Diário da Região

04/12/2017 - 11h25min

ENTREVISTA

Novo gestor do Municipal de SP defende planejamento estratégico

Responsável pela gestão do Museu de Arte do Rio (MAR), o Instituto Odeon assumiu o Teatro Municipal de São Paulo em setembro deste ano

O Teatro Municipal de São Paulo precisa passar por uma "mudança de cultura", com novos processos internos e maior transparência, e com um planejamento estratégico a respeito de sua função e relação com a cidade. É esse o norte do trabalho que o Instituto Odeon, organização social responsável pela gestão do espaço, segundo seu presidente Carlos Gradim, vai desenvolver.

Responsável pela gestão do Museu de Arte do Rio (MAR), o Instituto Odeon assumiu o Municipal em setembro deste ano. Segundo Gradim, em sua primeira entrevista desde então, diagnósticos ainda estão sendo feitos, mas a temporada 2018 já está "90% pronta" e deve incluir quatro óperas (os títulos ainda não foram anunciados, mas a reportagem apurou que o primeiro, em março, deverá ser Turandot, de Puccini).

Qual a impressão inicial a respeito do estado em que o Teatro Municipal se encontra?

Carlos Gradim - Ainda estamos em um momento de percepção. Somos conservadores, para atuarmos precisamos nos aprofundar. Não dá para mudar sem compreender o presente. E não paramos, não fechamos as portas enquanto isso. A gente sentiu, de qualquer forma, que não havia processos claros e, na nossa visão de gestão, isso é fundamental, pois estamos lidando com dinheiro público. E queremos criar um planejamento estratégico, uma visão, uma missão, que englobe o passado e o valor simbólico do Municipal. Queremos resgatar esse imaginário pois houve um momento de ruído recentemente. Estamos trabalhando para diagnosticar problemas e criar planos de ação. No MAR, abrimos as portas com um planejamento estratégico pronto. No Municipal, queremos discuti-lo com a sociedade, para entender como ressignificá-lo.

No caso do MAR, vocês montaram uma estrutura do zero, sem os vícios de uma instituição centenária como o Municipal. Além disso, vocês herdaram neste caso um teatro com programação anunciada sem antecedência, uma crise financeira, artistas com redução de salários, dívidas antigas. Como lidar com isso?

Carlos Gradim - Há questões que não se negocia, como a necessidade de processos claros. Se você vai gastar dinheiro com algo, esse dinheiro precisa seguir um fluxo específico, por isso já criamos um sistema financeiro, para entender o caminho desde a ideia até a sua realização. Não somos idiotas. Se algo está dificultando o trabalho, vamos mover montanhas para corrigir isso, mas dentro da lei. Somos transgressores, mas responsáveis. Eu estaria mentindo se dissesse que não há uma cultura arraigada que estamos tentando modificar, não a fórceps e, sim, lidando com a memória de quem já estava aqui. Mas nosso papel é trazer outra visão.

Em termos de conceito, o Odeon compreende o Municipal como um teatro de ópera? Como estabelecer um diálogo de fato entre a difusão artística e o trabalho pedagógico desenvolvido pelas escolas de música e bailado e pelas orquestras de formação?

Carlos Gradim - É o que queremos responder com o planejamento estratégico. Se há dúvidas, é porque não houve clareza na concepção. E a ausência de planejamento deixa espaço para que se crie achismos sujeitos a gostos específicos. Olhando de fora, entendemos que a vocação primeira é a de um teatro de ópera, mas ele dialoga com outras vertentes da área cultural, tem o Balé da Cidade, por exemplo. Queremos ter uma resposta a respeito da missão do teatro, sobre para que ele existe. Vamos experimentar o Municipal de novo em todas as suas possibilidades, entendendo que um espaço público é um espaço para todos. Nesse sentido, a educação faz parte do nosso DNA e nos interessa aprofundar de modo racional e qualitativo a relação com as escolas.

O teatro hoje tem um conselho artístico. Está descartada a ideia de um diretor artístico?

Carlos Gradim - Descartada não está. Mas entendemos que precisamos maturar, descobrir a nossa missão antes. Estamos saltando etapas, montando uma programação 2018 sem ter o planejamento estratégico. É um momento de transição entre onde estávamos e para onde queremos ir e é preciso, nessa hora, ter muita responsabilidade. A programação está 90% fechada, teremos quatro óperas e mais todo o resto.

E há orçamento para tanto?

Carlos Gradim - Nosso esforço maior é trazer dinheiro do mercado e, quando a imagem do teatro começar a mudar, isso vai acontecer. O prédio está bem cuidado, o público está aqui, há uma aura muito boa. Se somamos isso a um trabalho sério, com transparência, os aportes virão. Só com o dinheiro da prefeitura, é impossível. Temos uma folha de pagamento de quase 470 pessoas, 277 delas artistas, todas indispensáveis. E queremos trabalhar também parcerias com outros teatros. Essas redes são fundamentais.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

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