu próprio negócio
Quando Wilson Meneghini se aposentou, aos 48 anos, viu que ainda tinha muito a oferecer para o mercado, então resolveu abrir seu próprio negócio

O aposentado Wilson Meneguini abriu uma loja de produtos de limpeza há dez anos, como uma alternativa para complementar sua renda. Wilson trabalhou por 32 anos em uma fábrica de produtos químicos e, após se aposentar, resolveu continuar no ramo em que atuava. "Eu queria continuar fabricando os meus produtos, mas existe uma burocracia muito grande, então a revenda desses produtos foi uma forma de dar continuidade ao meu trabalho", conta.

Wilson se aposentou por tempo de contribuição quando ainda tinha 48 anos de idade. "Eu era muito novo para parar, cheguei a trabalhar mais um tempo em outras empresas, mas chegou uma hora que cansei e acabei optando por trabalhar em um negócio meu", afirma.

Experiência

O caminho seguido por Wilson é o aconselhado por Walter Garcia, diretor da consultoria empresarial WG. Quem pretende abrir um negócio na aposentadoria deve aproveitar a experiência adquirida ao longo dos anos para lidar com pessoas e clientes, além de procurar algo que tenha familiaridade. "Evite os modismos, essas tendências costumam ter um prazo de validade muito curto. Procure empreender com algo que tenha potencial de mercado, mas que apresente sintonia e familiaridade com o seu perfil, e com o que você já trabalhou anteriormente", afirma Garcia. (IM)

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