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Diário da Região

16/01/2018 - 21h27min / Atualizado 17/01/2018 - 16h04min

BENEFICIÁRIOS

Um em cada 31 moradores da região depende do Bolsa Família

Ranking coloca Indiaporã como a mais dependente do auxílio e Auriflama como a menos. Em Rio Preto, um em cada 39 habitantes é cadastrado

Mara Sousa 16/1/2018 Tatiane com os filhos
Mariana, Isabela (bebê)
e Victor: família recebe
R$ 200 por mês do programa
Tatiane com os filhos Mariana, Isabela (bebê) e Victor: família recebe R$ 200 por mês do programa

Indiaporã tem quase quatro mil habitantes, enquanto Auriflama tem 15 mil. Além da diferença de quase quatro vezes o número de moradores, há uma outra entre os dois municípios: a primeira é a cidade da região com maior dependência, proporcionalmente, ao Bolsa Família, programa social do governo federal, enquanto a segunda é a que menos depende da assistência.

Em Indiaporã, são 307 famílias cadastradas no programa, ou seja, um em cada 12,8 moradores. Levando em conta a média de membros de uma família, que é de 4 pessoas, chega-se ao número de cerca de 1,2 mil beneficiados, ou seja, 30% da população. Já em Auriflama a média é de um cadastrado a cada 89,7 habitantes - são 168 famílias beneficiadas. Os números são de 2017.

Em Rio Preto, são 11.533 famílias que recebem o programa, média de um cadastro a cada 39 habitantes. O número é um pouco superior ao da média regional, que é de um beneficiário a cada 30,9 moradores. A média do Brasil é de um benefício a cada 14 habitantes.

De acordo com dados do Portal da Transparência Brasil, o programa beneficia hoje 52.771 famílias em 72 cidades da região. O dinheiro é pago diretamente a um membro do núcleo familiar. Preferencialmente, a mulher. O Bolsa Família é o maior programa social de transferência de renda do País. Desde 2003, o benefício auxilia milhões de pessoas a sair da situação de pobreza e extrema pobreza.

Com o benefício mensal de R$ 200 que recebe do programa, Tatiane Gomes Cardoso, 28 anos, se desdobra para sustentar os quatro filhos. Moradora da favela da Vila Itália, a dona de casa recebe o benefício há quatro anos. Até o ano passado, ela recebia R$ 240, mas em razão de não conseguir levar uma das crianças na escola, o valor diminuiu. A família recebe ajuda de pessoas que fazem doação de roupas e calçados. "A gente só tem o básico, compro comida e fralda da nenê. Todo o resto é de doação. A comida acaba e eu e meu marido tentamos fazer bico para comprar".

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Aícro Júnior/Editor de Arte)

Ela conta que chegou à favela e foi construindo o barraco, de três cômodos - um quarto, sala e cozinha - aos poucos com bambu. "Os tijolos a gente ganhou e o cimento, minhas cunhadas fizeram uma vaquinha. Senão, a gente não teria onde morar."

Também moradora da favela da Vila Itália, a desempregada Glauciane Aparecida, 38 anos, começou a receber o Bolsa Família há quatro meses e conta que os R$ 250 é a única fonte de renda para o sustento dos dois filhos que moram com ela, de 12 e 9 anos. Outros dois filhos, de 19 e 16 anos moram com o pai e a avó. "É só o que eu tenho. Aqui na favela, as pessoas ajudam bastante e minha mãe traz comida para a gente. No final de ano, ganhamos muita doação. É o que tem nos ajudado muito".

Crise

A crise econômica e o aumento do desemprego são os responsáveis pelo aumento do número de pessoas que dependem do programa social. "Nos últimos anos de recessão, o desemprego explica por que as pessoas estão dependentes do Bolsa Família, que é um paliativo. O dinheiro ajuda, mas não resolve já que é uma quantia bem abaixo dos gastos mensais que uma família formada tradicional, formada pelo casal e dois filhos," disse o professor da Universidade de Brasília (UnB) Denilson Coelho.

O número de beneficiários do Bolsa Família serve como um termômetro social de uma localidade, já que são atendidas famílias em situação de extrema pobreza, com renda mensal por pessoa de até R$ 85, e de pobreza, com renda mensal per capita entre R$ 85,01 e R$ 170.

Em 2016, o programa atendia 294 famílias em Indiaporã, no ano passado o número saltou para 307. No total, elas receberam R$ 361.678,00 - média de R$ 1.178 ao ano por família. Em Rio Preto, foram destinados R$ 16.708.408,00 - média de R$ 1.448 ao ano por família.

(Colaborou Rone Carvalho)

Cultura do benefício

Indiaporã vive da produção de cana-de-açúcar, laranja e limão. Muitas famílias trabalham fazendo bicos na produção agrícola. Para tentar minimizar a dependência e oferecer oportunidades para que as pessoas consigam formas de se sustentar, a Prefeitura oferece cursos de capacitação em culinária e pintura em tecidos. São famílias atendidas pelo programa estadual Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

Além de oferecer cursos, uma psicóloga acompanha as famílias beneficiadas pelo programa. O grande obstáculo, de acordo com Rita de Cássia Melegari, coordenadora do Bolsa Família e gestora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da cidade, é a cultura enraizada na população de que ao conseguir um emprego, perde-se o benefício. "O objetivo é fazê-las entender que o Bolsa Família não é garantia, é um paliativo para o sustento enquanto não há outra alternativa. É um trabalho de formiguinha porque o programa aqui passa de pai para filho. Temos jovens que receberam quando crianças, tiveram filhos e estão recebendo o benefício," afirma.

A Prefeitura de Rio Preto informou que a Secretaria de Assistência Social acompanha as famílias beneficiadas e "oferta serviços nos Cras por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e ainda faz encaminhamentos para a rede". No entanto, não especificou quais os projetos para que as pessoas inseridas no programa consigam meios para obter renda própria e deixar a dependência. (TP)

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