Diário da Região

23/12/2017 - 16h35min

Descoberta de sabores

Descubra como deixar o cardápio das crianças variados e prazerosos

Crianças precisam escolher pratos além do cardápio kids em restaurantes, com nuggets e batata fritas, e ter uma experiência prazerosa e repleta de exploração

Fotos: Pixabay/Divulgação Pais, tios e avós devem ensinar os crianças a comerem de forma saudável, ingerindo frutas, verduras e legumes e evitar alimentos industrializados
Pais, tios e avós devem ensinar os crianças a comerem de forma saudável, ingerindo frutas, verduras e legumes e evitar alimentos industrializados

Está aberta a temporada de férias. Neste período, as famílias almoçam e jantam fora de casa, em restaurantes e lanchonetes de hotéis e postos de gasolina, e nem sempre a alimentação das crianças, em especial, é balanceada e saudável. Para piorar, o cardápio dos restaurantes, resumidamente, traz um menu infantil que oferece receitas pobres em nutrientes, que inclui arroz com batata frita e nuggets ou macarrão com molho branco ou vermelho.

A alimentação infantil, neste cenário, se torna cheia de desafios. Afinal, como planejar um cardápio saudável e que caia no gosto das crianças, com sabor e nutrientes? Especialistas afirmam que mesmo com tantos obstáculos é possível ajudar as crianças a comer cada vez melhor e com prazer.

A nutróloga Ana Valéria Ramirez afirma que o menu infantil nos restaurantes está incentivando as crianças a comerem mal, apoiado pelo comodismo dos pais. Por outro lado, ela afirma que o prazer é o argumento mais forte para descobrir novas formas de se alimentar bem. "Comer é ou deveria ser uma fonte diária de satisfação e não uma batalha a travar."

A especialista afirma que a lição deve começar em casa. "Não se pode esperar que a criança seja capaz de apreciar um prato, se na refeição do dia a dia ela repete exaustivamente os mesmos sabores. Ela, provavelmente, não vai se interessar por provar algo novo e diferente do tradicional, quando entrar em um restaurante. Não existe mágica para isso. É preciso que o paladar seja educado também."

Ana Valéria afirma que não dá para mudar a cultura de bife com batata frita no menu infantil de uma hora pra outra, mas é possível fazer pequenas mudanças. "O que não podemos é limitar o paladar das crianças. Elas querem aquilo que alguém as ensinou a querer. São os pais, diretamente ou indiretamente, que ensinam seus filhos a comer, o que comer e como comer. Se estamos abertos a experimentar novas possibilidades de sabor, com prazer e curiosidade, as crianças vão perceber isso e irão se aventurar nestes territórios com mais coragem."

A atitude não significa que a criança vai amar tudo na primeira garfada. Ana Valéria afirma que a ciência mostra que a repetição é essencial para a lapidação do nosso gosto por isso ou aquilo. "Às vezes é preciso oferecer uma, duas e três vezes até que a criança perceba todas os sabores de um alimento e passe não apenas a gostar daquilo, como a incorporá-lo no seu cardápio."

A nutricionista Maisa Coelho, responsável pela ViaNutri, afirma que a culpa pelo aumento da cultura de deseducação do paladar infantil não é apenas dos restaurantes. "Na verdade eles adequam de acordo com a procura. Muitos restaurantes oferecem boas opções. No entanto, é responsabilidade dos pais o que oferecer aos filhos. A escolha do restaurante é feita de acordo com os hábitos da família."

O paladar precisa ser educado. Maisa afirma que os hábitos alimentares são formados na primeira infância e os alimentos precisam ser oferecidos mais de uma vez e e em grande variedade. "As refeições devem ser um momento de prazer. Isso ajuda muito".

Tem ainda criança que naturalmente nasceu gostando de comidas apimentadas, adocicadas e de sabores exóticos. Neste cenário, os pais não podem fazer comparações, que podem gerar ainda mais confusão e repulsão. "Não acredito que comparação seja saudável, mesmo porque somos únicos." Segundo ela, o paladar deve ser estimulado e sem opressão. "Devemos conhecer os alimentos e escolher em proporções adequadas, com variedade e qualidade."

Saiba mais

A obesidade, em todas as faixas etárias, é intensamente estudada no mundo inteiro e procura-se, cada vez mais, entender os seus mecanismos hereditários. Por outro lado, não há dúvidas de que o estilo de vida também tem uma influência enorme no crescente aumento de crianças obesas. Dados apontam que a obesidade infantil no Brasil aumentou aproximadamente 300% nas crianças de 5 a 9 anos de idade nos últimos anos. Claro que estes números preocupantes refletem muito menos eventuais alterações na expressão genética e hereditária das crianças brasileiras nos últimos 15 anos e muito mais mudanças essenciais na alimentação e no estilo de vida.

Na verdade, estes números relacionam-se não apenas aos hábitos alimentares das crianças, mas também e principalmente aos hábitos alimentares de seus respectivos pais ou responsáveis. Cada família tem seus próprios hábitos alimentares. Se os pais ou responsáveis tem hábitos pouco saudáveis, as crianças, com certeza absoluta, irão pelo mesmo caminho. Quem vai ao supermercado e quem faz a comida de casa não são as crianças. Crianças em geral seguem os exemplos alimentares que cotidianamente lhes são apresentados. Não é fácil mudar o próprio estilo de vida. Precisa ter muito foco e força de vontade. Mudar o estilo de vida de outros, no caso, das crianças que precisam manter ou perder peso, é muito mais complexo. A determinação deve ser de todos da família. A refeição é algo para ser feito em família, uma atividade que seja legal para todo mundo

Fonte: Ana Valéria Ramirez, nutróloga

 

Nada de cardápio restrito e sem graça

Crianças devem comer iogurtes, frutas, aveia, biscoito integral, castanhas e bolos com farinha integral
Crianças devem comer iogurtes, frutas, aveia, biscoito integral, castanhas e bolos com farinha integral

A alimentação infantil tem de ser gostosa e saudável. A nutricionista Natasha Terra afirma que os restaurantes podem mudar a preferência das crianças e prevenir a obesidade por meio de uma cardápio com carne cozida ou grelhada e legumes, e macarrão com molho de tomate e não industrializado.

Ela também sugere a praticidade de alimentar a criança em casa, para evitar frustração na hora da escolha do prato em um estabelecimento. "Caso a família vá em algum almoço ou jantar mais tarde, seria interessante dar comida para as crianças antes de sair de casa. Assim, elas comem de maneira mais saudável." A criança também pode escolher um prato do cardápio adulto. Para não haver desperdício é indicado que alguém da família divida o prato com a criança.

Natasha Terra afirma que desde cedo os pais devem adotar uma alimentaçãosaudável, sem alimentos industrializados, que são ricos em corante, conservante e gorduras. "Desde cedo, os pais devem introduzir na alimentação frutas, verduras e legumes, arroz e feijão, e carnes (vermelhas, frango e peixe). Se os pais oferecerem regularmente esses alimentos, o paladar da criança acostuma e cada vez menos ela irá se interessar por alimentos industrializados".

Outra dica da especialista é sempre mandar o lanche para a escola e não deixar que as crianças comam em cantinas, pois nelas haverá somente salgados fritos e assados, que não são muito nutritivos. "Coloque na lancheira iogurtes, frutas, aveia,biscoito integral, castanhas, bolos com farinha integral, entre outros."

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