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Diário da Região

10/01/2018 - 22h47min / Atualizado 10/01/2018 - 22h47min

IPCA

Inflação acumulada tem queda histórica

Resultado de 2017 também ficou abaixo do limite inferior de 3% da meta de inflação

Mara Sousa 30/3/2017 Alimentação teve ligeira queda, embora carne bovina tenha aumentado
Alimentação teve ligeira queda, embora carne bovina tenha aumentado

A inflação de 0,44% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em dezembro foi a mais elevada registrada ao longo do ano de 2017. A taxa acumulada em 12 meses subiu de 2,80% em novembro para 2,95% em dezembro. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em contrapartida, a taxa acumulada no ano de 2017, de 2,95%, foi o menor resultado para um fechamento de ano desde 1998, quando o IPCA ficou em 1,65%.

O resultado de 2017 também ficou abaixo do limite inferior de 3% da meta de inflação estipulada pelo governo. A meta central definida para o ano passado foi de 4,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

Foi a primeira vez que o IPCA ficou abaixo de um limite mínimo de inflação amparado no sistemas de metas, que foi criado em 1999. Em 2016, o índice havia acumulado alta de 6,29%. Em 2015, a inflação acumulada do indicador do IBGE foi de 10,67%

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Aícro Júnior/Editoria de Arte)

Os dez vilões

A inflação de 2017 foi marcada pelo reajuste de itens monitorados pelo governo. Na lista das dez maiores pressões, sete eram itens chamados administrados, segundo o IBGE.

"Apenas dez itens responderam por 87% do IPCA de 2017. Esses mesmos itens tinham respondido por 32% do IPCA no ano anterior. Apenas três deles em 2017 não são itens monitorados", apontou Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

A alta de 13,53% no plano de saúde exerceu a maior pressão o IPCA de 2017, uma contribuição de 0,48 ponto porcentual para a taxa de 2,95% acumulada no ano. Em segundo lugar figurou a gasolina, com aumento de 10,32% e impacto de 0,41 ponto porcentual, seguida pela energia elétrica, 10,35% mais cara, o equivalente a um impacto de 0,35 ponto porcentual.

Não por acaso o IPCA de 2017 foi puxado pelos grupos Habitação (com alta de 6,26% e impacto de 0,95 ponto porcentual), Saúde e Cuidados Pessoais (com alta de 6,52% e impacto de 0,76 ponto porcentual) e Transportes (com alta de 4,10% e impacto de 0,74 ponto porcentual). Juntos, os três grupos representaram 2,45 ponto porcentual do IPCA, ou 83% da inflação do ano. O resultado só não foi mais elevado porque o grupo Alimentação e Bebidas caiu 1,87%, com uma contribuição negativa de 0,48 ponto porcentual em 2017.

No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, a pressão foi dos planos de saúde, mas também dos remédios (4,44%). Os dois itens têm peso importante no orçamento do consumidor, 3,88% e 3,47%, respectivamente. A Agência Nacional de Saúde (ANS) concedeu, em 2017, um reajuste de até 13,55% para os planos de saúde. Nos remédios, o reajuste máximo autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) foi de 4,76%.

Combustíveis

Nos Transportes, os destaques, além da gasolina, foram ônibus intermunicipal (6,84%), emplacamento e licença (4,29%), ônibus urbano (4,04%), conserto de automóvel (2,66%).

Em vigor desde 3 de julho de 2017, a nova política de preços da Petrobras - que permite à área técnica da companhia reajustar os preços dos combustíveis nas refinarias para acompanhar a taxa de câmbio e as cotações internacionais de petróleo e derivados - pressionou os preços dos combustíveis no varejo.

De 3 de julho a 28 de dezembro, quando encerrou a coleta do IPCA do último mês, foram concedidos 115 reajustes nos preços da gasolina, acumulando um total de 25,49% de aumento. Em julho, houve ainda reajuste na alíquota do PIS/Cofins dos combustíveis. Na gasolina, a alíquota passou de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro.

Os demais grupos com aumentos no ano foram Educação (7,11%), com destaque para os cursos regulares (8,37%); Despesas Pessoais (4,39%), com influência do item empregado doméstico (6,47%); Vestuário (2,88%), impactado por calçados (4,01%); e Comunicação (1,76%), com alta de 6,04% no telefone celular.

 

Preços nos supermercados cedem

Aícro Júnior/Editoria de Arte

Uma boa notícia para o consumidor neste início de 2018, seguida de outra não tão boa. É que 2017 foi favorável para as compras, conforme apontou o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Apas/Fipe. No acumulado de janeiro a dezembro de 2017, a inflação dos supermercados registrou queda de 2,30% e atingiu o menor valor desde o início de sua medição, em 1994. Anteriormente, a retração mais baixa registrada aconteceu no ano de 1998, quando o índice apontou redução de 2,26%. A má notícia é que a tendência é de alta este ano.

"O resultado surpreendente é decorrente de dois fatores. Um deles foi a safra recorde brasileira no último ano, que superou todos os prognósticos. Este resultado, principalmente nos grãos, fez também com que os rebanhos bovino, suíno e aves fossem beneficiados com melhores preços para a ração, por exemplo, o que ajudou na redução no preço das carnes", explicou o economista da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Thiago Berka.

Para o economista, é importante notar também uma mudança no comportamento do consumidor em razão da crise. "Apesar dos dois anos de PIB negativo (2015 e 2016), foi em 2017 que o pico do desemprego ocorreu (13,7% da população economicamente ativa ou 14 milhões de pessoas no 1º trimestre). A redução do desemprego foi alcançada apenas em novembro, influenciada pelo emprego informal, empregados domésticos e conta própria, sem resposta ainda do emprego com carteira assinada. Portanto, o consumidor chegou em 2017 extremamente cauteloso e sem renda suficiente para gastar de forma a absorver a maior oferta no mercado alimentício", concluiu.

Apesar do resultado animador, para o acumulado de 2018 a previsão da Apas é que os preços subam entre 3 a 4%. "O nível de emprego continuará aumentando e com melhora nos empregados com carteira assinada, o que vai tornar a demanda mais robusta. Além disso, a safra de 2018 será excelente novamente, porém não brilhará tanto quanto em 2017, com previsões de que seja 6% pior", avaliou Berka.

 

Índice teve aumento em dezembro

Se no acumulado de 2017 o índice fechou em queda, no mês de dezembro o índice subiu 0,27%, valor considerado baixo dado que, tradicionalmente, dezembro é um mês de aumentos maiores na inflação devido a demanda maior nas compras de final de ano. Os vilões que fizeram com que o índice subisse no último mês de 2017 foram as frutas e carnes, principalmente bovinas. Coxão mole, contrafilé, patinho e acém contribuíram com cerca de 23% do aumento do IPS dezembro mas foram fortemente contrabalançados por quedas das carnes suínas e aves.

Os preços das carnes subiram 0,72% em dezembro, puxados pela carne bovina (3,93%) e dos pescados (1,20%). Por outro lado, as aves demonstraram queda (1,16%), junto com suínos (3,30%) e leite (0,37%), que puxaram os resultados do grupo para baixo. No acumulado do ano de 2017, os produtos semielaborados registraram redução de 5,64%.

Já os produtos industrializados subiram 0,24% em dezembro. Surpreendeu o pequeno aumento dos panificados, incluindo os panetones, de 0,39%. Já os doces tiveram redução de 0,84%, com o chocolate em queda de 0,36%, o que causa surpresa, pois é um produto muito demandado como presente no Natal. No acumulado de 2017, os produtos industrializados fecharam em queda de 1,40%.

No geral, produtos in natura caíram 0,34% em dezembro. Este número só não foi menor por conta das frutas que responderam a maior demanda do mês, já que são tradicionais e tiveram alta de 1,94%. Laranja (6,99%), banana (5,69%), maçã (4,39%), mamão (7,02%), abacaxi (4,20%) e maracujá (6,60%) foram os principais aumentos. Importante salientar que todas estas frutas, exceto o maracujá, estão em período de fim de safra ou entressafra em dezembro tornando os preços mais instáveis. No acumulado de 2017, os produtos in natura fecharam em queda de 4,28%.

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