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Eu no Mundo

Falando português nos Estados Unidos

Há cinco anos em Orlando, na Flórida, a rio-pretense Vanessa Vianna trabalha em uma loja na International Drive e convive diariamente com brasileiros que buscam a cidade pelos preços atrativos


    • São José do Rio Preto
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A rio-pretense Vanessa Vianna, 38 anos, diz que nunca foi fã dos Estados Unidos. Mas, em uma viagem a passeio e para visitar uma amiga, se encantou com o que viu. Ia ficar um mês, prolongou para seis e foi ficando. Já está há cinco anos em Orlando, na Flórida, onde casou-se com o americano Carl e teve o filho, Nickollas.

"As coisas aconteceram muito rápido, recebi convites para viajar e aproveitei para conhecer a vida no país. Comecei a trabalhar em loja de brasileiros, onde já tinham três rio-pretenses. Depois de seis meses, pensei em retornar para o Brasil, mas já estava namorando. Encontrei uma família, um porto seguro por aqui," diz.

Sem dominar o idioma, Van, como é conhecida, teve de se virar no primeiro encontro com Carl. Em boa parte da conversa usou o tradutor do Google. "Não sabia muito do inglês, fiz curso para conseguir ir ao banheiro e pedir um hambúrguer," brinca. "Até hoje às vezes não dá para entender o que dizem, ou se entende errado."

Mesmo longe do país natal, a rio-pretense convive com brasileiros diariamente. Trabalha em uma loja de departamento multimarcas na International Drive, um dos centros de compras preferidos dos conterrâneos na Terra do Tio Sam.

"Tem muitos brasileiros e eles adoram, porque se consegue produtos por preços muito bons. São marcas super caras no Brasil e aqui a gente consegue distribuir por valores menores. Quando as pessoas veem quanto custa já ficam sua amiga e te adoram," diz a rio-pretense, que trabalha dentro de um salão de beleza e é personal hairstylist, especializada em técnica em cabelo.

Além disso, Van trabalha como personal shopping e vende pacotes para cruzeiros marítimos para o Caribe. "Como tenho contato com muitos turistas, aproveito para exercer essa profissão também. Viver nos Estados Unidos é trabalhar muito, é não ter fim de semana. Mas seu dinheiro vale."

O convívio com pessoas de outras nacionalidades é frequente. É grande o número de latinos na cidade. "Por isso se fala muito espanhol também, você aprende o idioma de brinde," brinca a rio-pretense, cujos chefes são vietnamitas.

Para facilitar a adaptação ao país, Van contou com a ajuda das redes sociais, fazendo parte de grupos de brasileiros que moram em Orlando. "É difícil ficar longe da família, não ter raízes, ter que construir tudo de novo," diz. Em Rio Preto, ela trabalhou em agência de publicidade.

Alguns dos comportamentos dos americanos que mais a surpreenderam foi o apego à religião e o amor à pátria. Ela elogia o sistema de educação e a segurança do país, já o de saúde é mais complexo. "Quando não se é cidadão americano é complicado. Quando eu estava fora do sistema não ia ao médico."

Muito além do Mickey

Orlando é famosa pelo parque da Disney, mas Van garante que a cidade oferece muito mais do que isso. Há praias de águas cristalinas bem próximas e outros parques. "Aproveitamos mais os parques da Universal, que são mais divertidos."

Orlando oferece também diversas boas opções de restaurantes, bares e baladas. Boa parte deles embalados pelo country como trilha sonora. "Eles têm esse ritmo na veia, que não chega a ser sertanejo, é quase um rock." Nos bares, destacam-se os esportes. "Principalmente o futebol americano. E eles bebem muito, adoram um 'sports bar'."

Decepção com o Brasil

Após tanto tempo longe, Van veio ao Brasil em setembro do ano passado, bem no período em que o furacão Irma passou pela Flórida. A visita serviu para matar a saudade de amigos e familiares, mas reforçou o pensamento dela de não voltar a morar por aqui tão cedo. "Voltei decepcionada com o Brasil. O país está uma loucura, não tem sentido voltar agora."