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Diário da Região

31/01/2018 - 22h50min / Atualizado 01/02/2018 - 10h15min

Mosquito que custa caro

Guerra contra o Aedes consome R$ 80 mil do SUS

O SUS de Rio Preto gastou R$ 80 mil para tratar doentes que ficaram internados por dengue em 2016, ano da última epidemia da doença - dinheiro que poderia ser investido em outras áreas da saúde

Divulgação/Ivan Feitosa/SMCS Área em que moradores jogam entulho: Prefeitura iniciou mutirão de limpeza para eliminar criadouros
Área em que moradores jogam entulho: Prefeitura iniciou mutirão de limpeza para eliminar criadouros

As internações de rio-pretenses por dengue em 2016 custaram ao Sistema Único de Saúde (SUS) R$ 80 mil. Juntos, os 172 pacientes que precisaram ser hospitalizados passaram 660 dias sob cuidados médicos. Naquele ano, Rio Preto teve 16.126 casos da doença. Já no ano passado, o número de casos foi 552 e, até novembro, 39 pessoas haviam sido internadas pela doença, gerando um custo de R$ 17,2 mil. A queda de um ano para outro é de 78,5%. O valor gasto com o tratamento poderia ter sido investido em outras áreas.

Para ressaltar o quanto custa conter o avanço da dengue e das outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti - zika e chikungunya -, a Sense Company fez um estudo que apontou que o Brasil teve prejuízo de R$ 2,3 bilhões, um impacto de 2% no Produto Interno Bruto (PIB), em decorrência das doenças. A empresa faz análises econômicas para empresas farmacêuticas e realizou este trabalho sob encomenda da Oxitec, produtora de Aedes aegypti trânsgênicos.

Combater o avanço do mosquito é uma forma de economizar. Em material enviado ao Diário, a Prefeitura afirmou que em 2017 aumentou o número de vistorias em imóveis para eliminação de criadouros do Aedes, além de empreender outras ações como projetos; cursos sobre a área para professores da rede municipal e parcerias com secretarias, associações e igrejas.

No primeiro balanço de arboviroses de 2018, divulgado nesta quarta, 31, a dengue mantém a tendência de recuo. Foram confirmados dois casos - no mesmo mês do ano anterior foram 16 - e 106 seguem em investigação.

A zika, no entanto, já fez nove doentes neste ano, nenhum deles gestante. No ano passado inteiro, foram 38 vítimas, aponta a SMS, número 87,96% menor que as 308 de 2016. A zika causa preocupação porque o vírus está relacionado à microcefalia, malformação neurológica em bebês, e outros problemas em crianças. Nenhum caso de chikungunya foi constatado em janeiro. Durante 2017 inteiro foram 14 registros.

Andreia Negri Reis, gerente da Vigilância Epidemiológica de Rio Preto, fala que há chance de que zika e chikungunya acometam mais pessoas em 2018. "Considerando que os vírus circulam há poucos anos e que ainda temos grande parcela da população suscetível." A dengue pode avançar se o sorotipo circulante for algum diferente dos predominantes hoje, como DEN3. "No momento os sorotipos circulantes são o DEN1 e o DEN2, que foram responsáveis pelas últimas epidemias, portanto com menor número de pessoas suscetíveis", explica Andreia.

Gastos no Brasil

O valor levantado pela Sense Company é considerado pelos próprios autores como conservador, uma vez que não levou em conta prejuízos de longo prazo com a microcefalia e outras doenças neurológicas nem com a morte de alguns pacientes.

"Representa o mínimo impacto que as doenças tiveram em 2016. É daí para cima", afirma Vanessa Teich, professora do Insper, fundadora da Sense Company e líder do estudo. "Se pensarmos que significa 2% do PIB, é um custo relevante de doenças que poderiam ser evitadas. É um gasto importante que poderia ser investido em outros fins, em outras áreas de saúde mesmo", defende. Segundo Vanessa, os dados refletem ainda um outro complicador - os gastos não têm efeito de longo prazo, de modo a assegurar o País contra novos surtos das doenças. Foram todos emergenciais.

(Com Agência Estado)

Doze macacos achados mortos

Em janeiro, 12 macacos foram encontrados mortos em Rio Preto. É o que aponta o levantamento divulgado nesta quarta-feira, 31, pela Secretaria Municipal de Saúde.

De cinco dos animais não foi possível coletar amostras de sangue, portanto não será possível saber a causa da morte. Material dos outros sete foi enviado ao Instituto Adolfo Lutz. O resultado definitivo ainda não saiu.

Os macacos foram achados nos bairros Caic, Cidade Jardim, Engenheiro Schmitt, Jaguaré, São Deocleciano e São Francisco - onde estavam quatro deles.

O macaco não transmite a febre amarela. Quando algum deles morre e é diagnosticado com a doença, as autoridades de saúde conseguem traçar planos de combate ao vírus, pois a morte do animal mostra que os mosquitos, os únicos transmissores, estão agindo no local. A vacina está disponível em todas as unidades básicas de saúde e é o meio mais eficaz de combater a febre amarela.

Até o dia 30 de janeiro, 43 pessoas morreram no Estado de São Paulo em decorrência da doença. (MG)

Números do Aedes

  • R$ 2,3 bilhões é o prejuízo estimado causado por dengue, zika e chikungunya no Brasil em 2016
  • 172 moradores de Rio Preto foram internados com dengue em 2016 a um custo de R$ 80 mil para o SUS
  • Em 2017, até novembro, foram 39 internações a um custo de R$ 17,2 mil para o sistema público de saúde
  • Esses números representam uma redução de 77,3% nas internações e de 78,5% nos gastos em relação ao ano anterior
  • Em 2018, foram confirmados dois casos de dengue em Rio Preto
  • Em 2018, foram confirmados nove casos de zika vírus em Rio Preto, nenhum deles em gestante.
  • O número representa um aumento de 800% em relação ao mesmo período do ano passado, quando havia um paciente com a doença.

Fontes: Departamento de Informática do SUS (Datasus), Secretaria Municipal de Saúde e Sense Company

 

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