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Diário da Região

20/01/2018 - 20h21min / Atualizado 20/01/2018 - 20h21min

Piãozim na Ponte

Ponte sem uso vira balada com bebidas, drogas e menores

Centenas de jovens transformaram a ponte estaiada no lago 3 da Represa em ponto de rolezinho. Moradores reclamaram do som alto e da sujeira, e polícia acabou com festa

Johnny Torres 19/1/2018 Jovens chegando à ponte estaiada no lago 3 da Represa: local está sem uso e virou ponto de rolezinho
Jovens chegando à ponte estaiada no lago 3 da Represa: local está sem uso e virou ponto de rolezinho

Apelidada de "Ponte do nada a lugar nenhum", por estar pronta, mas sem uso, a ponte estaiada do lago 3 da Represa virou ponto de rolezinho de jovens. A balada é regada a bebidas, funk em alto volume, drogas e menores. No dia seguinte, o local fica entupido de sujeira: garrafas de uísque, vodca, rum e cerveja, além de sacolas, garrafas pet, copos plásticos e até camisinha. O lixo fica espalhado pela ponte e vai parar também nas águas da Represa. A estrutura da construção já apresenta inúmeras pichações.

Entre a noite desta sexta-feira, dia 19, e a madrugada de sábado, o chamado "Piãozim na Ponte" chegou a reunir aproximadamente mil pessoas. O evento foi convocado por meio de dois grupos no WhatsApp, com participação de 500 pessoas. Além de sexta, também havia encontro marcado para este sábado. Em um dos posts, um dos participantes dizia que a ponte ia tremer.

O que os organizadores não sabiam é que as conversas foram monitoradas por policiais militares, que entraram de forma anônima nos dois grupos.

Por volta das 3h da madrugada, equipes do Caep (Companhia de Ações Especiais da Polícia Militar) foram até o local, chamada por moradores que denunciaram o barulho como perturbação do sossego. Para dispersar os participantes do rolezinho, a PM usou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, houve correria e, após 20 minutos, o local estava vazio. Ninguém foi preso.

O comandante interino do 17º Batalhão da Polícia Militar, coronel Paulo Sergio Martins, afirma que a ação do Caep para dispersão da festa na ponte foi necessária porque já havia muita reclamação sobre perturbação de sossego dos moradores das imediações. "Esses problemas de concentração de jovens, com muito som alto e festas, migram por Rio Preto. Vinham reclamações da rua Monte Aprazível, na zona Norte, a PM foi lá. Tinha reclamação nos postos de combustíveis, fomos lá também. Agora o novo ponto é a ponte da Represa", detalha o coronel.

Além da perturbação, a preocupação da PM é sobre o risco destas concentrações de jovens com consumo e tráfico de drogas, além da presença de menores de 18 anos. Paulo Sérgio reforça que a PM vai retornar rapidamente na ponte se houverem novas reclamações de moradores.

A confusão acontece na região onde estão instalados dois postos da Guarda Civil Municipal (GCM). A ponte fica a 750 metros do posto da Guarda no lago 3 e 850 metros do posto no lago 2. O diretor da GCM, Silvio Roberto da Silva, admite que já sabia do problema, mas argumenta que a a corporação ainda não tinha agido por não ter encontrado nada de ilegal. "Vamos reforçar o patrulhamento da ponte para evitar mais encrenca. Mas reforço, se não houve nada de ilegal, som alto e drogas, não podemos tirar das pessoas o direito de ir e vir", afirma o diretor.

Falta incentivo

A pedagoga Silvia Seixas, especialista em projetos sociais com jovens, afirma que a ocupação da ponte da Represa é sinal de que faltam opção de diversão para juventude da cidade. "Os jovens estão indo para estes lugares, com seus próprios carros, ligam o som para ouvir suas músicas, porque não encontraram alternativas. Do mesmo modo que vão para os shoppings para fazer os rolezinhos deles", comenta a especialista, que sugere plano de ação para oferecer mais opções de lazer para a juventude, de preferência gratuitos, porque os jovens nem sempre estão empregados para pagar ingresso.

(Colaborou Rodrigo Lima)

 

Local depende de viaduto

Ao custo de R$ 7 milhões, a ponte começou a ser construída em janeiro de 2015. A estrutura, com 50 metros de vão, interliga as margens direita e esquerda do Lago 3 da Represa Municipal até o acesso à avenida Nadma Dahma. Para a ponte ter utilidade, no entanto, é necessário ainda aguardar a construção de um viaduto sobre a BR-153, para garantir acesso entre os lagos 2 e 3 da Represa.

A promessa é de término do viaduto sobre a rodovia ainda neste ano. A obra faz parte do projeto de duplicação da BR-153, que é conduzido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit).

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