X
X

Diário da Região

27/01/2018 - 18h41min / Atualizado 27/01/2018 - 18h40min

DIREITOS TRANS

Dia da Visibilidade, da luta às conquistas

Para Comissão de Diversidade Sexual da OAB, opressão começa em casa

Mara Sousa 27/1/2018 Rachel Silveira Stefanini:
Rachel Silveira Stefanini: "Acima de tudo a gente tem que se aceitar"

O Dia da Visibilidade Trans é comemorado em 29 de janeiro. Neste ano, a comunidade transexual e de travestis tem o que comemorar, mas há um longo caminho a percorrer. Um dos avanços é a possibilidade de declarar, no boletim de ocorrência do Estado de São Paulo, o nome social, orientação social, identidade de gênero e o motivo presumido de discriminação e violência motivada por orientação sexual e identidade de gênero.

O Conselho Nacional de Justiça reconhece uniões homoafetivas e o nome social. Nas escolas estaduais paulistas, os alunos podem escolher o nome pelo qual querem ser identificados. Por outro lado, em 2017 foram assassinados 179 homens e mulheres trans e travestis. Quinze deles apenas no Estado de São Paulo, conforme a Associação Nacional de Travestis (Antra).

Conforme a Associação da Parada do Orgulho LGBT, 29 de janeiro foi escolhido como o dia da Visibilidade Trans porque foi nesta data, em 2004, que travestis, homens e mulheres trans entraram no Congresso para lançar uma campanha por respeito.

O Grupo de Amparo ao Doente de Aids (GADA) de Rio Preto estima que hoje existam de 12 a 15 homens passando por atendimento no Ambulatório T, dedicado a atender esse público, e de 30 a 40 mulheres passando pelo mesmo procedimento (de readequação sexual), e cerca de 100 travestis.

Para Rachel Silveira Stefanini, cabeleireira de 41 anos, membro da Comissão da Diversidade de Gênero da OAB de Rio Preto e conselheira estadual dos Direitos da População LGBT e da Antra, travestis e trans nascem assim. "Não é opção, como dizem. A todo tempo e até hoje existem preconceito e os 'nãos'. Mas acima de tudo a gente tem que se aceitar, tentar se incluir e aprender a conviver com o preconceito."

Rachel foi a primeira travesti de Rio Preto a ter uma cerimônia de casamento - no ano passado, uniu-se a André Luiz Stefanini, de 29 anos. "O sexo ou a genitália não me definem. Ter alguém ou estar casada não é por isso e sim pela pessoa, companheirismo."

Ela considera que a população LGBT tem que se aceitar e se unir para conseguir inclusão no mercado de trabalho. "E mostrar que nós, enquanto seres humanos comuns, somos capazes de trabalho, de ter educação, saúde igualitária humanizada", diz.

O músico e jardineiro Cairo Francisco Neres Rodrigues, de 24 anos, conta que não houve uma descoberta de sua transexualidade. "Desde que me conheço por gente não gosto do meu corpo feminino. Conforme fui crescendo sempre tive aversão ao crescimento da mama e roupa", afirma. Como não tinha entendimento sobre o que era a transexualidade, até os 15 anos acreditava que era uma menina homossexual.".

Cairo relata que sofreu preconceito dentro da família. "Hoje a gente já tem tudo isso bem resolvido e posso resumir a relação com minha família com a palavra plenitude."

Para escapar do preconceito e da violência, Cairo deixou de tocar em bandas e hoje dá aulas de música para crianças. E reclama da dificuldade para encontrar um emprego formal. "Trabalho registrado é muito difícil por conta da documentação, ainda não tenho os documentos retificados. A transfobia no mercado é implacável, principalmente pela questão física", lamenta ele, que tem intenção de fazer um balcão de empregos para trans.

Acolhimento

Célio Furlan Pereira, coordenador da Comissão de Diversidade Sexual da OAB de Rio Preto, pondera que a opressão começa em casa - os trans e travestis não encontram apoio na família, na escola ou na igreja. "Acabam sendo acolhidos pelo crime."

Célio orienta que os trans e travestis têm na Ordem dos Advogados do Brasil, na Defensoria Pública e na polícia canais de atendimento e denúncias. "Temos uma constituição muito boa. A maioria das causas vinculadas a travestis e transexuais estão amparadas na dignidade da pessoa."

Um dos planos da Comissão é criar o Conselho Municipal LGBT. "Dentro dele temos projeto de centros de acolhimento para essas pessoas, que seja multidisciplinar e envolva a família. Uma família não pode expulsar de casa um filho de dez, 12 anos de idade. Tem responsabilidades sobre aquela criança."

 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso