Diário da Região

07/12/2017 - 18h26min

DANÇA CINEMATOGRÁFICA

Espetáculo Blow Up [Vol. 2], que será apresentado no Sesc

A obra é resultado de um trabalho que pesquisa e investiga relações transversais de linguagem

Daniel Lins/Divulgação Blow up é um artifício do cinema transformado em modo de operar sobre a maneira de pensar e criar dança, explica Maristela Estrela, uma das criadoras do espetáculo
Blow up é um artifício do cinema transformado em modo de operar sobre a maneira de pensar e criar dança, explica Maristela Estrela, uma das criadoras do espetáculo

A linguagem cinematográfica é transportada e transformada para os palcos em uma explosão de corpos, movimentos, habilidades e fragilidades no espetáculo Blow Up [Vol. 2] - Lado A, que o Núcleo Cinematográfico de Dança apresenta nesta sexta-feira, 8, às 18h30, no Sesc Rio Preto. A obra é resultado de um trabalho que pesquisa e investiga relações transversais de linguagem, principalmente entre a dança e o cinema, que, ao mesmo tempo, faz com que as duas linguagens agregam-se, fragmentam-se e deslocam-se.

No cinema, blow up é a técnica de transferir um filme realizado em um filme 16mm para 35mm. Isso significa ampliar a imagem para um suporte com maior definição. Assim, o que ficou preciso pode ser visto melhor. No entanto, as imperfeições também são ampliadas, como um pequeno desfoque que se torna mais visível, explica Maristela Estrela, responsável pela concepção da obra e direção junto com Mariana Sucupira.

"Assim, blow up é um artifício do cinema que foi por nós extraído e subvertido em uma livre adaptação, transformado em modo de operar sobre a maneira de pensar e criar dança. Essa operação revela uma ação de ampliação tanto da potência quanto da fragilidade do corpo. Portanto, não se trata exatamente de selecionar o que consideramos 'melhor ou mais virtuoso', mas, sim, deixar explícito e aumentar, com mesmo grau de importância, habilidades e fragilidades. Talvez em algum momento, essas qualidades acabem também explodidas, borradas através de um olhar 'ampliado' do público", diz.

Mas, além disso, blow up tem um significado metafórico para o grupo. Trata-se, também, de colocar uma lente de aumento sobre o conflito do corpo na sua relação com a linguagem cinematográfica. "Não é possível traduzir uma linguagem para outra, pois não existem palavras correspondentes. Blow Up não é solução, é uma forma de expor o conflito", explica Maristela.

Concepção

Blow Up [Vol. 2] é descrito por Maristela como um dos componentes de uma série de ações-explosões que vem ocorrendo nos processos criativos da companhia desde 2012. Trata-se também de um próximo passo dentro da franquia, uma continuação e expansão do trabalho iniciado em 2014, quando foi produzido Blow Up [Vol. 1].

"Blow Up [Vol.1] é uma peça coreográfica que joga com as tensões de um corpo que se contrai e se agita a fim de expandir-se. Como um filme que vai granulando a cada nova ampliação, o corpo projeta o movimento, explodindo sua nitidez. Corpos em pressão, insistência e repetição. Uma aceleração energética de partículas para gerar o estado de iminência de uma possível explosão. O segundo volume da série preserva fragmentos dessa primeira massa explodida, mas agora a companhia passa a se interessar pelo estado das coisas após ocorrida uma explosão", compara Maristela.

A inspiração vem da analogia da bifurcação, estudada na física do não equilíbrio. Blow Up [Vol. 2] se divide em dois roteiros diferentes, dois movimentos complementares que se instauram enquanto possibilidade de acontecimento, mas, também, enquanto impossibilidade de estabilizar-se, explica a criadora.

"Ao propor essas duas experiências, esses dois modos de estar e olhar para o mundo, estamos nos lembrando da possibilidade da coexistência das diferenças e do nosso poder de escolha, seja ela qual for."

Maristela descreve o [Vol. 2] como uma massa que ao ser explodida se reconfigura de outra forma no espaço. "Podemos dizer que o Lado A é uma metamorfose de imagens-sensações, que vão aparecendo e desaparecendo ao longo de todo o trabalho, como se os corpos pudessem conter em si a energia dessa explosão."

Serviço

  • Blow Up [Vol. 2] - Lado A, sexta-feira, 8, às 18h30, no Sesc Rio Preto. Entrada gratuita

Silêncio grávido de som e ruído

Em um mundo cada vez mais caótico, Blow Up traz uma discussão sobre a tentativa de adentrar o silêncio e habitá-lo. No entanto, ele se torna ruidoso demais para permitir que isso aconteça. Segundo Maristela, isso acontece porque não se trata de um silêncio qualquer, mas de um silêncio grávido de som e ruído, algo influenciado por São Paulo, cidade onde o processo de criação aconteceu e que torna impossível escutar só o silêncio.

"Aqui, quando alguém se despluga, fica em silêncio e não responde às expectativas, gera um desconforto, um estranhamento, um desassossego, uma perturbação. Não só na comunicação se dá essa perturbação generalizada, isto acontece em quase todos os domínios. A poluição sonora e visual é também uma nova forma de controle. Tudo isso que está posto é uma certa política, uma certa economia, uma nova modalidade de produção subjetiva", compara.

Essa questão do avanço e da modernidade, de como lidamos com a constância da aceleração de nossas vidas propõe uma série de reflexões, garante Maristela. "A gente tem hoje uma aceleração do tempo muito diferente do que nossos pais podiam sentir. Se a gente chegar num excesso de aceleração o que pode acontecer? Será que vai ocorrer uma nova bifurcação ou uma súbita libertação de grandes quantidades de energia? Uma nova explosão? E se atravessarmos esse ponto-limite? O que se poderia ouvir em uma paisagem explodida? Qual a intensidade dos pulsos e ruídos em todos os níveis e direções?"

E neste ponto a trilha sonora do espetáculo, criada por Felipe Ribeiro, entre com a proposta de que a sonoridade seja percebida como mais uma experiência corporal. "O som percebido e sentido provoca novas explosões/implosões que amplificam tanto o corpo que dança quanto o corpo de quem observa a performance. A trilha se mescla com o ruído da cidade e, para o espectador, já não é mais possível dissociar o limite entre essas sonoridades", explica Maristela. (BC)

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