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Diário da Região

26/01/2018 - 22h25min / Atualizado 26/01/2018 - 22h25min

HPV

Ameaça à saúde dos humanos há 500 mil anos

Desde essa época o HPV infecta seres humanos, segundo estudo que pesquisadora de Barretos participou, em parceria com instituto da Espanha. Vírus é o principal causador do câncer de colo de útero

Divulgação/Hospital do Câncer de Barretos Cristina Mendes de Oliveira é bioquímica 
do Hospital de 
Câncer de Barretos
Cristina Mendes de Oliveira é bioquímica do Hospital de Câncer de Barretos

O papiloma vírus humano (HPV) infecta os seres humanos há mais de 500 mil anos. É o que descobriu uma pesquisa realizada pela bioquímica Cristina Mendes de Oliveira, do Hospital do Câncer de Barretos. O estudo genético foi desenvolvido no Instituto Catalão de Oncologia (ICO), em Barcelona, na Espanha, e também é assinado por Ville Pimenoff e Ignacio Bravo, do ICO.

As infecções atingiram indivíduos humanos pertencentes à ancestral comum do homem moderno (Homo sapiens), dos neandertais da Europa e dos denisovanos da Ásia. De acordo com Cristina, o objetivo do estudo era entender a razão pela qual algumas pessoas que tinham HPV desenvolviam tumores e outras não. "O único jeito de tentar entender isso era ver como o vírus tinha evoluído, porque isso podia explicar porque algumas conseguem eliminar e outras não", explica a bioquímica.

O HPV16 é um dos subtipos do vírus e responsável por 50% de todos os cânceres de colo de útero. Ele pode ser dividido em quatro variantes: A, B, C e D. Descobriu-se que as variantes e seus subtipos variam conforme a região do mundo e que o potencial oncogênico - ou seja, de provocar tumores - não é o mesmo para todos e varia em associação com diferentes etnias.

A pesquisadora explica que quanto mais se convive com um vírus mais ele se adapta ao sistema imune do hospedeiro - ou seja, do ser humano - e a chance de uma doença surgir é menor. "Um vírus que já vem evoluindo há muito tempo em determinada etnia geralmente nela não causa doença. Infecta uma outra etnia que tem sistema imune diferente, que não está acostumada com aquele vírus, ele já é mais agressivo."

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Belisário/Editor de Arte)

A variante A do HPV 16 (sublinhasgens 1, 2 e 3) e a variante D são predominantes nas Américas, na Europa, no Oriente Médio e no subcontinente indiano. Isso significa que a população dessa regiões é mais "resistente" aos tumores provocados por esses tipos do vírus - e mais vulnerável a outras variantes e subtipos. No norte da África prevalecem as sublinhagens A1, A2 e A3. Na África subsaariana são mais presentes as variantes A e C. No leste e sudeste da Ásia sobressai-se a sublinhagem A4.

A divergência entre os ancestrais de humanos modernos (Homo sapiens), que permaneceram na África, e as linhagens dos neandertais e dos denisovanos, que evoluíram e se estabeleceram fora da África, corresponderia ao surgimento da variante A entre neandertais e denisovanos, e das variantes B, C e D em sapiens. "Essa evolução de mais de 500 mil anos consegue explicar o que a gente vê hoje", acredita.

Para desenvolvimento do estudo, era preciso mapear as variantes do HPV16 em cada lugar do mundo. Foram mapeados 1.719 casos de câncer cervical em todo o mundo, complementados pelos 118 genomas de HPV16 disponíveis no banco público GenBank. Foram obtidas 1.601 sequências parciais isoladas em que estava compreendido um gene do HPV16 ligado ao aparecimento de tumores. Chegou-se a 1.680 sequências isoladas de HPV cuja origem geográfica podia ser constatada com precisão.

Segundo Cristina, acreditava-se até então que a evolução do vírus junto com o humano havia criado a diversidade viral, mas pelo estudo comprovou-se a segunda hipótese da equipe. "Que um ancestral do HPV16 já existia muito tempo atrás e que teria infectado um ancestral do homem moderno."

A pesquisadora fala que essa foi a primeira análise do mundo que mostrou a evolução. "O que a gente espera é que no futuro possa diagnosticar não só se o paciente tem essa ou aquela variante. Junto com a etnia dela a gente quer saber se tem maior ou menor risco de desenvolver câncer", acredita.

HPV

Entre 2016 e 2017 o número de casos de HPV com verrugas, que podem evoluir para tumores, cresceu em Rio Preto. Em 2016, foram diagnosticadas com a doença 233 pessoas. No ano seguinte, o número aumentou em 26,6% e foi para 295. O método mais eficaz de combater essa forma da doença é a utilização de preservativos nas relações sexuais.

(Com Agência Fapesp)

Vacina está disponível

A rede pública de saúde oferece imunização contra o vírus para meninos e meninas. Elas devem receber as duas doses necessárias para completa proteção entre os 9 e os 15 anos. Já eles devem ser vacinados entre 11 e 14 anos. O intervalo entre a primeira e a segunda dose deve ser de seis meses.

Em Rio Preto, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, menos da metade dos meninos em cada faixa etária concluiu a vacinação. Entre as meninas, a cobertura é maior, mas ainda não atingiu a totalidade.

A dose protege contra quatro subtipos do vírus, que está relacionado ao surgimento de lesões pré-cancerosas e tumores de orofaringe, pênis e ânus nos homens e tumores de vagina e colo de útero das mulheres - este último é a quarta causa de mortes de mulheres no Brasil, de acordo com o governo federal.

Além de crianças e adolescentes, devem tomar a vacina contra o HPV pessoas com idade entre 9 e 26 anos que vivem com HIV ou AIDS, transplantados e quem faz tratamento contra o câncer. (MG)

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