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Diário da Região

27/01/2018 - 18h13min / Atualizado 27/01/2018 - 18h13min

DE OLHO EM VOCÊ

Rio Preto tem uma câmera para cada 11 moradores

Número de câmeras espalhadas por Rio Preto já chega à proporção de uma para cada 11 moradores

Mara Sousa 26/1/2018 Autônomo Paulo Sérgio na rodoviária, cruzamento da Pedro Amaral com Bernardino, fica incomodado com a vigilância de tantas câmeras
Autônomo Paulo Sérgio na rodoviária, cruzamento da Pedro Amaral com Bernardino, fica incomodado com a vigilância de tantas câmeras

A vida do morador de Rio Preto é vigiada 24 horas por dia por pelo menos 40 mil câmeras, públicas e particulares, espalhadas por quase toda extensão da cidade. É um olho eletrônico apontado para cada grupo de 11 habitantes. Impulsionado pela "indústria do medo", o número de equipamentos se prolifera como item indispensável da segurança pública, seja para registrar cada passo dos moradores ou como aliados estratégicos na elucidação de crimes.

Uma presença ostensiva de "olhares eletrônicos", que ainda têm o reforço dos aparelhos móveis de última geração que funcionam como minicentrais de fotos e vídeos e dos drones, cada vez mais populares.

Não por acaso, o operador de máquinas Pedro Moraes, 21 anos, morador do Parque Estoril, tem a impressão de ser vigiado por onde anda em Rio Preto, desde o momento que coloca os pés para fora de casa até chegar ao trabalho.

"Quando eu passo pelo portão da minha casa, tem a câmera do meu vizinho que me filma. Passo na padaria, tem câmera perto do caixa, com aquele aviso 'sorria, você está sendo filmado'. Pego ônibus, tem umas três ou quatro câmeras também. Quando desço no terminal, sei que tem mais câmeras. Na praça Dom José Marcondes, vejo aquela câmera perto da Catedral. Se vou na lotérica, na rua Bernardino de Campos ou na agência bancária, lá também tem filmagem. Nunca escapamos."

A maioria das câmeras, 20 mil ao todo, estão instaladas em estabelecimentos comerciais, desde lojas a até empresas que usam o equipamento para se proteger dos criminosos e monitoram as atividades internas.

Na sequência, o grande volume de câmeras, 15 mil, concentra-se nas residências, e mais 2 mil colocadas nos condomínios e prédios, onde servem para aumentar o campo de visão dos porteiros, registrar conflitos entre moradores e até para flagrar danos em veículos nos estacionamentos.

A parcela da população que utiliza o transporte público, 90 mil pessoas aproximadamente, é focalizada por 1.027 câmeras instaladas na frota de 279 veículos das empresas Expresso Itamarati e Circular Santa Luzia. São três a quatro aparelhos instalados por veículo que registram o entre e sai dos passageiros, as manobras dos motoristas e serem até para flagrar ação dos batedores de carteira.

Para o dono da casa lotérica do hipermercado Walmart, Márcio Rocha, de 49 anos, a instalação de câmeras é uma exigência de contrato com a Caixa Econômica Federal e da Prefeitura, que exigem seis meses de armazenamento das imagens.

"Tenho dez câmeras aqui. Tem uma em cima de cada caixas, no lado externo, interno, em todos os cantos. Para gravar tudo isso, tenho que sistematicamente comprar computadores mais poderosos, porque essa quantidade de imagem gera 1 terabyte de vídeos", diz o lotérico.

Opiniões divididas

Para o estudante William Alves, 17 ano, morador do Eldorado, zona Norte, deveria ter mais câmeras espalhadas pela cidade para conter a onda de violência.

"Eu fui assaltado no ano passado no Calçadão. Chegaram dois caras e levaram o dinheiro que eu tinha. A sorte que não estava com o celular, senão teria perdido. Acho que precisa filmar mais para afugentar os bandidos", comenta.

No entanto, há quem fique incomodado com a possibilidade de ficar o tempo todo sob a mira das câmeras de monitoramento. É o caso do estudante Carlos Riccelli, de 27 anos. "Acho certo filmar a entrada da loja, perto do caixa, onde podem acontecer os assaltos ou alguém pegando alguma coisa sem pagar, mas já vi câmera até em refeitório de empresa e aí é demais."

O trabalhador autônomo Paulo Sérgio de Sousa, 37 anos, Eldorado, questiona se a grande quantidade de câmeras não tiram a privacidade da população.

"Será que as pessoas que trabalham no monitoramento não aproveitam para ficar espiando quando um casal está se beijando ou quando passa uma moça bonita na rua? Parece bobeira, mas não acho certo. Todo mundo tem direito à privacidade", afirma Paulo Sérgio. 

É legal, mas há limites

A professora de direito Adriana Galvão, do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (Unifeb) alerta para os limites do monitoramento por câmeras.

"Essas câmeras podem ser instaladas em ambientes de grande circulação para ajudar na segurança de todos, só que existem alguns proibitivos. Não podem ser instaladas em banheiros, vestiários, sejam públicos ou particulares. Deve ser garantida a inviolabilidade do cidadão, para que as pessoas não sejam expostas", afirma a professora.

Adriana diz que a lei garante às empresas o direito de monitoramento de prédios e todas as atividades internas, mas o proprietário precisa ter o bom senso", explica a advogada.

Pesquisador de inteligência artificial, Alessandro de Oliveira Faria, especialista em segurança eletrônica, afirma que o monitoramento eletrônico por câmeras deve aumentar nos próximos anos no Brasil e no mundo.

"Há uma tendência deste monitoramento aumentar, proporcional ao crescimento da violência. Criou-se a sensação de que as câmeras são uma arma, porque se o bandido sabe que vai ser filmado, tem mais receio de ser pego e preso", afirma.

Mas Alessandro alerta para o risco da invasão de celulares, tablets e notebook por hackers, que acessam os equipamentos por meio de vírus para espionar as pessoas. Para evitar esse perigo é importante manter em dia os programas de antivírus para proteger a privacidade, recomenda o pesquisador.

Câmeras são aliadas no combate ao crime

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PM tem 31 câmeras que monitoram, 24 horas, a região central

ELAS ESTÃO DE OLHO EM VOCÊ - Elucidação de crimes recentes, como no caso do assassinato de Kelly Cadamuro, é exemplo da importância do monitoramento

As câmeras de monitoramento se tornaram ferramentas da polícia para o combate ao crime. Por meio dos vídeos dá para flagrar furtos, roubos, assassinatos e acidentes, fazer a identificação de ladrões e esclarecimentos de crime.

A Polícia Militar de Rio Preto mantém 31 câmeras que monitoram 24 horas a área central da cidade, sempre com um policial de prontidão e olhos fixos nos monitores, atento às imagens. Quando vê um crime em andamento, ele imediatamente comunica as viaturas mais próximas para entrar em ação, explica o porta-voz da PM, capitão Rafael Henrique Helena.

"A importância é que o monitoramento potencializa a fiscalização nas áreas por elas filmadas. Com base nestas informações dá para reforçar ou direcionar o policiamento. Já tivemos, sim, presos com o auxílio direto das câmeras", afirma o capitão.

O delegado do Deinter-5 de Rio Preto, Raimundo Cortizzo, destaca que nos últimos dois anos as câmeras foram fundamentais para esclarecimentos de crimes.

"No roubo da joalheria Costantini, em 15 de julho do ano passado, as imagens foram vitais para identificação de praticamente todos os assaltantes. Com base nestas imagens, a DIG conseguiu prender boa parte da quadrilha", diz o delegado ao relembrar o assalto que terminou com um jovem universitário morto em meio ao tiroteio.

Cortizzo também recorda que as câmeras ajudaram a identificar Abner Saulo Oliveira Calixto, 26 anos, e Rodrigo Geraldo Costa de Lima, de 28, autores do latrocínio do delegado Guerino Solfa Neto, em 2016.

"Tivemos também, em novembro do ano passado, o esclarecimento do caso da Kelly Cadamuro. Foi por meio das câmeras do posto de combustível em Nova Granada e do pedágio na BR-153 que conseguimos identificar Jonathan Pereira do Prado, acusado de ser o autor do homicídio. Ele foi filmado no momento em que dirigia o carro da vítima, pouco depois dela ter sido assassinada", diz o delegado.

O coordenador operacional da Guarda Municipal, Victor Cornachioni, afirma que as câmeras ajudam em muito do patrulhamento da cidade. Um dos exemplos é o terminal rodoviário, que têm câmeras dotadas de lentes com zoom, usadas para flagrar criminosos em ação.

"Quando passa a viatura ou moto da Guarda, o traficante fica quieto até passar o patrulhamento. Com as câmeras, a gente flagra o momento em que ele vende a droga. Essa imagem serve como prova para prender e até é aceita no processo como uma forma de prova", diz.

À deriva, Detecta 'patina'

O secretário de Segurança Pública, Mágino Alves anunciou, em 19 de setembro do ano passado, a instalação até o final de 2017 do Sistema Detecta - programa de monitoramento das ruas por meio de câmeras do poder público e particulares para combater o crime, principalmente furto e roubo de veículos. O sistema também usa radares de reconhecimento óptico, capazes de fazer a leitura de placas de veículos e verificar se eles estão ligados a algum tipo de crime.

Passados quatro meses, a proposta não saiu do papel. A Secretaria de Segurança argumenta que Mágino chegou a apresentar a proposta à Prefeitura de Rio Preto, mas que ainda não houve contrapartida. Caberia ao poder público local a iniciativa de fazer o convênio para disponibilizar as câmeras.

Por outro lado, o diretor da Guarda Municipal, Silvio Pedro da Silva, alegou por meio de nota que quem deve responder sobre o andamento do convênio é a Secretaria de Segurança Pública. Nem Prefeitura ou Governo dão previsão de quando o sistema sairá do papel. (MAS)

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