X
X

Diário da Região

29/01/2018 - 18h28min / Atualizado 30/01/2018 - 09h19min

ULTIMO RISO

Janeiro Brasileiro da Comédia chega ao fim nesta terça

Edição de 2018 do Janeiro Brasileiro da Comédia chega ao fim nesta terça-feira com dois espetáculos: Mala Sem Alça, Palhaço Sem Calça e Zabobrim, O Rei Vagabundo

Paula Poltronix/Divulgação Zabobrim é resultado de uma união das linguagens do Circo Teatro e da Commedia del'Arte
Zabobrim é resultado de uma união das linguagens do Circo Teatro e da Commedia del'Arte

Oito dias, nove espetáculos e as mais diversas abordagens do humor. Teve palhaçada, teve bufonaria, teve poesia e teve crítica. A 16ª edição do Janeiro Brasileiro da Comédia chega ao fim nesta terça-feira, 30, com a comédia cumprindo sua função, colocando no centro da discussão questões atuais sem perder o riso.

Para o fechar das cortinas, dois espetáculos colocam o palhaço no centro das atenções e, mesmo com referências e abordagens diferentes, ambos buscam no tradicional seu ponto de partida. A primeira é Mala Sem Alça, Palhaço Sem Calça, único espetáculo do festival que sai do palco do Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto e toma a praça Cacilda Becker como cenário. A apresentação está marcada para 18h.

Em Mala Sem Alça, o palhaço Biancorino Bolofofo, do ator Alexandre Casali, irá tratar da arte de rua, do circo e da arte do palhaço como assunto de reflexão para o público. Com um roteiro clássico de arte de rua, no estilo do que se faz nos festivais de rua da Europa e da América do Sul, o Palhaço Biancorino vem encantando milhares de pessoas desde 2002.

Segundo Alexandre, o espetáculo nasceu da necessidade de sobrevivência. "Por seu espaço alternativo. Na arte de rua, eu posso levar o espetáculo até o público, não preciso esperar que ele venha até mim. Além disso, foi uma forma de potencializar minha arte. Na rua, é muito complicado, qualquer coisa o público vai embora. Então, o trabalho para mantê-lo entretido é maior que em um teatro, onde, normalmente, as pessoas só saem se se sentem ofendidas ou não gostam de forma alguma do que estão vendo", conta.

Alexandre executa números clássicos da tradição do circo e do palhaço ao mesmo tempo em que mescla piadas de mestres da palhaçaria e técnicas tradicionais dos artistas de rua do mundo. E pela improvisação introduz o público no espetáculo ativamente, mais uma forma de mantê-lo envolvido, devolvendo a ele o poder.

"Trazendo duas pessoas da plateia para o espetáculo, elas representam todos que estão assistindo. É uma forma de requalificar a interatividade quebrando aquela ideia que as pessoas têm de que serão ridicularizadas. Não estou ali para isso", diz o ator.

Circo e Commedia dell'Arte

Já a Cia. Barracão Teatro, de Campinas, ficou incumbida de fornecer material para o último riso da edição. A partir das 20h, eles sobem ao palco do Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto com Zabobrim, O Rei Vagabundo, um espetáculo é resultado da imersão do grupo em dois universos clássicos do humor, o Circo Teatro e a Commedia dell'Arte.

"Começamos a entrar em contato com o mundo do Circo Teatro em 2009, mais ou menos. Fui apresentar um número em alguns circos do interior do Estado de São Paulo e percebi uma semelhança com o que era feito na época da Commedia dell'Arte durante seu período de trezentos anos, mais ou menos", recorda Esio Magalhães, que foi responsável pela dramaturgia de Zabobrim em parceria com Tiche Vianna, que dirige a obra.

Esio ainda protagoniza como o palhaço Zabobrim, acompanhado de um elenco formado por Cintia Birocchi, Raíssa Guimarães, Rodrigo Nasser e Ulisses Junior.

A semelhança está no perfil de adaptação das duas formas de humor. Na Commedia dell'Arte, as trupes chegavam a uma cidade para apresentar seus espetáculos e, devido ao longo tempo de permanência em um mesmo local, precisavam variar seus espetáculos. "E é isso que acontece com esses circos itinerantes que transitam pelo interior do Estado", compara Esio.

Daí nasceu a história de Zabobrim, o palhaço vagabundo que remexe o lixo e encontra uma lâmpada mágica. Dela sai um gênio, que lhe concede três pedidos e ele pede para se tornar rei. Seu desejo é realizado e Zabobrim retorna ao passado, quando o fim da monarquia se anuncia e os reis estão perdendo suas cabeças.

E assim como é habitual nos trabalhos do Barracão, o riso vem acompanhado de reflexão, cumprindo o perfil crítico do humor. "Temos uma premissa de trabalho que é o riso que celebra todas as possibilidades da vida. A gente gosta de trabalhar com a comicidade pensando em celebrar a possibilidade de coexistirmos, de convivermos. É uma questão de aproveitar essa abertura que o riso nos dá, que nos aproxima, para, nesse momento de comunhão, de cumplicidade, debater injustiças e questões sobre o poder que muitas vezes desvirtua projetos de nação, de cidadania", pontua Esio.

Serviço

  • Mala Sem Alça, Palhaço Sem Calça, terça-feira, 30, às 18h, na praça Cacilda Becker. Entrada gratuita
  • Zabobrim, o Rei Vagabundo, terça-feira, 30, às 20h, no Teatro Municipal Humberto Sinibalidi Neto. Entrada um litro de leite

Edição consolidou investigação do humor

Tanto para a Secretaria Municipal de Cultura, que organizou o Janeiro Brasileiro da Comédia, quanto para quem acompanhou, o sentimento já era de saldo positivo nesta segunda-feira, caminhando para o grande final nesta terça-feira.

"A edição deste ano do JBC veio consolidar o potencial investigativo no gênero comédia e ofereceu ao público uma paleta significativa das possibilidades cênicas que fundamentam o humor. Dessa forma, o festival criou um espaço propício à reflexão e discussão aprofundada sobre todos os expedientes que cercam o gênero. O público acompanhou uma mostra importante destas referências e também complementou sua formação por meio dos debates coordenados pelo professor Alexandre Mate", analisa o assessor da Secretaria de Cultura e curador do festival, Jorge Vermelho.

Para o ator e diretor Linaldo Telles, que participou da comissão de seleção dos espetáculos e foi acompanhar todas as apresentações, o sucesso começou na decisão da curadoria de partir de um tema para a seleção das obras. "Fomos guiados pelo pensamento de que maneira a gente poderia, pelo festival, contribuir para a conscientização da sociedade rio-pretense. De que forma a gente apresentaria um leque de espetáculos que, além de entretenimento, pudesse contribuir para a reflexão, para o debate, para a denúncia social", conta.

E assistindo aos espetáculos, ali, junto com o público, a sensação de Linaldo foi de que havia uma ansiedade muito grande da plateia. "Era como se as pessoas estivessem em busca de uma resposta, de alguma coisa. Não saberia te explicar o que. Mas os espetáculos vinham de encontro com essa necessidade, suprindo essa necessidade com o riso." (BC)

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso