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Diário da Região

20/01/2018 - 20h53min / Atualizado 22/01/2018 - 18h08min

Favela Vila Itália

Uma revolução que não estava no mapa

Após crescimento desenfreado, favela da Vila Itália cria raízes e ganha coordenadorias e comércios

Mara Sousa 16/1/2018 Crianças caminham em rua da favela da Vila Itália, em Rio Preto, onde moram cerca de 500 pessoas
Crianças caminham em rua da favela da Vila Itália, em Rio Preto, onde moram cerca de 500 pessoas

Sobre a terra batida e ao som dos pássaros, que às vezes é interrompido pelas repentinas buzinas do trem, aproximadamente 500 pessoas vivem em 208 barracos improvisados na favela da Vila Itália, em Rio Preto. Os moradores da cidade clandestina tiveram de se organizar, criando coordenadorias de uma administração paralela, para ter acesso a serviços garantidos pela Constituição, mas que a eles são ignorados por parte do poder público.

Enquanto a Prefeitura de Rio Preto move ação na Justiça para que haja reintegração de posse, já que a favela está situada sobre um terreno municipal, o comércio local ganha força com lan house, cabeleireiro, costureira, barzinho e mercearia, entre outros estabelecimentos. A ajuda social, que chega especialmente para atender as 176 crianças e 16 adolescentes, é administrada por Solange Santos, coordenadora jurídica. Lá tem até coordenadorias de Assistência Social, Esporte e Cultura, Relatório, Habitação e Infraestrutura, Agricultura e Meio Ambiente e Educação.

"Esse trabalho que desenvolvemos é porque queremos melhorar a comunidade. Não ganhamos nenhum real, mas temos amor a esse lugar", diz Solange Santos, coordenadora jurídica da comunidade. Formada em direito, Solange explica que os coordenadores são moradores que trabalham em favor da própria comunidade, e que todas as decisões são votadas em assembleia. "A gente faz reunião periódica e vê qual a necessidade que a comunidade está tendo."

Janela de acesso ao mundo

Em meio ao embolo de cabos e fios que garantem a energia elétrica, as pessoas ignoram o risco de curto circuito, descarga elétrica ou choque para frequentar a única janela de acesso ao mundo: a lan house local.

O estabelecimento oferece acesso a três notebooks com internet, uma impressora e um videogame, das 16h às 22h, diariamente, ao custo de R$ 1 a cada meia hora. A ideia foi de Josiane Maria da Silva, 38, que há dois anos mora na favela."Meu marido estava desempregado. Como só eu estava trabalhando, comecei a pensar em uma forma de aumentar a renda. Aqui já tinha bar e mercearia, então pensei que poderia liberar o sinal da internet a um valor mínimo, acessível a qualquer pessoa da comunidade", conta. "Hoje, além do acesso, também ofereço cópias, o que ajuda no desenvolvimento do comércio. Mas o melhor é que consegui adquirir uma renda extra e ajudar nas despesas de casa", diz.

Há quatro meses o dinheiro da lan house complementa a renda de Josi, que é auxiliar de limpeza, e do marido, que atualmente trabalha podando árvores. Por isso, a empreendedora da comunidade nem pensa em fechar o estabelecimento, especialmente porque sabe que é a principal fonte de conexão dos moradores com o mundo lá fora.

Bar garante o arroz e feijão

A mesa de sinuca é uma das poucas opções de lazer para quem mora na favela. E a cerveja, pinga e refrigerante são acompanhamentos indispensáveis para os jogares. É dessa parceria que Ângela Estela Grola, 65 anos, consegue boa parte da renda que vem do bar que abriu na frente de seu barraco há pouco mais de oito meses. "Eu não tinha dinheiro nem para comer. Então abri o barzinho para defender o meu ganha pão. É daí que garanto o meu arroz e feijão."

O bar de Ângela começou com meia caixa de cerveja e uma caixa de pinga. "Daí por diante, veio salgadinho, bala e doce. Agora tem até o que comer lá dentro", comemora. Um varal improvisado se transformou na principal vitrine do comércio, para mostrar os salgadinhos que ficam pendurados, pouco à frente da estante que armazena desde doces a produtos de limpeza. No bar, os moradores da comunidade também encontram arroz, feijão, óleo, sabão em pó, pasta de dente e vinagre - o que rende a média de R$ 20 a R$ 30 por dia. "Dá para sobreviver", diz.

Ajuda

Sem entender muito bem a real situação em que vivem, as crianças da comunidade ficam felizes com a visita de um homem: Nelson Júnior Santos Rodrigues, 55, presidente da Caritas Diocesana e da Sociedade São Vicente de Paulo, de Rio Preto. E não é à toa. Ele é um dos responsáveis pelas várias ações sociais desenvolvidas por entidades filantrópicas que ajudam esses moradores. Todas as doações são comunicadas e administradas pela coordenadora de Assistência Social da comunidade.

Rodrigues sempre leva bonecas, carrinhos e jogos, entre outros brinquedos, que são distribuídos para os que aguardam em filas.

"O ato de doar é uma das ações mais gratificantes que uma pessoa pode fazer, por isso recebemos doações de brinquedos novos e usados. Dentre os usados, a gente faz uma triagem e doamos nos lugares de maior necessidade", diz. (Colaborou Rone Carvalho)

Serviço

Doações à comunidade: Solange Santos, coordenadora jurídica. Celular: (017) 99140-3048. Favela Vila Itália - Casa 15

Riscos e perigos

O risco de incêndio também é iminente aos moradores da favela da Vila Itália, devido ao fato dos barracos serem feitos basicamente de madeirite e lonas de plástico, materiais que são altamente inflamáveis. O perigo de quem vive no local, assombra muitas pessoas na comunidade.

Em dezembro de 2017, um incêndio destruiu três barracos da favela da Vila Itália, as chamas destruíram em uma hora as moradias. Os sete moradores que moravam no local, não se feriram, mas perderam imóveis e pertences.

Outro risco de quem vive na favela é o das ligações de energia, devido ao embolo de cabos e fios, o risco é grande, tanto de incêndio, como para as mais de 100 crianças que vivem na comunidade, e que podem esbarrar ou pegar em um cabo, e receber uma descarga elétrica.

Prefeitura briga na Justiça

A Prefeitura de Rio Preto move ação na Justiça para que haja reintegração de posse da parte da Vila Itália que está situada sobre um terreno municipal. Em duas instâncias, houve negativa do Judiciário para a reintegração e o processo segue correndo. 

O poder público reconhece que não tem nenhum plano de ação no caso de desocupação, mas diz que manterá o pedido. De acordo com a assessoria da Secretaria de Assistência Social, as pessoas que lá vivem não serão priorizadas em programas habitacionais - elas só deverão participar dos processos seletivos se atenderem a todos os critérios deles. 

A pasta garantiu que acompanha a matrícula das crianças na escola, além de a comunidade receber rotineiramente visitas de assistentes sociais e agentes de saúde. Ainda conforme a Prefeitura, as famílias foram orientadas com relação ao cadastramento na Empresa Municipal de Construções Populares (Emcop).

(Colaboraram Rone Carvalho e Millena Grigoleti)

Barracos ameaçados

Uma das principais preocupações de quem vive no local é ação que a Prefeitura move na Justiça para que haja reintegração de posse, já que a favela está situada sobre um terreno municipal. Em duas instâncias, houve negativa do Judiciário para a reintegração, mas o processo segue em andamento.

A prefeitura não tem nenhum plano de ação no caso de desocupação, mas diz que manterá o pedido. De acordo com o município, esses moradores não serão priorizados em programas habitacionais e foram orientadas a se cadastrar na Emcop para participar dos processos seletivos. A Prefeitura garantiu que acompanha a matrícula das crianças na escola, além de a comunidade receber a visita de assistentes sociais e agentes de saúde. (Colaboraram RC e Millena Grigoleti)

 

 

Barbearia faz sucesso no local

Mara Sousa 5/1/2018 Aos 17 anos, o barbeiro Sidney Maia já fez freguesia na comunidade
Aos 17 anos, o barbeiro Sidney Maia já fez freguesia na comunidade

Como a maioria dos jovens de 17 anos, Sidney Maia sonhava em ser jogador de futebol. Mas a vida seguiu outros caminhos e Sidney enxergou nos cabelos de seus ídolos a chance de ganhar dinheiro. Prestes a concluir o curso de cabeleireiro, o jovem barbeiro já ganhou a confiança dos moradores da comunidade e hoje consegue lucrar cerca de R$ 500 com a barbearia.

Há três meses, Sidney construiu um salão para atender seus clientes. Ele ganhou o piso do espaço, que também é composto por um sofá e um grande espelho, garantindo conforto a seus clientes. "Em três dias, nós construímos essa barbearia. Eu me sinto feliz por ajudar minha família. Hoje eu posso ajudar meus pais. Não é muita coisa, mas ajuda. Quando sobra, eu guardo ou compro minhas coisas", diz.

Natural do Pará, a família está em Rio Preto há cinco anos. Antes de chegar na comunidade, pagava aluguel, mas devido ao desemprego, os familiares tiveram que se mudar para favela. "Sem condições de arcar com as despesas, a gente preferiu vir para a comunidade e, aqui, estamos nos reestruturando aos poucos", conta. (RC)

 

As costureiras da favela

Mara Sousa 16/1/2018 Michele Machado Bispo e Eliana Aparecida bordam no ateliê
Michele Machado Bispo e Eliana Aparecida bordam no ateliê

Quatro moradoras da favela da Vila Itália decidiram se unir e montar um ateliê de costura. Segundo a costureira Eliana Tavares, 34, como em qualquer outro ateliê, elas passam o dia bordando e costurando - inclusive para confecções conhecidas da cidade. O trabalho começa às 7 horas e termina às 17 horas, o que rende um salário médio de R$ 600.

"A ideia surgiu há sete meses, quando estávamos passando por uma situação difícil, e queríamos mostrar para a sociedade que a gente estava disposta a ter uma vida melhor, mesmo morando aqui", conta Eliana. "A gente começou a costurar na rua até que o marido de uma das sócias arrumou o local. Foi um período difícil, porque a gente precisava ficar procurando uma sombra."

Quem também faz parte do grupo é Michele Machado Bispo, 32. "Aprendi a fazer crochê e fui aprimorando, até que acabou sendo uma renda. Agora, a gente só precisa se fortalecer."

Mãe de três filhos, Michele conta do preconceito que já sofreu por morar na favela. "Eu fui procurar um emprego e, quando eu falei que eu moradora da Vila Itália, fui cortada do processo seletivo. (RC)

 

Mercearia é o sustento da família

Fotos: Mara Sousa 17/1/2018 Solange Santos é a coordenadora jurídica
Solange Santos é a coordenadora jurídica

Moradora da favela da Vila Itália há três anos, a ex-diarista Elisama da Conceição Rodrigues, 28, viu no comércio a oportunidade de conseguir o sustento da família. Mãe de três filhos, Elisama abriu uma mercearia. "A gente pagava aluguel, mas meu marido ficou desempregado. Eu fazia alguns bicos e não estava mais dando para pagar as contas. Foi aí que meu marido ficou sabendo deste local e viemos para cá", explica.

"Dá para tirar um dinheirinho com a mercearia. Hoje o meu marido está trabalhando, mas no período em que ficou desempregado, esse era o nosso único meio de renda", diz.

A comerciante sonha em um dia ter condições de se mudar para um bairro e, quem sabe, comprar a casa própria. Mas por enquanto não tem condições de deixar a comunidade porque falta dinheiro para um lugar mais confortável. "Ou a gente paga aluguel ou a gente come. Por isso, a gente precisa se conformar com a insegurança, tanto de acidente como de desocupação. É terrível a sensação de medo de a qualquer hora chegar um trator derrubando tudo. Já pensou perder o pouco que temos. Estamos de mãos atadas", afirma.

Enquanto as coisas não melhoraram, o filho Iago - um jovem tímido e sonhador - é quem ajuda a mãe a cuidar do comércio. "Aqui sempre tem alguém comprando alguma coisa, mas os produtos de limpeza são os que mais vendemos", observa o jovem Iago. (RC)

 

Moradores criam coordenadorias

Mara Sousa 16/1/2018 Naralice Alves, coordenadora de Assistência Social, e Solange Santos, coordenadora jurídica, dizem que o único objetivo é ajudar a comunidade
Naralice Alves, coordenadora de Assistência Social, e Solange Santos, coordenadora jurídica, dizem que o único objetivo é ajudar a comunidade

A favela da Vila Itália tem sete coordenadorias criadas pelos próprios moradores para suprir o trabalho que deveria ser feito pelo poder público. Noralice Alves Araújo, 41, que responde pela coordenadoria de Assistência Social, conta que chegou há sete meses na comunidade e, desde então, trabalha intensamente pelas famílias.

"Esse trabalho que desenvolvemos é porque queremos ajudar a comunidade. Não ganhamos nenhum real, mas temos amor a esse lugar", afirma Solange Santos, coordenadora jurídica. Segundo ela, todas as ações são de acordo com a necessidade local.

Nara, como é carinhosamente chamada pelos moradores da favela, conta que a comunidade pretende fazer uma cozinha comunitária, para que tenham lugar apropriado para comer os alimentos doados.

Outro projeto bacana é a biblioteca comunitária, que oferece livros variados - que vão desde histórias infantis a apostilas de vestibular - e aulas de reforço. "Estamos retomando o projeto do reforço escolar. Aos sábados, temos professores voluntários que dão aula de matemática", diz.

"Eu me sinto muito bem em ajudar a comunidade. Participar da coordenadoria de assistência social é uma coisa que eu gosto muito, especialmente porque repassamos para quem realmente precisa. Inclusive, temos um grupo no Whatsapp para conversar sobre as doações que chegam", afirma Nara. (RC)

 

Comunidade sonha com a casa própria

Unidos para enfrentar as dificuldades da vida que a favela proporciona, comunidade e comerciantes têm outra coisa em comum: a esperança de vencer na vida e ter uma casa própria. "Meu sonho é ter uma casa melhor e oferecer mais conforto para as crianças. Só o que a gente quer é uma casa que não entre água dentro quando chove", revela Elisama da Conceição.

O sonho de Elisama ganha força e incentivo no discurso do amigo Signey. O lema do cabeleireiro é nunca desistir. "Se for um sonho, a gente não pode desistir. Temos que continuar batalhando. As derrotas vão surgir para que a gente possa dar a volta por cima e conquistar tudo o que merecemos. Se tudo fosse fácil, qualquer um conseguiria."

Quem também não desiste de realizar o sonho da casa própria é a comerciante Ângela Estela, que montou um bar na comunidade. "Eu não quero nada demais, só quero o meu cantinho para eu viver o resto de vida. Eu vou sair daqui um dia, mas com a graça de Deus, vou sair para minha casinha." (RC)

 

Como colaborar

O sol forte do meio-dia não impede que crianças saíam de suas casas, para chegar próximo a um automóvel carregado de brinquedos. São várias ações sociais desenvolvidas por entidades filantrópicas da cidade, que ajudam os moradores. Em questão de minutos, cerca de 150 peças de bonecas, carrinhos e jogos que estavam no automóvel desaparecem, são às crianças que fazem fila para pegar os brinquedos.

Nelson Junio Santos Rodrigues, 55, presidente da Caratas Diocesana e da Sociedade São Vicente de Paulo de Rio Preto, referencia que o ato de doar é uma das ações mais gratificantes que uma pessoa pode fazer. “Temos uma visão de que ninguém mora aqui por que gosta, mas por causa de uma demanda social, onde com a crise do desemprego e a crise financeira, a pessoa acaba vindo para um lugar desse”.

“Nós temos dois tipos de doação, as pessoas que compram brinquedos novos e doam, e as pessoas que aproveitam os brinquedos usados. A gente faz uma triagem nesses brinquedos, dá uma melhorada, que são reaproveitáveis. Assim, doamos nos lugares de maior necessidade em Rio Preto”, diz Nelson. Ao finalizar a ação de doação ele completa: “Tirar de quem tem, e dar para quem não tem”.

SERVIÇO

Se alguém quiser ajudar à comunidade:

Solange: (017) 99140-3048

Favela Vila Itália - Casa 15

(Colaborou Rone Carvalho)

Raio-x

Número de moradores

  • 500 pessoas (aproximadamente)
  • 176 crianças
  • 16 adolescentes
  • 208 barracos

Organização Comunitária

“Sou uma das oito coordenadoras, que visam ajudar na administração da comunidade”, é com esse lema que Naralice Alves Araújo, 41, uma das oito coordenadoras da favela, lidera a administração da Assistência Social. Nara, como é conhecida popularmente na comunidade, chegou há sete meses, mas já trabalha intensamente pelas famílias que vivem no local.

“Eu morava com um moço, e a gente se separou. Eu vim da cidade de Uberlândia, pagava aluguel, estava desempregada, e eu vi que São José do Rio Preto é uma cidade acolhedora, aí vim parar aqui. Chegando nos informaram da Vila Itália, e vim para comunidade”.

Com o intuito de melhor administrar o local, a favela é dividida em coordenações, as coordenadoras são as próprias moradoras da comunidade. Ao total, existem seis, entre elas a de cultura, esportes, ação social e tesouraria. Todas, apresentam o intuito de melhor desenvolver a comunidade.

“Esse trabalho que desenvolvemos é porque queremos dar um avante na comunidade. Não ganhamos nenhum real, mas temos amor a esse lugar”, referência Solange, que é coordenadora jurídica.

Solange Santos, 34, não tem filhos, mora sozinha na comunidade, e é formada em Direito, além de também ser técnica em enfermagem. “Eu fui a quarta moradora a chegar aqui, eu ocupei um espaço porque eu fiquei desempregada e não conseguia mais manter o padrão de vida que eu levava”.

“Meu maior sonho é ver que essas pessoas que moram aqui, neste lugar, saiam e vá para uma casa. Por que as pessoas vêm aqui sem esperança, aqui é o fundo do poço para elas”, destaca Solange.

Sobre o funcionamento das coordenações, Solange, explica que elas trabalham em a favor da própria favela, e que a escolha das coordenadoras acontece através de votação em assembleia. “A gente faz reunião periódica e vê qual a necessidade que a comunidade está tendo”.

Já Nara, destaca a sensação do ato de ajudar ao próximo. “Eu me sinto muito bem, é uma coisa que eu gosto. Temos um grupo no Whatsapp, que a gente se conversa. Se tiver uma doação que chega, colocamos no grupo, assim as mães vem receber”.

Entre as inúmeras histórias de quem trabalha diariamente com a assistência social na comunidade, ela destaca a de um deficiente que reside na favela. “Eu me comovi com um cadeirante, quando em dezembro ele chegou todas as pessoas pegaram a cadeira dele, ajudaram a levar as cestas. Também se emociono com criança que olham e diz: tia muito obrigada, por uma coisa tão simples”.

“A gente também pretende fazer uma cozinha comunitária, para o pessoal não ganhar doação na rua. Assim, vamos ter um lugar próprio para comer”, diz a líder da assistência social.

Outro dos projetos que tem dado certo na favela é a biblioteca comunitária, ela foi inaugurado no ano passado, oferecendo além de livros, aulas de reforço. “Estamos retomando o projeto do reforço escolar. Aos sábados temos professores voluntários que dão aula de matemática. São tantos livros que não temos nem mais lugar para colocar. Temos desde livros de histórias infantis a de vestibular”, completa Solange.

(Colaborou Rone Carvalho)

Sonhos da comunidade

Mesmo morando na comunidade, os comerciantes da favela revelam que seus anseios e sonhos, mais comuns, são justamente o de ter a casa própria. “O sonho que eu tenho é de ter uma casa melhor, para colocar às crianças. O que a gente quer mesmo é uma casa, para quando chover não entrar água”, revela Elisama da Conceição.

Para Sidney, o cabeleireiro, o ato de nunca desistir é o seu lema de vida. “Se for um sonho, a gente não tem que desistir, temos que continuar, batalhar. Se a gente quer realizar, nada é feito só de vitória, também vai vir as derrotas e temos que dar a volta por cima, para conquistar tudo que você merece. Se tudo fosse fácil qualquer um conseguiu”, completa o jovem.

Já para dona Ângela, que tem o bar na favela há oito meses, o sonho antigo de ter a casa própria ainda não morreu, e continua vivo, assim, como a esperança de dias melhores. “Eu não quero nada, eu só quero o meu cantinho, para eu viver o resto de vida. Eu vou sair daqui um dia, mas com a graça de Deus, vou sair para minha casinha. E vou poder bater no peito, aqui é meu”

Enquanto isso ela continua a tirar o seu sustento, do comércio na comunidade. “Conforme vai entrando no barzinho, eu consigo pagar minhas contas. Assim eu, não tenho nada, mas também não tenho dívida”, completa.

(Colaborou Rone Carvalho)

Coordenações

  • Educação
  • Habitação e Infraestrutura
  • Assistência Social
  • Agricultura e Meio Ambiente
  • Relatório
  • Esporte e Cultura
  • Jurídico

 

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