Diário da Região

14/01/2018 - 00h30min / Atualizado 13/01/2018 - 16h41min

DO LIXO AO LUXO

Autodidata cria esculturas de dinossauros e heróis com ferro velho

Autodidata, Adalto Costa cria esculturas de dinossauros, figuras histórias e até de super-heróis a partir de peças de ferro velho; experiência como mecânico ajuda na criação

Fotos: Mara Sousa 10/1/2018 As esculturas criadas por Adalto Costa ficam em frente a sua casa em Mirassol
As esculturas criadas por Adalto Costa ficam em frente a sua casa em Mirassol

Depois de uma vida toda trabalhando como mecânico de motos, Adalto Costa, 48, viu na arte uma possibilidade de mudança. Viu que ela poderia trazer novo significado para sua vida e apontar para um futuro melhor realizando um trabalho que o deixa feliz e empolgado. Isso foi há mais ou menos quatro anos, quando Adalto, que vive em Mirassol, tinha 44 anos e começou a construir peças variadas, de robôs a dinossauros e super-heróis, a partir do material encontrado em ferro velho ou que iria para o lixo.

Mas o caminho para essa decisão não foi fácil. A vida, como ele mesmo descreve, foi turbulenta por alguns anos, com uma fase dela tomada pelas drogas e bebidas. "Vivia em festas. Em 2007, resolvi procurar ajuda em Jaci, com os freis. Passei por um processo de internação de 128 dias e consegui me livrar desses vícios", conta.

Depois que teve alta, Adalto voltou imediatamente a exercer seu trabalho como mecânico de motos. Ficou aproximadamente um ano trabalhando como empregado até que resolveu abrir uma oficina própria. Em 2009, as coisas começaram a mudar. "Perdi minha mãe e, no dia em que o médico disse que ela não voltaria mais para casa, criei minha primeira miniatura, uma escultura de uma moto de três rodas", recorda.

Entretanto, as esculturas seguiram como um hobby até 2014, quando Adalto sofreu um acidente de moto. Ele caiu em um buraco e quebrou o fêmur. Com isso, teve que ficar um tempo parado, pois não conseguia consertar as motos.

"Com o acidente, resolvi começar a investir na criação das esculturas. Comecei a fazer meus primeiros robôs grandes. Tinha essa vontade de mudar um pouco a área de trabalho e minha própria situação levou para esse rumo. Não sei o que aconteceu que a criatividade aflorou, não sei se foi a pancada que mexeu com os neurônios, mas tudo mudou", brinca.

Da primeira escultura de moto criada lá em 2009 até aqui, já são mais de 460 peças de todos os tamanhos e tipos. Sua especialidade são motos e robôs, mas Adalto faz o que o cliente pedir. De Capitão América a Dom Quixote. De um peixe a São Francisco de Assis.

Autodidata

O conhecimento de Adalto como mecânico de motos foi fundamental para o desenvolvimento do seu lado artístico. Sem nunca ter feito um curso sequer, ele foi desenvolvendo as esculturas só com as técnicas que já tinha e a vontade de criar.

"Não precisei de escola para aprender, aprendi na consequência. Era mecânico, então já tinha noção e conhecimento de peças, de solda, tinha amizade com pessoas de ferro velho, onde pego grande parte do material que uso", explica.

As esculturas de Adalto são criadas com material reciclado, pedaços de veículos que vão para ferro velho e outros elementos que seriam descartados. "Tudo reciclado, mas grande parte do material que uso é comprado. Algumas coisas até ganho, mas compro a maior das peças."

O trabalho como escultor também tem um papel importante na sobriedade de Adalto, ele serve como distração, uma forma de ocupar a cabeça e deixar totalmente no passado sua história com as drogas.

Trabalhos de destaque

Entre os maiores trabalhos de Adalto está uma escultura em tamanho real de Dom Quixote e seu parceiro Sancho Pança, uma encomenda da prefeitura de Mirassol que foi colocada na Praça Matriz da cidade. "Eles me pediram para fazer uma estátua homenageando a colônia espanhola, tão marcante na cidade e na região, por isso o Dom Quixote", conta.

Ele também fez um São Francisco de Assis para a Associação Lar São Francisco de Assis, de Jaci, onde ficou internado para o tratamento de seus vícios. A estátua tem quatro metros e meio de altura. Agora, está finalizando um São Jorge de mais ou menos três metros e meio de altura.

"Essas esculturas muito grandes dão trabalho não só pelo porte, mas também pelas peças. Para conseguir criar a estrutura ideal, preciso de peças grandes."

Agora, o sonho dele é fazer a maior escultura de sua carreira. "Gostaria muito de criar algo de uns dez metros de altura, mas, para isso, é preciso dinheiro e um espaço para a construção. Tem que ser um local em que eu possa construir e a peça ficará por lá", planeja.

Adalto aceita encomendas de esculturas. Os preços variam muito dependendo da complexidade do trabalho e do tamanho. As esculturas menores e mais simples custam em torno de R$ 150. Mas não há um teto. "Robôs grandes custam em torno de R$ 2,5 mil, R$ 3 mil. Tudo depende", diz.

 

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