Diário da Região

14/12/2017 - 22h55min

Editorial

Lula e a celeridade da Justiça

Qualquer cidadão que já tenha enfrentado alguma pendência judicial, na condição de autor ou na de réu, deve ter sentido o quanto é desagradável lidar com o que se costuma definir como "morosidade da Justiça". Não é por acaso que se tornou popular o bordão "a Justiça tarda, mas não falha", transformado em determinadas circunstâncias para "a Justiça tarda e falha" e, portanto, comete injustiça, pois leva à impunidade e à sensação de que o crime às vezes até compensa.

Reclamar da morosidade da Justiça, enfim, faz parte do cotidiano. Reclamar da agilidade da Justiça, entretanto, é novidade. Não surpreende que essa reclamação esteja partindo agora justamente de Lula, incomodado com a marcação, para o dia 24 de janeiro, do julgamento que pode tornar o ex-presidente inelegível. Nessa data o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julga recurso de Lula no caso do triplex, em que ele foi condenado na primeira instância a 9 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

A reação da cúpula petista chega a ser surrealista. "Agora temos que debater o caso também sob a perspectiva da violação da isonomia de tratamento, que é uma garantia fundamental de qualquer cidadão. Esperamos que a explicação para essa tramitação recorde seja a facilidade de constatar a nulidade do processo e a inocência de Lula", afirmou Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente.

Traduzindo: a defesa de Lula considera que ele tem uma espécie de "direito" à lentidão da Justiça. Se de acordo com a Constituição todos são iguais perante a lei, Lula quer ser igual na morosidade dos trâmites judiciais. A não ser, é claro, que "essa tramitação recorde seja a facilidade de constatar a nulidade do processo e a inocência de Lula", como adiantou o defensor petista.

A bizarra manifestação mereceu até uma observação - oportunista, aos costumes - do pré-candidato Ciro Gomes (PDT). Ciro disse que, apesar da presunção de inocência a qual Lula tem direito, "não se pode inverter as coisas" e "Justiça boa é Justiça rápida". E veio a reação do tesoureiro nacional do PT, Emídio de Souza: "Justiça boa não é a rápida nem a lenta. É a justa. A que não queima etapas. A que se guia pela regra, não por quem é o réu."

Não é necessário pensar muito para concluir que o interesse público está na junção do raciocínio de Ciro e Emídio: a Justiça boa é a Justiça justa, de preferência rápida.

 

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