Diário da Região

07/12/2017 - 22h48min

Editorial

O doce e o amargo

A redução da Selic é positiva, mas ainda há pouco a comemorar

A decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros para 7% ao ano, na última quarta-feira (6), entrou para a história. Desde que a chamada taxa Selic foi instituída, essa foi a primeira vez que atingiu um nível tão baixo. Muito distante dos 45% em janeiro de 1999, ainda sob o tutela de Fernando Henrique Cardoso, quando passou a ser empregada como referência para a política monetária, e praticamente a metade do início da era de Michel Temer no comando do País (14% em outubro de 2016).

A equipe econômica do atual governo conseguiu o prodígio de conduzir a Selic para esse novo piso histórico, e ainda há o aceno no sentido de adocicar ainda mais a taxa no início de 2018, provavelmente em 0,25%, marcando um novo piso de 6,75%.

Mas ainda há na boca do brasileiro o amargo de duas frustrações. A primeira é que o Banco Central não conseguiu transferir para a economia real a redução aplicada na Selic. Considerando o último ciclo de baixa, iniciado em outubro de 2016, quando a Selic passou a 14% após permanecer estacionada por mais de um ano em 14,25%, o Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe a taxa para a metade deste nível, aplicando 9 cortes sucessivos.

No mercado, no entanto, os juros desaceleraram muito menos. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) a taxa média dos juros para pessoa física, que em outubro de 2016 era de 157,47% ao ano (8,20% ao mês), passou em outubro de 2017 (último dado disponível) para 136,59% (7,44% ao mês). São reduções com grandezas muito desproporcionais: enquanto a Selic caiu 50,8% no período, a taxa média de mercado para pessoa física diminuiu apenas 13,25%. Para pessoa jurídica, a taxa média passou de 75,72% (4,81% ao mês) em outubro de 2016 para 65,92% (4,31%) em outubro deste ano.

O outro ponto está na produção. A redução da Selic não trouxe reflexos diretos no chão das fábricas, onde a produção continua devagar e os empregos escassos. De acordo com a Fiesp, o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista divulgado em novembro (relativo a outubro) trouxe no acumulado em 12 meses um crescimento de apenas 1,8%. No mesmo período, o Nível de Emprego medido pela entidade apresenta resultado de 2,39% negativos (acumulado 12 meses).

A redução da Selic é positiva, mas ainda há pouco a comemorar. Com os juros do varejo nas alturas e a indústria debilitada, a economia do Brasil real continua sangrando.

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