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Diário da Região

20/01/2018 - 21h10min / Atualizado 21/01/2018 - 12h04min

FAXINEIROS AQUÁTICOS

Mergulhadores se reúnem para retirar o lixo dos rios da região

Voluntários apaixonados por pesca subaquática uniram o útil ao agradável e criaram o Projeto Rio Limpo, e já retiraram 6,5 toneladas de lixo de rios da região fazendo o que mais gostam

Divulgação Mergulhadores chegando com o que recolheram
Mergulhadores chegando com o que recolheram

Muitas pessoas pensam que lixo despejado nas águas e areias é um problema exclusivo do litoral. Mas infelizmente a sujeira tem contaminado a água dos rios brasileiros e, consequentemente, as prainhas da região Noroeste não ficam de fora. A boa notícia é que um grupo de amigos que pratica pesca subaquática enxergou no problema a oportunidade de juntar o útil ao agradável, e criou o Projeto Rio Limpo.

Os amigos aproveitam os finais de semana para fazer o que mais gostam, mergulhar, e ainda cuidar do meio ambiente. Ao todo, 6,5 toneladas de lixo já foram retirados dos rios de Ubarana, Buritama e Mendonça, desde que cerca de 20 mergulhadores deram início ao projeto, no ano passado.

O empresário Flávio Garcia Leal, 38, é um dos idealizadores. Praticante de pesca subaquática, Leal conta durante a temporada de pesca percebia muito lixo no fundo dos rios. "No início, a gente fazia a remoção da sujeira de modo aleatório. Conforme a gente encontrava o lixo, jogava no barco. Mas no período da piracema, quando a pesca é proibida, convidei alguns amigos para fazer a limpeza dos rios. Dessa forma, deixamos a pesca de lado e aderimos à causa, promovendo a limpeza do meio ambiente", conta.

"Esse trabalho nos dá uma grande sensação de dever cumprido e de recompensa. É maravilhoso aproveitar o final de semana para fazer o que mais gosto, que é o mergulho, e praticar esse trabalho voluntário", destaca.

Lixo inusitado

"O que encontramos com mais frequência são as garrafas pet e latas de cerveja e refrigerante. Além disso, é comum encontrar peixes enroscados em armadilhas", observa o representante comercial Roberto Fornereto Filho, 30, morador de José Bonifácio, que também faz parte do projeto.

Apesar disso, Leal e Fornereto Filho afirmam que já encontraram pneus, cadeiras de bar, celulares, janelas e até mesmo dinheiro. "Já encontramos latas antigas, com mais de 10 anos, enfiadas na terra. Nunca tinha visto aquela lata na minha vida, de tão antiga", comenta.

Outros objetos inusitados encontrados pelo grupo foram um barco, chassi de carro e motor de moto. "Quando estávamos realizando a limpeza em Mendonça, paramos em cima da ponte e vimos uma mancha de óleo. Então, encontramos o motor de uma moto."

Peixes consomem o lixo

Segundo Leal, muitos peixes comem o lixo jogado na água, o que prejudica não apenas a vida aquática, mas também da vida humana, já que o consumo do peixo contaminado oferece riscos à saúde. "O lixo demora muito tempo para se decompor e, querendo ou não, isso atrapalha o habitat aquático. Muitas vezes o peixe come um pedaço de plástico e morre", observa.

Leal explica que o trabalho também abrange as margens, onde pescadores ficam durante a pesca. "É importante limpar as margens porque normalmente o pessoal que vai pescar leva comida e bebida, já que chegam cedo e vão embora no fim do dia. O problema é que eles deixam tudo ali. É difícil quem leva um saco para recolher o lixo e descartar no local correto."

Água apropriada para banho

Sheila Silva, 34, bióloga da Prefeitura de Ubarana, acompanhou o grupo na limpeza realizada no rio do município, no domingo, 14. O trabalho rendeu a retirada de mais de uma tonelada de lixo das águas. "A água do rio está própria para o banho. Anualmente, a gente (prefeitura) faz pesquisa da demanda de oxigênio na água. Quando falta oxigênio é que está tendo algum problema. Atualmente, nós não temos nenhum problema de água imprópria", afirma a bióloga. "Diante dessa situação, nós vamos fazer toda a parte ambiental de conscientização, entregaremos um saquinho de lixo com todas as orientações e vamos começar a colocar em prática essas ações."

Conscientização

O capitão da Polícia Ambiental de Rio Preto, Alessandro Daleck, destaca o trabalho de conscientização nas escolas, realizado pela polícia ambiental. "Quando a gente fala de meio ambiente, não podemos pensar só no agora, mas sim no futuro, para que nossos filhos e netos também possam usufruiu desses bens ambientais, que conseguimos usufruir hoje", afirma.

(Colaborou Rone Carvalho)

Tempo de decomposição

Mara Sousa/Arquivo Sujeira
Sujeira
  • Plástico - mais de 100 anos
  • Tampa de garrafa - mais de 150 anos
  • Pneus - mais de 600 anos
  • Embalagem longa vida - mais de 100 anos
  • Fralda descartável - mais de 450 anos
  • Lata de aço - mais de 10 anos
  • Isopor - mais de 8 anos
  • Chiclete - mais de 5 anos
  • Camisinha - mais de 300 anos

 

Grupo encontra armadilhas

Os voluntários do Projeto Rio Limpo encontraram um peixe da espécie enguia (de aparência similar a uma cobra) presa em uma garrafa - possivelmente utilizada como armadilha -, durante a limpeza do rio, em Ubarana. Mas o policial ambiental Alessandro Daleck destaca que este tipo de armadilha é proibido no período de piracema. "Atualmente, os rios da região estão em época de piracema, devido à reprodução dos peixes. Neste período, todas modalidades de pesca são proibidas, desde a captura, armazenamento e a realização da pesca convencional e subaquática."

O policial ambiental destaca que nesta época do ano não é permitido pegar nenhum tipo de peixe nativo. "Esse tipo de armadilha é muito usada para a captura de camarão, mas o peixe também fica preso", diz. "Vale lembrar que qualquer tipo de armadilha é proibida, mesmo fora da piracema. A legislação é taxativa quanto aos equipamentos que podem ser utilizados em época de pesca aberta", observa. A penalidade para o pescador flagrado usando armadilha é o pagamento de multa, de acordo com a quantidade de peixes. "O valor da multa é em cima da quantidade de pescado capturado. Parte da multa é R$ 700, além de R$ 20 por quilo do peixe. Como estamos na época de piracema, esses valores são dobrados. (RC)

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