Diário da Região

04/12/2017 - 22h27min

Painel de Ideias

Eles blá, blá, blá e nós glub, glub, glub

Só que andando por aí, na rua, na chuva, na fazenda, deparo-me com pelo menos três tipos de rio-pretenses, que me deixam ainda mais sem graça do que o Michel Temer em abertura de eventos ou do que os institutos de pesquisa falando do Lula

Divulgação Alaor Ignácio | alaorig@uol.com.br
Alaor Ignácio | alaorig@uol.com.br

Toda vez que me meto a falar de enchentes, claro, para cobrar, tal como o Diário aqui já o fez, aqueles milhões que seguiram rio abaixo (com as sempre “últimas chuvas”), surge um técnico. Destes, mais públicos do que as capivaras da represa, para me lembrar que sou um leigo no assunto - metido a besta.

Então, eu deixo de me atrever a dar opinião “aprofundada” sobre os piscinões de retenção, alargamento das canaletas, enfim, essas coisas milagrosas. Hesito.

Pego o Dicionário Aulete Digital, busco o verbete “antienchente”, e ele é curto e grosso: “que evita enchentes”. Penso nos milhões, nas obras antienchentes, nas interdições, no trânsito que nos infernizou durante essas mesmas obras, nas entrevistas dos prefeitos, secretários de obras, planejamento, trânsito e “para assuntos do céu”, se houvesse, e minha indignação cresce ao nível da água que sobe pelas avenidas e entope a baixada da rodoviária, do rio Preto, da Murchid, enfim. Quanto distanciamento da definição do dicionarista.

Só que andando por aí, na rua, na chuva, na fazenda, deparo-me com pelo menos três tipos de rio-pretenses, que me deixam ainda mais sem graça do que o Michel Temer em abertura de eventos ou do que os institutos de pesquisa falando do Lula.

O primeiro seria daquela turma que mentalmente denomino de “meio grávida”. Sim, aquele que chega até a gente com um diacho de “mais ou menos”, “poderia ser pior se não tivesse a obra antienchente”, “olha, no fundo, as obras salvaram a cidade”, etc, etc.

O segundo é do tipo político sobre o caminhão com umas pingas na cabeça: “tem que mandar matar os safados que metem a mão no dinheiro público pra enfiarem nesses buracos”; “esgotos (hic!), escrotos”, e por aí vão, entre frases gritadas decibéis acima do sensato, palavrões e verdades que transitam das raias da baixaria ao teto do barraco.

O rio-pretense do terceiro grupo, considero-o algo Cândido, de Voltaire. Tudo ocorre para melhorar. Seus membros são mais crédulos do que mãe de dependentes, e mesmo vendo as calçadas rolarem água abaixo, os carros e pessoas encharcados, a correnteza levando paus, pedras e o fim do caminho, consideram aquilo “normal, gente”. “Viu que chuvarada?”. “’Véi’, quando cai essa água, ‘num’ dá!”.

Nem tão otimista como estes últimos, nem tão pessimistas quanto aqueles, nem tão ácido quanto foi Lima Barreto em 1915 - “Como está acontecendo atualmente, ela (a enchente) é função da chuva. Uma vergonha! Não sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros municipais, procrastinando a solução da questão”, vamos suportando, por absoluta falta de algo melhor.

E lembrando da campanha publicitária da agência ALMAP/BBDO, acerca das enchentes paulistas: “Eles blá, blá, blá e nós glub, glub, glub”.

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