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CARTAS DO LEITOR

Bebidas


    • São José do Rio Preto
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Li recentemente numa importante revista brasileira os resultados de estudos oficiais sobre o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil e no mundo, que mostrava o aumento expressivo do consumo por mulheres, comparado aos homens, nos últimos seis anos. Dentre os levantamentos registrados, o mais preocupante se refere a uma faixa etária em que as mulheres bebem mais que os homens, ou seja, garotas entre 14 e 17 anos bebendo pelo menos uma vez por semana, todas as semanas, cresceu 74% no período, enquanto o consumo pelos homens permaneceu estável em 69%. Fato que, aliás, caracteriza crime em espécie estabelecido no Estatuto da Criança e Adolescente (Art. 243).

Infelizmente, o consumo excessivo de álcool é um fenômeno mundial subterrâneo, ou seja, chama a atenção apenas dos psiquiatras e especialistas em dependência química, mas não provoca alarme ou mobilização na sociedade, isto porque as bebidas estão sempre aliadas aos relacionamentos pessoais, às diversões e ao poder, tal como assistimos nas propagandas da TV.

Portanto, enquanto essa droga (lícita) continuar sendo encarada apenas como algo que dá prazer e une as pessoas, sem nenhuma preocupação com suas consequências, certamente muitas tragédias e doenças haverão de acontecer.

José Vicente Berenguel, Rio Preto.

Maluf

A prisão de Paulo Maluf decretada pelo ministro Fachin é o exemplo típico do jargão popular conhecido como "boi de piranha", sacrificando o mais indefeso, como se esse episódio fosse o bastante para melhorar a credibilidade da Suprema Corte que está em jogo.

Concordamos plenamente que se trata de um político antigo, o qual cometeu inúmeros delitos, já comprovados há mais de 20 anos quando era prefeito de São Paulo de 1993 a 1996. E o pior, passaram por cima da prerrogativa do foro privilegiado que tem como deputado federal há mais de vários mandados. Fica no ar a seguinte pergunta. Qual seria a ameaça dele à soberania nacional? Nenhuma.

O ideal, como prudência e cautela, considerando sua idade de 86 anos, seria de boa norma que sua condenação fosse por pena pecuniária proporcional ao montante que já foi levantado em suas contas bancárias no exterior. A Saúde, a Educação e a Segurança Publica agradeceriam.

Nelson Nagib Gabriel, Rio Preto.

Ano Novo

Quem não gostaria que esse ano que está por vir fosse melhor do que esse que passou, politicamente desgastante, com notícias diuturnamente desagradáveis sobre governantes da América Latina, onde o Brasil é protagonista com aumento da criminalidade, falta de dinheiro para investimentos necessários nas principais áreas sociais, pelos desvios praticados pelos políticos corruptos e empresários gananciosos que não se contentam com o lucro honesto.

Para isto, precisamos nos unir, deixando de lado esse ranço individualista que nos tomou na cultura, e nos interessar mais pelos problemas comuns, nos politizando mais, aprendendo a votar para que não sejamos enganados como somos. Salvadores da pátria, aqueles que prometem soluções imediatistas, não existem. Nós existimos para resolver nossos problemas.

O processo de redemocratização requer tempo, maior ou menor, dependendo do grau de analfabetismo político do povo, e pela primeira vez temos noção e conhecimento do nosso sistema político e suas falcatruas, e teremos nas próximas eleições as chances de mudanças, nas urnas, a única e poderosa arma que uma democracia bem sucedida oferece, basta saber usá-la.

Deu para aprender que não é só no Executivo que devemos mirar para nossos anseios, que o Legislativo é o maior dentre os poderes, pois os elegemos para nos representar e votamos displicentemente sem lhes cobrar nada. Até esquecemos em quem votamos. É por isso que cospem na nossa cara quando fazem o que fazem. Não reeleger ninguém, é a ordem do dia.

Cesar Maluf, Rio Preto.

Desafios

Quando se fala em privatizações, não basta conferir o preço verdadeiro da empresa vendida. O que urge garantir é a preservação da soberania nacional. Os políticos que não têm a sensibilidade de perceber o que está em jogo com as privatizações, não merecem o voto dos cidadãos brasileiros.

Quando se fala em economia, não está em causa só o funcionamento dos negócios das grandes empresas. Está em jogo a atividade econômica, que toma sentido na medida em que favorece a participação responsável dos cidadãos na produção e comercialização dos bens indispensáveis para a vida digna das pessoas.

Quando se fala em projetos sociais, está em jogo uma visão diferenciada de sociedade. Trata-se de sustentar um projeto de país que lentamente superesuas desigualdades. Por isto, é importante conhecer qual a visão de sociedade dos candidatos que pedem nosso voto.

Quando se fala em educação, trata-se de garantir que as crianças e os jovens tenham não só o acesso a informações técnicas, mas assimilem os valores importantes que servirão de suporte para suas vidas e para sua atuação cidadã responsável e competente. Estamos, portanto, diante de um ano que nos pede muito mais do que está na agenda oficial.

Demétrio Valentini, bispo emérito de Jales.

Romantismo

Hoje, na contemporaneidade, o romantismo saiu de moda. Para alguns. Nunca desisti dessa prática. Suspirar ao nome escrito. Delirar a uma foto marcante. Trepidar ao recostar a mão no corpo. Flutuar no sorriso dançante, que sacode a alma e nos leva para a lua em pleno dia.

Para mim não sai de moda nunca. É doce o afago de palavras carinhosas, entregar-se no cansaço e no afago. Procurar a companhia, não querer fugir por monotonia, noite e dia agradar-se sem cessar.

Que seja assim aos amores amigos, que nos emprestam sabedoria e conselhos, encostam o ombro para recolher lágrimas, emprestam um microfone para espalhar alegrias. Quer estejam tristes, levemos a alma para junto e deixamos ali ao lado, oferecendo conforto. Aos amores apaixonados, suportado o tempo e as lacunas, as ausências e as loucuras, que se façam puras.

Edvaldo Jacomelli, Rio Preto.