Diário da Região

05/12/2017 - 23h15min

Prematura

Menor bebê nascido no HCM recebe alta

Hianny nasceu em 13 de julho com 440 gramas, sete vezes menos que o adequado. Superando todos os obstáculos, deixou o hospital nesta terça-feira

Johnny Torres 5/12/2017 Andréia, 22 anos, com a filha Hianny no colo. Mãe é hipertensa, o que contribuiu para o parto prematuro
Andréia, 22 anos, com a filha Hianny no colo. Mãe é hipertensa, o que contribuiu para o parto prematuro

A maior garra do mundo cabe em um peso de 440 gramas e em 26 centímetros de comprimento. É o que mostrou Hianny Gonçalves de Queiroz, de quatro meses e 22 dias. A menina nasceu prematura no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), quando a mãe estava com 27 semanas e 6 dias de gestação - menos que sete meses.

Mesmo prematura, a menina deveria pesar de 800 a 900 gramas. As ultrassonografias apontavam que teria 500, mas ela chegou em 13 de julho com 440 gramas. Hianny é o menor bebê nascido no HCM nos quatro anos de existência da unidade - no período foram mais de 12,5 mil partos. Pesava aproximadamente sete vezes menos que um recém-nascido no tempo e peso adequados.

Depois de 83 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, mais 40 dias no tratamento intermediário e duas semanas no canguru (metodologia que tem o objetivo de fortalecer vínculos entre mãe e bebê e preparar a família para receber o novo membro), ela recebeu alta nesta terça-feira, 5, pesando 1,835 quilo e medindo 42 centímetros.

A mãe, Andréia Gonçalves Ferreira, dona de casa de 22 anos, descreve este como o dia mais especial de sua vida. "Umas duas semanas atrás ela estava na incubadora. Passar o Natal em casa é uma alegria imensa, tudo que eu mais queria, estava pedindo tanto a Deus."

Hianny é esperada pela irmã Hilary, de 5 anos, que teve que ficar longe da mãe por um tempo, e pelo pai Rafael, em Talhado. Andréia é hipertensa - o que levou ao nascimento prematuro da mais nova - e antes da gravidez da segunda filha teve quatro abortos espontâneos. "Achei que não ia vingar, era outro aborto. Mas aí graças a Deus estamos aí."

Foi uma luta para manter a gravidez. "Tinha que fazer todo o acompanhamento, tomar vários medicamentos. Fiz exames de rotina", lembra. A notícia que Hianny viria ao mundo antes da hora, um susto, veio durante uma ultrassom. Estava ocorrendo perda de líquido, o bebê estava entrando em sofrimento e poderia morrer. Para Andréia, foi seu presente - a menina nasceu dia 13 e seu aniversário de 22 anos foi no dia 18.

Os agradecimentos da mãe são para Deus, para a equipe do hospital que fez tudo que estava a seu alcance e principalmente a Hianny. "Ela foi a principal, que lutou, que teve garra. Juntou o pé e falou 'vou vir a esse mundo e vou vir para ficar'," derrete-se.

Ela acredita que Hianny vai engordar bastante e crescer. "E desenvolver muito bem. Desejo uma vida normal, como a Hilary tem. É uma guerreirinha", fala.

Guerreira é como a criança é definida também pela pediatra neonatologista Fernanda Ribeiro de Souza Micheloni. "Desde o nascimento ela superou as expectativas. Ela evoluiu muito bem."

Outras histórias

Hianny é um dos menores recém-nascidos de que se tem notícia. Em 2004, Rumaisa Rahman veio ao mundo com 243,8 gramas. Ela nasceu em Chicago, nos Estados Unidos. Em 2011, foi a vez da brasileira Carolina Antunes Terzis, com 360 gramas e 27 centímetros. Em janeiro de 2014, chegou Beatriz, com 345 gramas.

A médica Fernanda explica que os prematuros precisam de muitos cuidados. O HCM é um hospital voltado a gestações de alto risco e por lá nascem muitos bebês antes do tempo. "É um paciente delicado. Requer cuidados. Controle de temperatura do corpo, nutrição. Não podemos alimentá-lo com grandes volumes de leite no começo. Ela (Hianny) precisou de suporte ventilatório, embora foi leve o desconforto que ela teve. Permaneceu pouco tempo em vista de bebês semelhantes a ela. É feito todo um trabalho multidisciplinar para que a família receba esse bebê e tenha aderência ao tratamento", descreve.

Acompanhamento de perto

A menina Hianny deixou o Hospital da Criança e Maternidade (HCM) em bom estado de saúde. Precisará passar por acompanhamento multidiscplinar. Nos primeiros dias, os retornos à unidade acontecerão a cada 48 horas. Por vários anos, será assistida por uma equipe de médicos, enfermeiros, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional para que o desenvolvimento ocorra da maneira esperada.

De acordo com a pediatra neonatologista Fernanda Ribeiro de Souza Micheloni, o bebê prematuro tem algum atraso no desenvolvimento. Hianny, por exemplo, tem hoje o equivalente a dois meses de vida. Com o suporte necessário, isso será corrigido. "A intenção é que por volta de dois a três anos essa diferença seja corrigida, que no máximo até três anos ela esteja igual a uma criança de três anos com todas as capacidades. Muitas crianças atingem esse marco antes disso", explica.

É normal que os prematuros tenham algumas intercorrências. Hianny precisou passar por uma cirurgia para corrigir uma retinopatia (problema no olho). "Permanece em acompanhamento oftalmológico, mas com boa resposta. A gente acredita que ela vai ter uma visão adequada", fala a médica. (MG)

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