Diário da Região

05/12/2017 - 23h48min

CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

Em gravação, J. Hawilla discute subornos

Rio-pretense apresentou áudios de diálogos com Marin, ex-presidente da CBF

Ferdinando Ramos/Arquivo Hawilla, dono da Traffic, subornava cartolas para comercializar direitos de transmissão dos jogos
Hawilla, dono da Traffic, subornava cartolas para comercializar direitos de transmissão dos jogos

Em seu segundo dia de depoimentos no Tribunal do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos, o empresário rio-pretense José Hawilla, dono da Traffic, apresentou gravações que ele fez a mando do FBI em conversas com José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e Kleber Leite, dono da Klefer e parceiro de J.Hawilla em vários negócios.

No áudio com os diálogos, que fazem parte do julgamento de corrupção na Fifa, os dirigentes tratam do pagamento de propinas e de como será feita a divisão dos valores entre José Maria Marin, Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF. O material foi gravado em 30 de abril de 2014 durante um evento da Copa América Centenário, em Miami.

Nas conversas, J.Hawilla pergunta a José Maria Marin se ele considera que Ricardo Teixeira deveria ganhar o dobro que ele e Marco Polo Del Nero - a divisão era R$ 1 milhão para Teixeira e a mesma quantia para ser dividida entre Marin e Del Nero. "Eu acho que pelo que já fizemos e estamos fazendo era para chegar para o nosso lado", disse Marin, que se declara inocente no processo, na gravação.

A propina se referia ao contrato de cessão dos direitos de transmissão da Copa do Brasil, de 2013 a 2022. Nas conversas, fala-se em "compromisso moral" em continuar pagando Ricardo Teixeira, mesmo com o dirigente tendo renunciado à presidência da CBF em 2012. Foi ele quem assinou o contrato com a Traffic e, segundo J.Hawilla, com a mudança no comando, a divisão dos pagamentos passou a incluir mais partes.

O julgamento também mostrou gravações com conversas entre J Hawilla e Kleber Leite, que com suas empresas dividiam os pagamentos de propinas. Em alguns momentos Leite parecia não entender a insistência do amigo com algumas perguntas, estranhando o tom da conversa.

"Hawilla, me desculpa, presta atenção. Com base na nossa amizade, eu passei a vida toda contigo. E eu confio em você completamente. Nunca te questionei nada. Mas você está sendo um tremendo cuzão! Como você desconfia de mim?", reclamou. Mais adiante, disse não se meter na forma como José Maria Marin, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero dividiam os valores.

Além das gravações, foi apresentada uma documentação com emails entre J.Hawilla e Flávio Grecco Guimarães, executivo da Traffic. Uma das transações tem comprovante do Delta Bank, dos Estados Unidos, para uma agência do Itaú no Brasil, no valor de R$ 1,035 milhão. Outros valores, em dólares e reais, são descritos no processo, incluindo um pagamento de US$ 200 mil em dinheiro e sem recibo.

 

O papel de J. Hawilla no esquema

Investigação

O Departamento de Justiça dos EstadosUnidos, a Receita Federal e o FBI (a polícia federal dos EUA) investigam crimes como extorsão, fraudes financeiras e lavagem de dinheiros envolvendo a Fifa. A operação, nomeada de Fifagate, veio à tona no dia 27 de maio de 2015

Negociatas

O rio-pretense J.Hawilla é pivô do maior escândalo e que levou cartolas à prisão - entre eles, José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Hawilla, através da sua empresa de marketing esportivo, a Traffic, é o responsável pela venda dos direitos de transmissão de competições realizadas na América do Sul. Para ganhar contratos com entidades que regem o futebol, a Conmebol e CBF, por exemplo, Hawilla admitiu que pagou propinas para dirigentes Nicolás Leoz e Ricardo Teixeira, respectivamente

Culpado

Em 12 de dezembro de 2014, Hawilla esteve diante de um juiz de Nova York, Raymond Dearie, e explicou que as propinas eram necessárias para garantir à Traffic contratos. Ele confessou ser "culpado" pelas acusações e indicou que o pagamento das propinas começou ainda em 1991

Colaboração

Acusado de extorsão, lavagem de dinheiro e fraude bancária pela Justiça dos Estados Unidos, o empresário riopretense J. Hawilla admitiu a culpa. Fez um acordo e concordou em restituir R$ 476 milhões e denunciou Ricardo Teixeira, José Maria Marin. Esse dinheiro, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, está reservado para reparar possíveis vítimas. Ao colaborar, Hawilla se livrou do risco de prisão, porém, não tem permissão para deixar os Estados Unidos enquanto as investigações estão em andamento

 

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